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Posts Tagged ‘Rubens Barrichello’

Senna, o maior da história

Ao menos é isso que foi apurado em uma votação realizada entre 217 pilotos e ex-pilotos de Fórmula 1 pela revista inglesa Autosport, que elegeu os 76 melhores pilotos da história e foi publicada no mini-site The Greatest Drivers.

The greatest ever...

Não, não eram quaisquer 217 pilotos – somados, eles dividem 9194 Grandes Prêmios e 270 vitórias (interessante é que um terço desse total pertence a uma pessoa…) – mas, infelizmente, a lista apresenta, principalmente em suas posições mais baixas, claras tendencias nacionalistas e votos-piada.

Considerando que o critério utilizado era que cada piloto iria eleger seus 10 preferidos e julgá-los com as notas 10-9-8-7-6-5-4-3-2-1, sendo proibido um ‘eleitor’ dar a mesma nota para dois pilotos diferentes, apenas alguma meia duzia de décimas posições colocaria um piloto x entre os “76 melhores”.

E se os japoneses que votaram combinaram todos de votar em seus companheiros, mesmo que seja no finzinho da lista, apenas para fazer pontos? Pois não parece uma suposição absurda quando se percebe que Kazuki Nakajima ficou empatado com vários outros pilotos em 76º e que Aguri Suzuki ficou em 63º.

A ausência de Rubens Barrichello, vencedor de 11 Grandes Prêmios e duas vezes vice-campeão mundial, é inaceitável, ainda mais se considerarmos quem entrou na lista…

Abaixo, a lista e seus devidos comentários:

76=: Peter Collins, Luigi Villoresi, Mark Webber, Mike Hailwood, Pedro Rodriguez, Eddie Irvine, Andrea De Cesaris e Kazuki Nakajima. (Quem colocaria Kazuki no mesmo patamar de Webber?! E pra piorar, na frente do Rubens?!)
75: Pedro Lamy (Pra piorar mais ainda, quem colocaria Pedro Lamy na frente dos acima mencionados?!!)
74: Vitantonio Liuzzi (Não deveria estar na lista)
73: Harry Schell
72: Stefano Modena
71: Carlos Pace
70: Wolfgang von Trips (Aquele que só não foi campeão mundial em 1961 por que morreu em um acidente do qual não teve culpa, atrás de Johnny Herbert…?)
69: Maurice Trintignant
68: Hans Herrmann
67: Derek Warwick
66: Johnny Herbert (no máximo o 100º melhor da história)
65: Jean-Pierre Beltoise
64: Chris Amon
63: Aguri Suzuki (Sem dúvida, voto combinado entre os japoneses)
62: Denny Hulme
61: Bruce McLaren
60: Tom Pryce
59: Felipe Massa (Parece desproporcional que o homem que brigou com Lewis e Kimi por dois anos esteja tão atrás deles na lista)
58: Jo Siffert
57: Alex Zanardi (Boa carreira na ChampCar, mas nunca fez nada na F1)
56: Tony Maggs
55: Henri Pescarolo (Quem?!)
54: Mike Hawthorn
53: Elio De Angelis
52: Tony Brooks
51: Juan Pablo Montoya
50: Michele Alboreto
49: Jacques Laffite
48: Lorenzo Bandini
47: Jody Scheckter (Jody Scheckter em 47º e Gilles Villeneuve em 10º não faz o mínimo sentido)
46: Piero Taruffi (Novamente, quem?!)
45: Damon Hill (Está certo que 90% da performance de Damon era devido ao seus carros, mas 45º está baixo demais)
44: Didier Pironi
43: Robert Kubica (Na frente do Felipe Massa?! Por qual motivo? Kubica tem potêncial, mas ainda é muito novo para ser um dos “melhores da história”)
42: Jean Alesi
41: Jacques Villeneuve
40: Jacky Ickx
39: Riccardo Patrese (Patrese em 39º, Barrichello fora da lista – não há lógica)
38: Jean Behra
37: Gerhard Berger (Igualmente, não foi melhor que Barrichello)
36: Clay Regazzoni
35: Stefan Bellof (Pode um piloto com 20 GPs e tendo na quarta posição seu melhor resultado ser classificado com 35º melhor da história?)
34: Carlos Reutemann
33: Phil Hill
32: Giuseppe Farina
31: Alan Jones
30: Jenson Button (Oh, hype pós-título!)
29: Francois Cervert
28: Dan Gurney
27: José Froilan Gonzalez
26: Sebastian Vettel (Vettel tem todos os motivos para não estar nesta posição, sem contar que sua diminuta carreira ainda é impassível de classificação. Daqui a 10 anos poderemos jugá-lo, quem sabe até mais alto que 26º)
25: Keke Rosberg
24: James Hunt
23: John Surtees
22: Kimi Raikkonen (Kimi atrás de Mario Andretti?!)
21: Graham Hill (Hill atrás de Mario Andretti?! Duas vezes campão mundial, vencedor da Indy 500 e das 24 Horas de Le Mans – esqueceram-se disso?)
20: Mario Andretti (Andretti na frente de Räikkönen e Hill?! Parece que se esqueceram que ele ganhou seu título no Lotus 79, o primeiro “carro-asa” da história – logo, anos-luz à frente da competição)
19: Ronnie Petterson
18: Jack Brabham
17: Lewis Hamilton (Muito, mas muito “over-rated”. 35º no máximo para quem está no início de carreira)
16: Alberto Ascari
15: Mika Hakkinen
14: Jochen Rindt
13: Nelson Piquet (Deveria estar, na mina opinião, a frente dos quatro seguintes)
12: Emerson Fittipaldi (Emmo também foi muito melhor que Gilles Villeneuve)
11: Nigel Mansell
10: Gilles Villeneuve (Um louco lutador e sem medo, certamente um “cult-hero” da F1, mas não deveria estar entre os 10 melhores)
9: Fernando Alonso (deveria estar uma posição atrás, cedendo lugar ao Piquet)
8: Sir Stirling Moss
7: Niki Lauda
6: Sir Jackie Stewart
5: Jim Clark
4: Alain Prost
3: Juan Manuel Fangio
2: Michael Schumacher
1: Ayrton Senna

