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Posts Tagged ‘Sebastian Vettel’

GP de Abu Dhabi – Estatísticas

Red Bull: final de temporada perfeito

Red Bull: final de temporada perfeito

A temporada acabou, então nada mais apropriado do que fazer uma atualização dos números da categoria. Com qual piloto a carreira de Lewis Hamilton coincide? Quantos pilotos japoneses já marcaram pontos na Fórmula 1? E quais outros Grandes Prêmios não foram realizados sob o nome de seu país?
Leia mais e descubra…

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GP de Abu Dhabi – Corrida? Que corrida?

O post vem com um atraso de dois dias, mas não faz mal – a demora é só para seguir no (lento) ritmo da corrida em Yas Marina.

Vettel: quinta vitória na carreira

Vettel: quinta vitória na carreira

Na verdade eu mal vi o “desfile”. Tinha ido ao centro da cidade buscar minha namorada às 10h30min. Demos sorte com o ônibus, mas minha casa fica a longínquos 35 minutos do centro. Resultado: perdi as duas primeiras voltas.

Perguntei a ela se ela queria mesmo assistir àquilo – eu sei que ela não acha interessante -, e ela disse que sim. Admiro a benevolência dela em se dispor a me acompanhar durante 1 hora e 40 minutos, vendo “carros dando voltas em uma pista”, como ela diz. Geralmente discordo dessa afirmação – “não são voltas, são corridas!” – mas dessa vez não tinha como discordar… foram apenas voltas.

Entre uma conversa e outra, uma olhada para a TV… e nada de interessante. Me voltava a ela, conversava mais um pouco, perdia umas duas voltas em um beijo, e olhava para a TV de novo… nada de interessante. Apenas Vettel se aproximava de Hamilton com o passar das voltas, indicando uma possível ultrapassagem nos boxes.

Parei para explicar a situação a ela, detalhe por detalhe, e por que Sebastian poderia sair na frente de Lewis, mas antes que tudo pudesse se comprovar, Whitmarsh manda Hamilton recolher seu carro para a garagem, com problemas nos freios.

– Feitooo! – eu disse.
– Pára de gritar no meu ouvido! – foi a resposta que tive. E voltei minha atenção a ela…

Eis que surge meu gato, chamando nossa atenção. Pulou no nosso colo, se contorceu, implorou por um cafuné. Era tudo o que eu precisava para não prestar atenção em mais nada do que acontecia em Yas Marina.

Esporadicamente, ouvia os berros de nosso locutor à mínima ação que acontecia em pista: Kobayashi realizando uma bela ultrapassagem em Button, mostrando a quê veio à Fórmula 1, e o pequeno duelo entre Webber e o campeão mundial – que foi absurdamente exaltado por Galvão Bueno, talvez até com um pouco de razão, considerando que a prova teve apenas três ultrapassagens…

E a isso se resumiu o GP de Abu Dhabi aos meus olhos: entre um cafuné e outro, uma conversa aleatória e outra, um beijo e outro, eu vi um arremedo de corrida em um lindo, imenso e chique kartódromo.

No fim a gente até esquece que o Vettel ganhou mais uma…

Resultado final:

