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Sayounara

Dizem que dinheiro não compra amor… e pelo jeito também não compra vitórias na Fórmula 1. Ontem, em Tokyo (ou Tóquio, como preferirem), outra gigante da indústria automobilística, a Toyota, anunciou que terminará seus investimentos na categoria, com efeito imediato, se tornando a quarta mega-empresa a deixar o esporte em menos de 1 ano. Coincidência ou não, três delas são japonesas.

Toyota

Toyota: muito dinheiro e resultados aquém do esperado

Já não era segredo – o time ameaçava abandonar o barco há pelo menos uns três anos – e sinais deste destino não foram poucos: anuncio do primeiro balanço negativo no ano passado, indefinição dos pilotos para 2010, rescisão do contrato de fornecimento de motores com a Williams, nenhuma noticia sobre o “TF110”, resultados fracos comparados aos objetivos traçados para este anos.

Em oito anos na categoria máxima, a equipe foi a que mais gastou, seguramente ultrapassando a marca dos 3 bilhões de dólares. E se traçarmos um paralelo com os resultados obtidos, veremos que a equipe nipônica fez um trabalho vergonhoso, indigno do orçamento que tinha. Foram 139 GPs disputados, nenhuma vitória, 3 pole-positions, 278.5 pontos, 13 pódios, 3 voltas mais rápidas e insignificantes 66 voltas na liderança, tendo o melhor resultado nos construtores o 4º lugar em 2005.

Como desculpa, eles deram a mais óbvia: a perdas causadas pela crise mundial, mas será só isso?

Os resultados foram ruins. Demorou até 2005 para que a equipe ameaçasse disputar por uma vitória, quando conseguiu 3 pódios nas 3 primeiras corridas, mas a velocidade de desenvolvimento do carro era pequena, e isso significou que a Renault e a McLaren puderam disparar no campeonato. Quando a Honda assumiu a BAR em 2006, ficou ainda pior. Herdando um pouco da boa performance do time ao qual fornecia motores, e tendo em Rubens Barrichello e Jenson Button uma dupla de pilotos muito mais forte que Jarno Trulli e Ralf Schumacher, a Honda dominou sua concorrente do ramo automobilístico.

Talvez o que mantinha a Toyota na Fórmula 1 era o marketing que trazia a disputa com a rival. Mas com a saída da equipe ao final de 2008, sobrou para a Toyota disputar contra quem? Entre os dois maiores mercados da montadora (Estados Unidos e Japão), não havia nenhuma outra equipe. Competir contra BMW e Renault não trazia a mesma imagem, e mesmo assim não foram capazes de batê-los.

Mas montadoras vêm e vão de acordo com a vontade (e a profundidade dos bolsos) de seus dirigentes. Se a empresa estiver em uma boa época de vendas, ela vai precisar da Fórmula 1 para promover sua marca e aprimorar suas plataformas. Foi assim com a Mercedes, BMW, Renault e Honda, logo não seria uma surpresa ver a Toyota novamente na Fórmula 1… com um orçamento monstruoso, é claro.

Então, deveria o “sayounara” ser substituído por abayo?

Kamui Kobayashi: a próxima vítima da Fórmula 1 sem testes?

Um corte na perna. Foi isso o que sofreu Timo Glock em sua batida nos treinos classificatórios para o GP do Japão… pelo menos era o que se pensava. Porém a Toyota anunciou ontem que, após mais exames realizados em sua terra natal, o piloto alemão não disputará o Grande Prêmio do Brasil devido a uma vértebra trincada/rachada (não foi divulgada em que região da coluna se encontra esta vértebra, mas é mais provável que seja na região torácica). Em seu lugar, correrá o reserva Kamui Kobayashi

Kamui Kobayashi em Suzuka

Kamui Kobayashi em Suzuka

A Fórmula 1 este ano está marcada por um grande número de pilotos, comparado ao pequeno número de equipes. Com Kobayashi, serão 25 nomes nas tabelas deste campeonato, sendo três deles novatos que caíram no meio do tiroteio sem nenhuma experiência nas costas… Grosjean, um desses novatos, já está tomando os primeiros tiros.