As oito primeiras posições foram muito bem escolhidas, mas de lá para trás, o “bias” correu solto. A Autosport é uma revista muito conceituada e sua proposta de votação foi inovadora, mas deveriam ter estabelecido um critério, como de que apenas pilotos com no mínimo uma vitória na carreira poderiam ser eleitos – isso certamente tornaria a lista mais aceitável.

É isso que acontece quando se tem muita liberdade de interpretação, ainda mais quando o assunto é “o melhor de todos os tempos”…

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GP de Abu Dhabi – mais um ‘palco’ para o ‘show’ (prévia)

Amanhã finalmente começa a ação na mais nova pista do calendário da Fórmula 1, o impressionante circuito de Yas Marina. Keith Collantine publicou em seu blog novas fotos da pista, e não foi surpresa ver que a maioria delas retratam o magnífico hotel no meio do autódromo ou as arquibancadas, enquanto poucas (se algumas) mostram novos ângulos do traçado.

Queremos ver o traçado ou um hotel que muda de cor?

Queremos ver um bom traçado ou um hotel que muda de cor?

A pista é, de fato, uma obra prima da engenharia e arquitetura. A ALDAR Properties, construtora líder nos Emirados Árabes Unidos, anunciou investimentos de mais de 72 bilhões de dolares nos próximos anos na ilha, visíveis na magnitude da estrutura, mas o layout da pista, o que realmente interessa, ainda é um típico Tilkedromo: chicane, reta pequena, hairpin, reta absurdamente longa, hairpin, reta absurdamente longa de novo, curvas quadradas, etc…

Porém, de todas as pistas do arquiteto alemão, esta parece que não será a pior, graças às “perfumarias” inéditas na categoria, como o hotel mega-luxuoso da foto que ilustra este post, ou a noite que cairá durante a corrida – pode não ser nada lógico do ponto de vista ambientalista, mas que será um espetáculo a parte, será!

Mas eu, infelizmente, não espero mais nada de Yas Marina além de ser mais um “palco” para o “show” da Fórmula 1 sedenta por entretenimento de massa. Espero que eu esteja errado…

Sendo uma pista nova, fica difícil prever um favorito, restando a nós basearmos nossos achismos em cima das performances relativas que presenciamos em pistas parecidas, mas o consenso geral é de que a McLaren (leia-se Lewis Hamilton) é franca favorita à vitória, com a Red Bull, Brawn e Ferrari (leia-se Kimi Räikkönen) disputando as outras posições mais altas.

Preste atenção durante a corrida em:

Red Bull: o time de Milton Keynes vem de duas vitórias seguidas, mas, apesar de serem configurações de pista totalmente diferentes, o RB5 deve vir forte também para Yas Marina – o quarto lugar de Vettel em Cingapura mostra que o carro também pode ser competitivo em pistas de curvas fechadas.

McLaren x Ferrari: dois gigantes do esporte relegados a disputar a terceira posição nos construtores. A equipe inglesa tem tudo para vencer os italianos nessa disputa: um carro mais desenvolvido, um ponto de vantagem na tabela e dois pilotos familiarizados com o carro.