Piloto Equipe Tempo
Sebastian Vettel Red Bull Renault 1:34:03.414
Mark Webber Red Bull Renault (+)17.8
Jenson Button Brawn Mercedes (+)18.4
Rubens Barrichello Brawn Mercedes (+)22.7
Nick Heidfeld BMW Sauber (+)26.2
Kamui Kobayashi Toyota (+)28.3
Jarno Trulli Toyota (+)34.3
Sebastien Buemi STR Ferrari (+)41.2
Nico Rosberg Williams Toyota (+)45.9
10º Robert Kubica BMW Sauber (+)48.1
11º Heikki Kovalainen McLaren Mercedes (+)52.7
12º Kimi Räikkönen Ferrari (+)54.3
13º Kazuki Nakajima Williams Toyota (+)59.8
14º Fernando Alonso Renault (+)69.6
15º Vitantonio Luizzi Force India Mercedes (+)94.4
16º Giancarlo Fisichella Ferrari (+)1 Lap
17º Adrian Sutil Force India Mercedes (+)1 Lap
18º Romain Grosjean Renault (+)1 Lap
19º Lewis Hamilton McLaren Mercedes Out
20º Jaime Alguersuari STR Ferrari Out
Piloto Equipe Tempo
Sebastian Vettel Red Bull Renault 1:34:03.414
Mark Webber Red Bull Renault (+)17.8
Jenson Button Brawn Mercedes (+)18.4
Rubens Barrichello Brawn Mercedes (+)22.7
Nick Heidfeld BMW Sauber (+)26.2
Kamui Kobayashi Toyota (+)28.3
Jarno Trulli Toyota (+)34.3
Sebastien Buemi STR Ferrari (+)41.2
Nico Rosberg Williams Toyota (+)45.9
10º Robert Kubica BMW Sauber (+)48.1
11º Heikki Kovalainen McLaren Mercedes (+)52.7
12º Kimi Räikkönen Ferrari (+)54.3
13º Kazuki Nakajima Williams Toyota (+)59.8
14º Fernando Alonso Renault (+)69.6
15º Vitantonio Luizzi Force India Mercedes (+)94.4
16º Giancarlo Fisichella Ferrari (+)1 Lap
17º Adrian Sutil Force India Mercedes (+)1 Lap
18º Romain Grosjean Renault (+)1 Lap
19º Lewis Hamilton McLaren Mercedes Out
20º Jaime Alguersuari STR Ferrari Out

GP de Abu Dhabi – mais um ‘palco’ para o ‘show’ (prévia)

Amanhã finalmente começa a ação na mais nova pista do calendário da Fórmula 1, o impressionante circuito de Yas Marina. Keith Collantine publicou em seu blog novas fotos da pista, e não foi surpresa ver que a maioria delas retratam o magnífico hotel no meio do autódromo ou as arquibancadas, enquanto poucas (se algumas) mostram novos ângulos do traçado.

Queremos ver o traçado ou um hotel que muda de cor?

Queremos ver um bom traçado ou um hotel que muda de cor?

A pista é, de fato, uma obra prima da engenharia e arquitetura. A ALDAR Properties, construtora líder nos Emirados Árabes Unidos, anunciou investimentos de mais de 72 bilhões de dolares nos próximos anos na ilha, visíveis na magnitude da estrutura, mas o layout da pista, o que realmente interessa, ainda é um típico Tilkedromo: chicane, reta pequena, hairpin, reta absurdamente longa, hairpin, reta absurdamente longa de novo, curvas quadradas, etc…

Porém, de todas as pistas do arquiteto alemão, esta parece que não será a pior, graças às “perfumarias” inéditas na categoria, como o hotel mega-luxuoso da foto que ilustra este post, ou a noite que cairá durante a corrida – pode não ser nada lógico do ponto de vista ambientalista, mas que será um espetáculo a parte, será!

Mas eu, infelizmente, não espero mais nada de Yas Marina além de ser mais um “palco” para o “show” da Fórmula 1 sedenta por entretenimento de massa. Espero que eu esteja errado…

Sendo uma pista nova, fica difícil prever um favorito, restando a nós basearmos nossos achismos em cima das performances relativas que presenciamos em pistas parecidas, mas o consenso geral é de que a McLaren (leia-se Lewis Hamilton) é franca favorita à vitória, com a Red Bull, Brawn e Ferrari (leia-se Kimi Räikkönen) disputando as outras posições mais altas.

Preste atenção durante a corrida em:

Red Bull: o time de Milton Keynes vem de duas vitórias seguidas, mas, apesar de serem configurações de pista totalmente diferentes, o RB5 deve vir forte também para Yas Marina – o quarto lugar de Vettel em Cingapura mostra que o carro também pode ser competitivo em pistas de curvas fechadas.