Isso é consequência da imbecilidade de cortar todos os testes durante o ano. Há anos que não há tantas vagas em equipes para o ano que vem, mas ao invés de novos nomes, tudo o que as especulações trazem são pilotos “idosos”, como Villeneuve e Alex Wurz. E os novos talentos que se ralem… Sem poder testar e se adaptar aos carros, estes inexperientes pilotos acabam por não mostrar todo seu real potencial.

Kamui, atual campeão da GP2 Asia, será mais um que cairá neste triturador chamado Fórmula 1. Sua única experiência com o TF109 foi nos treinos de sexta para o GP do Japão, onde ele (ironicamente) substituiu Glock, e até que não se saiu tão mal para um estreante – 12º entre 17 que treinaram naquele dia.

O problema para ele está em sua inexperiência em condições normais de corrida (pois aquele treino em Suzuka ocorreu debaixo de chuva) e desconhecimento da pista – como ele mesmo admite, só conhece Interlagos por “jogos de computador e televisão”. Kamui diz que não demorará muito até aprender o necessário sobre a pista, mas logo ele vai perceber que as ondulações no traçado paulista não estão no videogame.

Resta somente ver se Kamui sairá vivo ou morto desta jaula de leões, e como a Toyota lidará com seu primeiro piloto japonês a disputar uma corrida por eles.

Os pilotos em alta no mercado

Keith Collantine começou em seu site um interessante debate sobre a “Silly Season”. Como todos sabem, o mercado de pilotos para o ano que vem está movimentadíssimo. Com quatro novas equipes (podendo até ser cinco, dependendo da situação da Renault) e as já existentes planejando trocas maciças em seus times, muitos assentos estarão vagos, e o que não faltam são interessados no trabalho. Muita especulação já estava sendo feita antes do acidente de Massa, e após o GP da Hungria as especulações dobraram em número, não faltando assunto para as férias da F1.

Quem pilotará para a Ferrari? Para onde vão os pilotos da BMW? Qual será a dupla de pilotos das novas equipes? E com o banimento dos testes, teremos “sangue novo” na Fórmula 1? Vamos analisar os casos, equipe por equipe.

Felipe? Kimi? Fernando? Michael? Robert? Quem pilotará para esta equipe em 2010?

Felipe? Kimi? Fernando? Michael? Robert? Quem pilotará para esta equipe em 2010?

Ferrari: nunca nos últimos anos nós vimos tantos pilotos interessados em sentar num dos carros escarlates, e é a decisão da equipe de Maranello que vai definir como todas as peças se encaixarão ano que vem. Até o GP da Hungria, a vaga de Kimi Räikkönen parecia muito ameaçada pela especulação de que Fernando Alonso assumiria seu lugar em 2010. Com o acidente do brasileiro, as coisas ficaram loucas para os lados da primeira garagem dos boxes…

Schumacher ameaçou voltar, o que não se contretizou. Não obstante, seu desejo de voltar a correr persiste. Luca di Montezemolo disse que lutaria para colocar três Ferraris no grid ano que vem, sendo um dos carros para Michael. E quem pilotaria os outros dois? Um deles está reservado para Felipe Massa, e o outro seria para Kimi Räikkönen ou quem quer que entre no lugar dele. Se analisarmos a situação, é mais provavel que Kimi pilote para a Ferrari ano que vem do que Schumacher ou Felipe. Os conspiradores dizem algo de incomum há nos exames de Felipe e que talvez ele não volte a correr tão cedo, o que eu não acredito, mas também não sabemos se Michael estará curado das dores no pescoço. Se a Ferrari conseguir alinhar três carros, é mais provavel que veremos Felipe, Kimi e Fernando nos cockpits.