McLaren x Ferrari: dois gigantes do esporte relegados a disputar a terceira posição nos construtores. A equipe inglesa tem tudo para vencer os italianos nessa disputa: um carro mais desenvolvido, um ponto de vantagem na tabela e dois pilotos familiarizados com o carro.

O engraçado desta disputa é que a Ferrari já desistiu do campeonato faz tempo – o F60 foi abandonado em meados de julho, enquanto o MP4/24 foi desenvolvido até o final de setembro. Como se não bastasse, os rossos têm apenas um piloto (que vem fazendo um trabalho soberbo) desde o acidente de Massa na Hungria.

Agora imagine que este handicap para a Ferrari não existisse: com certeza os prateados só veriam a Ferrari quando eles parassem nos boxes, e provavelmente com o terceiro lugar garantido mesmo antes de Abu Dhabi.

Hamilton x Räikkönen: nem Button, nem Barrichello, nem Vettel e nem Webber. Os melhores deste ano foram, sem dúvidas, Hamilton e Räikkönen. Os dois mostraram diversas vezes do que verdadeiros campeões são feitos, mesmo com carros muito aquém de seus talentos. Carros estes que hoje nos possibilitam vê-los batalhando apenas pelo quinto lugar no campeonato. O inglês é favorito, tendo o finlandês de marcar dois pontos a mais que Hamilton para garantir esta posição à frente, que provavelmente garantirá também o terceiro lugar nos construtores de suas equipes.

Barrichello x Vettel: mesmo que o jovem alemão diga que “o segundo é o primeiro perdedor”, duvido que ele gostaria de perder esta para Barrichello. Com Button campeão, o time se volta inteiramente para selar um ano perfeito com Barrichello em segundo lugar, mas a visível decadência do BPG 001 pode atrapalhar os planos da equipe.

GP da Bélgica – Um Kimi Räikkönen como nós o conhecemos

Kimi rumo à vitória, perseguido constantemente por um surpreendente Giancarlo

Kimi rumo à vitória, perseguido constantemente por um surpreendente Giancarlo

Mais uma vez o GP da Bélgica provou por que é o mais adorado do calendário: sem dúvidas, a prova mais emocionante do ano. Com um grid bem incomum, era natural que algumas surpresas acontecessem. Rubens Barrichello, com um carro muito leve, deveria rasgar atrás dos carros à frente para assumir o terceiro ou segundo lugar, já que era inevitável a futura liderança de Kimi Räikkönen, mas essa previsão acabou não se tornando realidade, quando a Brawn de Rubens entra em anti-stall e o piloto brasileiro cai para último no grid. Parecia que o pior para Rubens tinha se tornado realidade. Kimi aproveitou bem o estacionamento de supermercado que existe na saída da La Source, ultrapassando Trulli e Heidfeld, para logo depois deixar Robert Kubica para trás e posicionar-se atrás de Fisichella. Enquanto isso, alguns pilotos se matavam mais atrás…

O novato Grosjean toca em Jenson Button, que roda a fica parado na caixa de brita, enquanto o outro novato, Jaime Alguersuari, se atrapalha e bate em Hamilton, que vai direto ao encontro da barreira de pneus. O resultado são quatro carros fora da prova e Safety Car na pista. Bom para Rubens, que pode parar para colocar mais combustível e pode correr toda a prova com pneus duros. Rubens estava em último, justamente atrás de Trulli, famoso por ser difícil de ultrapassar, e do Badoer, lento mas armado com KERS. E esse mesmo KERS foi de vital importância, mas para o carro número 4. Quando o Safety Car entrou nos boxes, Fisichella não conseguiu despistar Kimi. O finlandês esboçou um ataque mesmo na freada da La Source, mas com toda sua frieza ele viu que a melhor chance era na Les Combes. Descendo até a Eau Rouge descarregando as baterias do sistema, Raikkonen manteve-se muito perto de Fisico, andando no vácuo da Force India por toda a Eau Rouge e apontando para o lado do italiano na curva Kemmel, pelo lado de fora – foi inevitável. A Ferrari saiu com muito mais velocidade na reta que leva à Les Combes. Kimi assumiu a liderança e parecia que dominaria a prova, como fez em 2007. Mas Fisichella mostrou que não era apenas uma carga leve de combustível que lhe deu a pole position ontem.