O problema para o lado de Alonso é o escândalo que está se montando em torno da Renault. Muitos apontam o dedo para Briatore e Nelsinho, esquecendo que Alonso também estará envolvido até o pescoço no Conselho Mundial da FIA neste processo. Irá a Ferrari desejar um piloto envolvido em dois escândalos em dois anos? Mesmo que Alonso seja inocente, a situação é complicada, e nessa história quem aparece com mais força para o terceiro carro é Robert Kubica.

O polonês é o segundo na lista de especulações para substituir o substituto do substituto no GP da Itália, atrás de Fisichella. Do lado do italiano, estão as imensas dívidas que a Force India tem com a Ferrari, o que poderia levar Mallya e “emprestar” seu funcionario em troca de um desconto na dívida. Do lado do polonês, está o fato de ele não ter equipe para 2010. Se Kubica substituir Badoer, é bem provável que ele fique na equipe para pilotar o terceiro carro ou mesmo tirar um ano como piloto de testes, considerando que Badoer deixará seu cargo ao final do ano que Marc Gené tem grandes probabilidades de pilotar para a Campos Meta. Kubica poderia, então, tomar o lugar de Kimi em 2011, caso a equipe não renove com o finlandês, o que obviamente dependerá de como o Camepão Mundial de 2007 irá correr em 2010.

Caso a possibilidade dos três carros não seja concretize, espere para ver Massa e Kimi por mais um ano na Ferrari.

McLaren: também após o GP da Hungria, ficou claro que a dupla da equipe de Woking não permaneceria a mesma. Desde que entrou na Fórmula 1, o finlandês Heikki Kovalainen não fez jus às espectativas que se montaram ao seu redor. Mesmo pilotando o foguete que era o MP4/23, Heikki terminou o campeonato apenas na sétima posição, com quase metade dos pontos de Lewis Hamilton. Era óbvia a intenção de Ron Dennis de ter um escudeiro para Lewis, mas foi por conta de performances mediocres por parte de Heikki que a McLaren perdeu o mundial de construtores ano passado. Martin Whitmarsh já disse que Kovalainen tem que melhorar sua performance se quiser permanecer no time, mas parece cada vez mais difícil.

Norbert Haug faz pressão há anos para que a McLaren tenha um piloto alemão em um de seus carros, e já é sabido que Nico Rosberg é quem tem as melhores chances, e nem o piloto nega que está interessado em um dos carros prateados, mas a Williams já disse que quer manter o filho do Keke. Correndo por trás, estão Sutil e o futuro desempregado Nick Heidfeld.

Renault: com o suposto escândalo do GP de Cingapura, o futuro da equipe está mais incerto do que já era, podendo ser usado por Carlos Ghosn como pretexto para acabar com a Renault F1 Team, pois além dos altos custos, a equipe não está andando na frente e a imagem negativa de “trapaceira” será terrivel para a montadora francesa, que já está sofrendo de quedas nas vendas.

Se a equipe permanecer na categoria, sua dupla de pilotos dependerá exclusivamente da dupla de pilotos da Ferrari. Será muito dificil a equpe manter Alonso nos seus carros, mas o espanhol não tem mais para onde ir se não para Maranello. Caso fique na Renault e se meu “achismo” de Kubica na Ferrari esteja completamente errado, é bem provável que ele vá para a Renault, seja ao lado de Alonso ou Grosjean. Resta saber se o polonês quer correr pela montadora francesa, considerando que ele já fez parte do programa de jovens talentos da equipe, mas acabou não passando na malha-fina (que ironia…).