Enquanto isso, Rubens Barrichello retomava posições, ultrapassando Jarno Trulli, que estava com problemas nos setores 1 e 3, justo os melhores para se ultrapassar, e Luca Badoer, que não apresentou muita ameaça. Por um tempo, logo depois das primeiras voltas, a corrida ficou entediante, sem nada acontecendo. Kimi abriu perto de dois segundos de vantagem, mas Fisico manteve-se no encalço do finlandês, não deixando-o fugir muito. A briga pela vitória foi, desde o início, somente dos dois, pois Kubica ficava cada vez mais atrás. Parando juntos, nenhum dos pilotos teve vantagem sobre o outro, deixando tudo para se resolver na pista, e Kimi ainda teve sua parada atrapalhada pelo transito de carros que passavam pelo box da Ferrari no momento da saída do finlandês, sendo segurado pelo mecânico até que o caminho estivesse livre. E isto foi exatamente o que o mecânico da Red Bull não se preocupou em fazer na hora de liberar Mark Webber. O australiano saiu na cara de Nick Heidfeld, e por muito pouco não houve um toque dentro dos boxes, o que resultou em um drive through para Mark. Rubens agradeceu.

Ao fim, todas as atenções se voltavam para o trio da frente, Kimi, Fisico e Vettel. Enquanto os dois da frente estavam rigorosamente iguais em questão de tempos, Vettel vinha voando atrás, descontando meio segundo por volta dos dois líderes, mas no fim, nada mudou: Fisico continuou pressionando Kimi até o fim e Vettel teve de se contentar com o terceiro lugar.

Dito isto, alguns pitacos individuais:

Kimi Räikkönen: um ano e 5 meses. Foi esse o tempo que Kimi ficou sem beber sua Mumm do lugar mais alto do pódio. Claramente, Räikkonen é o atual dono de Spa. Nenhum outro piloto guia através das colinas e florestas Ardenas com tanta autoridade como o finlandês. É sua quarta vitória aqui e quase foi a quinta. Os únicos pilotos que venceram mais vezes o mesmo número de vezes do que ele em Spa Francorchamps foram as maiores lendas de suas épocas: Jim Clark (com quatro vitórias), Ayrton Senna (com 5 vitórias) e Michael Schumacher (com 6 trunfos).

Kimi trouxe à Ferrari a tão sonhada e inesperada vitória em 2009, o que com certeza é um alívio para a equipe e para eu também, como fã tanto da Scuderia como do Iceman. Corrida perfeita de um Räikkönen como nós o conhecemos em seu início de carreira. Está de parabéns.

Giancarlo Fisichella: mas foi mesmo Kimi o nome da corrida? Não, com certeza não. Este foi Giancarlo Fisichella, que mostrou por que os veteranos ainda continuam guiando um Fórmula 1. Foi preciso durante toda a corrida, o que tem sido seu hábito desde que entrou na Force India, e manteve-se perto de Kimi o tempo todo, pressionando-o. O objetivo de Vijay para este ano – os primeiros pontos – finalmente foi alcançado depois de tanto “bater na trave”, e não poderia ter sido de um modo mais honroso: com um pódio. Tá, poderia ter sido melhor sim, pois a vitória estava a apenas 9 décimos de distância, mas o segundo lugar está ótimo. Foi um feito para não esquecermos.

Esperem mais da Force India este ano, mas não necessariamente com Giancarlo no cockpit – não seria surpresa se ele substituir o substituto na Ferrari.

Sebastian Vettel: largou mal, mas conseguiu se recuperar e saiu de um fraco 8º lugar para o degrau mais baixo do pódio. Vettel mostrou que o RB5 poderia andar bem em Spa sim, mas não era tão superior como todos imaginavam. Agora ele ultrapassou o companheiro de equipe na tabela e está a 3 pontos de Barrichello e 19 de Button. Sinceramente, duvido que seja campeão, ou mesmo que chegue em segundo lugar, mas continuará sendo uma pedra no sapato da Brawn.

Rubens Barrichello: largada péssima. Está na hora de averiguar se o problema do anti-stall é do carro ou se é erro de Barrichello mesmo. É a terceira vez que acontece esse ano, o que me leva a crer se Barrichello tem sua parcela de culpa nisso. Mas sua corrida de recuperação foi ótima, conseguindo algumas belas ultrapassagens na Les Combes e protagonizando o momento da prova: ultrapassou Mark Webber na Blanchimont por fora! Tem que tem muito “balls” para fazer isso! Creio que além de mim, muitos outros levantaram do sofá quando viram a ultrapassagem de Rubinho.

Mark Webber: vinha bem até ser penalizado com o drive through, o que eu acho uma injustiça. Não com Mark, mas com todos os que tomam punições iguais a essa, mas se a FIA já começou a punir os pilotos assim, que se mantenha assim então. Depois daquilo, praticamente sumiu na prova. Não pontua há duas corridas e suas chances de título estão cada vez mais improváveis.

BMW: do fundo do poço para um quarto e quinto lugares. Não que seja ótimo – era no mínimo a obrigação deles para esta temporada. Não será a redenção dos bávaros, mas dimiui um pouco a vergonha.

Spa Francorchamps: nenhuma outra pista este ano teve tantas ultrapassagens quanto em Spa. Era só ver como os carros se seguiam de perto pela Eau Rouge para perceber que as mudanças de regulamento técnico serviram para alguma coisa, mas o que não ajuda são as pistas! Abandonem os Tilkedromos e criam mais pistas como Spa já, onde mesmo sem chuva temos corridas emocionantes.

O campeonato continua aberto, mas Jenson Button agredece pelo sexto vencedor diferente nas últimas 6 corridas. Enquanto isso, aguardamos anciosamente o Grande Prêmio da Itália, no outro templo do automobilismo mindial…

Logo mais à tarde as estatísticas, e abaixo, o resultado da prova.

RESULTADO DA PROVA:

Driver Team Time
1st Kimi Räikkönen Ferrari 1:23:50.995
2nd Giancarlo Fisichella Force India Mercedes (+)0.9
3rd Sebastian Vettel Red Bull Renault (+)3.8
4th Robert Kubica BMW Sauber (+)9.9
5th Nick Heidfeld BMW Sauber (+)11.2
6th Heikki Kovalainen McLaren Mercedes (+)32.7
7th Rubens Barrichello Brawn Mercedes (+)35.4
8th Nico Rosberg Williams Toyota (+)36.2
9th Mark Webber Red Bull Renault (+)36.9
10th Timo Glock Toyota (+)41.4
11th Adrian Sutil Force India Mercedes (+)42.6
12th Sebastien Buemi STR Ferrari (+)46.1
13th Kazuki Nakajima Williams Toyota (+)54.2
14th Luca Badoer Ferrari (+)88.1
15th Fernando Alonso Renault Out
16th Jarno Trulli Toyota Out
17th Jenson Button Brawn Mercedes Out
18th Romain Grosjean Renault Out
19th Lewis Hamilton McLaren Mercedes Out
20th Jaime Alguersuari STR Ferrari Out

GP da Alemanha – O dia de Mark Webber

Primeiramente, peço desculpas por não postar nada nas últimas duas semanas. Alguns fatores pessoais me impediram, além de eu não ter vontade de escrever sobre o blá blá blá político entre a FIA e a FOTA. Mas finalmente tivemos uma corrida, o que já é motivo suficiente para se escrever.