Williams: a equipe de Grove terá dois novos pilotos em 2010. Pelo menos é o que tudo indica. A ida de Nico Rosberg para a McLaren é quase certa e com o fim do contrato de fornecimento de motores entre a equipe e a Toyota, é quase impossível que Kazuki Nakajima se mantenha no time. Nico Hülkenberg é nome quase certo, sendo apontado por Sam Michael como concorrente à vaga. O alemão é piloto de testes da equipe, tem como empresário Willi Weber (o mesmo de Michael Schumacher) é o atual lider na GP2, podendo conquistar o título já na próxima corrida. Para a outra vaga, são candidatos os experientes Nick Heidfeld (que já correu pela equipe) e Heikki Kovalainen.

Red Bull: o time de Milton Keynes já anunciou que irá manter sua dupla até o final de 2010. Vettel estará no time até 2011 e tem opção de extensão de contrato para 2012.

Toro Rosso: é esperado que a equipe irá manter seus dois novatos, Sebastien Buemi e Jaime Alguersuari. Devido ao programa de jovens talentos da Red Bull, eles não encontrarão ninguém mais experiente mesmo…

Brawn GP: Ross Brawn já disse que está feliz com sua dupla de pilotos e não vê motivos para trocá-los. Com patrocinadores assegurados, a equipe não precisará mais de pilotos pagantes pelos próximos anos, o que é um balde de água fria para quem quer ver Bruno Senna na equipe.

Toyota: Outra “fujona”, assim com a Renault. A Toyota tinha como meta este ano a primeira vitória, e a falha em cumprir este objetivo pode ser traduzida como encerramento das atividades. Confirmando sua presença no mundial do ano que vem, dificilmente a equipe manterá Jarno Trulli. Timo Glock expressou um desejo de permanecer no time, o que deve acontecer, porém seu companheiro não deverá estar à altura – com esta indecisão sobre a participação do time, fica dificil atrair um piloto de ponta, o que lhes forçaria a buscar uma solução caseira: Kamui Kobayashi ou Kazuki Nakajima.

Force India: os rumores de que Fisichella irá para Ferrari, trabalhando como piloto de testes, estão muito fortes. O piloto pode ir para a equipe rossa como pagamento de dívidas, e a solução caseira seria o piloto de testes Vitantonio Luizzi. Tudo vai depender de como a equipe vai manter o italiano veterano…

USF1: Nenhum outro time na Fórmula 1 tem tantos nomes na lista, exceto a Ferrari. A equipe que queria uma dupla de yankees parece ter acordado do sonho americano, e falam abertamente sobre um piloto europeu (e experiente). Não faltam candidatos para nenhuma vaga. Alexander Wurz e Anthony Davidson são bons candidatos para o papel de europeu experiente, enqunato Ryan Hunter-Reay, Alexander Rossi e Jonathan Summerton são os jovens americanos mais cotados para uma vaga.

Campos Meta: A equipe de Adrian Campos segue o mesmo modismo nacionalista de Ken Anderson e Peter Winsdor, querendo pilotos espanhóis em seus carros. Mas a diferença entre a equipe dele e a USF1 é que eles têm pilotos experientes para escolher. Pedro de la Rosa tem as melhores chances, seguido por Marc Gené. O segundo pode ser preterido por algum novato da GP2 com bastante dinheiro, como Vitaly Petrov. Bruno Senna teria chances? Talvez, pois dinheiro ele tem, mas um de seus patrocinadores pessoais, a Embratel, iria querer colocar seu piloto na equipe patrocinada pela Telefonica?

Manor Grand Prix: esta equipe é a grande incognita para o ano que vem. Sinceramente, não sei nem se estarão no grid em 2010, muito menos quem serão seus pilotos. Lucas di Grassi, Bruno Senna, Vitaly Petrov, Takuma Sato, Giorgio Pantano, e por que não, Nelson Ângelo Piquet? Ouvi uma teoria que faz sentido, onde os Piquets teriam aberto a boca sobre o GP de Cingapura com a garantia de que Piquet teria uma vaga na Manor, afinal, alguém tem dúvida que a Manor é mais um peão do Mosley e do Donelly?

E você, o que acha? Onde vão estar os pilotos em 2010? A seção de comentários é sua para opinar.