Mark Webber

Mark Webber

Demorou, mas veio. Sete anos e 130 Grandes Prêmios depois, Mark Webber sobe à posição mais alta do pódio, num estilo dominante, como tem sido característico nesta temporada. A corrida já começou emocionante: uma boa largada por parte de Rubens Barrichello, que, com um carro muito mais leve, conseguiu pular na frente do australiano ainda antes da primeira curva. Talvez por excesso de arrojo, ou simples inexperiência ao largar na ponta do grid, Mark jogou o carro para cima de Rubens, tocando-o com o pneu traseiro-direito na lateral do carro do brasileiro. Uma manobra brusca e perigosa – Rubens teve tão pouco tempo de reação que não conseguiu evitar o leve toque. Caso o toque tivesse sido mais forte, os dois carros poderiam rodar, e, estando na frente de todos os outros, causaria um acidente em massa, com a possibilidade de interrupção da corrida. Punição merecida para o australiano – talvez ele pense duas vezes antes de ser tão agressivo em uma largada. Alguns questionaram a decisão dos comissários em punir o piloto, considerando que eles já deixaram varias manobras do tipo passar sem qualquer tipo de represália, mas já diz o velho ditado, “antes tarde do que nunca”, certo?

Pobre de Hamilton, que fez uma largada fantástica e teve um pneu furado, também num contato com Mark Webber, ao contrário do que o nosso queridíssimo e bem informado amigo Galvão Bueno pensou. Caiu para último e lá ficou.

Reparem no pneu achatado na McLaren de Lewis Hamilton

Reparem no pneu achatado na McLaren de Lewis Hamilton

A cada corrida, o KERS se mostra cada vez mais como um fracasso em seu objetivo, que era estimular ultrapassagens. Os únicos carros equipados com o equipamento, Ferrari e McLaren, fizeram bom uso da engenhoca, com ótimas largadas. Kovalainen se posicionou em terceiro e Massa em quarto, logo atrás de Vettel. O problema é que os carros da McLaren e Ferrari não são rapidos o suficiente, e ao invés de usar o KERS para fazer ultrapassagens, eles utilizaram-no para defender-se delas. Nesse cenário, Button se viu trancado atrás de Kovalainen após ultrapassar Massa, e Vettel ficou preso atrás do brasileiro, vendo suas já improváveis chances de vitória em casa escapando de suas mãos.

Mas enquanto eu condeno o KERS, Rubens Barrichello e Mark Webber deviam estar adorando a idéia, podendo abrir 1 segundo por volta para os demais e vendo o trenzinho liderado por Kovalainen sumir de seus retrovisores. A corrida parecia estar na mão dos dois… estava. Quando a punição para Webber veio, na volta 11, eu tinha mais certeza que seria decidido entre ele e Barrichello, salvo improbabilidades, como a chuva. Webber pagou sua punição no limite, na volta 14, no mesmo momento em que Rubinho entrou para fazer sua primeira parada, mas com apenas 6.6 segundos de combustível, meus medos se concretizaram: uma estratégia kamikaze de três paradas. Esta estratégia já se provou errada no Barhein e na Espanha com Barrichello, na Turquia com Vettel e estava para se provar errada naquele momento. Para piorar a situação, Barrichello voltou atrás da lenta Ferrari de Felipe Massa, fazendo o veterano perder 1 segundo por volta em relação a Webber. Seria o desastre se ele se mantesse ali, e foi. Massa era um dos carros mais pesados do grid, e seu longo stint de 25 voltas no início da corrida significou o fim da corrida para Barrichello. Webber pode construir uma liderança confortável em cima de Rubinho, aproveitando ao máximo o desempenho de seu magnífico RB5, que era tão superior que Mark foi capaz de se aproximar de Rubinho depois de sua parada.

A partir daí, a corrida foi monótona. O vencedor já estava certo se as condições climáticas se mantessem estáveis, e assim foi. Bom, vamos aos destaques:

Mark Webber: dominante, preciso, consistente. Uma performance perfeita por parte do australiano. Após 130 corridas, Mark Webber se tornou o piloto que mais corridas demorou para chegar em primeiro lugar, tomando o lugar de Barrichello nesta estatística. Um vitória pessoal também, considerando sua fratura na perna no fim do ano passado.

Felipe Massa: arrastou sua pífia Ferrari para o degrau mais baixo do pódio, sua melhor classificação em corridas neste ano, igualando o feito de seu companheiro de equipe. Uma ótima largada, com uma ajudinha do KERS, e um desempenho consistente asseguram-lhe o terceiro lugar. Está de parabéns.

Nico Rosberg: uma acensão magnífica do 15º lugar do grid para o 4º ao final da corrida. Completamente despercebido, mal aparecendo durante a transimissão, Nico soube aproveitar seu longo primeiro stint para ganhar diversas posições. Provavelmente estará numa merecida mudança de equipe ano que vem, com rumores relatando a McLaren ou BMW como sua possível nova casa.

Adrian Sutil: levei as mãos à cabeça quando o rapaz quebrou a asa no toque com Kimi Räikkönen. Estava torcendo muito pelos primeiros pontos da Force India. Já é a terceira vez que Sutil perde esta oportunidade, mais por falta de sorte do que por falta de habilidade. Mas não vai demorar muito para os primeiros, podem ter certeza.

Fernando Alonso: o espanhol levou seu paralelepípedo amarelo para um modestíssimo sétimo lugar, mas sem antes colocar voltas incríveis, marcando a volta mais rápida da prova, sua primeira desde o GP da Itália de 2007.

Sebastian Vettel: um dos meus pilotos preferidos, mas não por isso vou defendê-lo sempre… apesar de um segundo lugar, teve performance apagada. Foi totalmente dominado pelo companheiro de equipe e foi incapaz de ultrapassar Felipe Massa quando foi necessário. Inexperiência somada à pressão e brilhantismo resulta nisso: performances magnificas em uma corrida, medíocres em outra. Está na hora do guri abrir o olho.

Brawn GP: será que Ross Brawn esqueceu a genialidade em casa? Alguém consegue me explicar a lógica dessas estratégias kamikazes de três paradas? Não seria melhor garantir um terceiro e quarto lugares do que arriscar tudo? Melhor um passaro na mão do que dois voando, né…

Rubens Barrichello: gosto dele, acho ele um ótimo piloto e que é sempre motivo de piadas injustas, porém sempre achei ele muito chorão. Mas dessa vez foi demais. Ele realmente perdeu muito tempo voltando atrás do Massa (a equipe poderia ter colocado menos combustível) e o problema com a mangueira de reabastecimento foi cruel, mas ele perdeu no máximo um pódio, pois a corrida já tinha dono. E não era ele. Só por que teve contratempos, não quer dizer que ganharia. Apenas corra Rubinho, se der errado, fique quieto…

Nürburgring: sim, a própria pista. Não lembro quando foi a ultima vez que eu vi cinco pilotos terminando a corrida com menos de 2 segundos de diferença entre eles. Não é a melhor pista do mundo (diria até que é uma ofensa ela dividir o mesmo nome com o monstro Nürburgring Nordshleife), mas se tornou bem mais atraente do que Hockenheimring, depois do assassinato que Hermann Tilke fez com a pista em 2002.

Termino aqui meu longo post sobre a corrida, lembrando da melhor cena da corrida: Mark Webber beijando seu carro, dentro do parc freme. Fazia tempo que não viamos um piloto tão feliz após vencer uma corrida. Parabéns Mark!

Logo mais, trago à vocês os fatos os sobre a corrida.

E a chama campeonato reacende! Que venha o GP da Hungria!
Guilherme