O engraçado desta disputa é que a Ferrari já desistiu do campeonato faz tempo – o F60 foi abandonado em meados de julho, enquanto o MP4/24 foi desenvolvido até o final de setembro. Como se não bastasse, os rossos têm apenas um piloto (que vem fazendo um trabalho soberbo) desde o acidente de Massa na Hungria.

Agora imagine que este handicap para a Ferrari não existisse: com certeza os prateados só veriam a Ferrari quando eles parassem nos boxes, e provavelmente com o terceiro lugar garantido mesmo antes de Abu Dhabi.

Hamilton x Räikkönen: nem Button, nem Barrichello, nem Vettel e nem Webber. Os melhores deste ano foram, sem dúvidas, Hamilton e Räikkönen. Os dois mostraram diversas vezes do que verdadeiros campeões são feitos, mesmo com carros muito aquém de seus talentos. Carros estes que hoje nos possibilitam vê-los batalhando apenas pelo quinto lugar no campeonato. O inglês é favorito, tendo o finlandês de marcar dois pontos a mais que Hamilton para garantir esta posição à frente, que provavelmente garantirá também o terceiro lugar nos construtores de suas equipes.

Barrichello x Vettel: mesmo que o jovem alemão diga que “o segundo é o primeiro perdedor”, duvido que ele gostaria de perder esta para Barrichello. Com Button campeão, o time se volta inteiramente para selar um ano perfeito com Barrichello em segundo lugar, mas a visível decadência do BPG 001 pode atrapalhar os planos da equipe.

GP do Brasil – arrojo e ‘sorte de campeão’ asseguraram o título a Jenson

A corrida em Interlagos, como sempre, foi uma caixinha de surpresas. Apesar da probabilidade de 80% de chuva na região do autódromo paulista, não caiu uma gota sequer, facilitando a vida de Mark Webber para conquistar a segunda vitória em sua carreira. Contudo, quem tem mesmo motivos para sorrir é Jenson Alexander Lyons Button.

Massa dá a bandeirada para um novo campeão

Massa dá a bandeirada para um novo campeão

Um mix de sorte e competência marcou esta corrida do mais novo campeão mundial. Os acidentes de Kimi Räikkönen, Adrian Sutil, Jarno Trulli e Fernando Alonso renderam-lhe quatro posições “de graça” logo na primeira volta, somada à posição de Jaime Alguersuari que conquistou em pista. Somados todos os fatos, Jenson foi catapultado à nona posição antes do final da primeira volta.

A partir daí, Button foi ótimo. Apesar de ficar trancado pelo impressionante Kamui Kobayashi durante algumas voltas, Jenson conseguiu ultrapassagens essenciais e permaneceu dentro do limite necessário para levar o título para casa ainda em São Paulo.

Mas sorte não faltou ao jovem inglês – Vettel largou muito atrás para fazer qualquer ameaça e Rubens teve o pior dos azares com seus jogos de pneus. Seu segundo jogo de pneus médios pareceu não render tanto quanto o primeiro, mesmo quando o carro ficou mais leve. Não bastasse isso, Lewis Hamilton pressionou o brasileiro durante mais da metade do seu segundo stint. E como tudo que está ruim pode piorar, Rubens sofre um furo em um de seus pneus dianteiros, obrigando-o a fazer uma nova parada. O pódio do brasileiro se converteu em um oitavo lugar, e automaticamente no título do seu companheiro de equipe.

Destaques

Mark Webber: enquanto os outros se matavam lá na atrás, Webber caminhou tranquilo para sua segunda vitória. Assim como na Alemanha, Webbo foi rápido e preciso, abrindo vantagem suficiente para voltar de sua segunda parada à frente de Robert Kubica. Pena que sua reação no campeonato demorou demais…

Robert Kubica: primeiro pódio do ano para o polonês. Largando em oitavo, contou com o arranca-rabo de três pilotos à sua frente, mas ainda assim fez uma corrida bem sólida.

Kamui Kobayashi: meu guri! Segurou o campeão Button durante várias voltas e deu um lindo X no inglês, mostrando que é arrojado e tem velocidade. Talvez seja melhor salientar que esta é a primeira experiência de pista seca do rapaz em no bólido da Toyota. Uns dirão que ele pilotou em condições normais durante os testes da pré-temporada, mas o carro evoluiu demais desde então. Não há comparação. Que fique na Fórmula 1!

Sebastian Vettel: novamente, o baby Schumi mostrou que não sabe mesmo ultrapassar. Vai demorar quanto pra aprender?

Romain Grosjean: não acho adjetivos para descrever a corrida deste rapaz. Então eu vou com o mais próximo: terrível! Não consegui contar, mas acho que em apenas uma volta ele tomou três ultrapassagens, mais ou menos. Ficar com o Piquetzinho no time não era uma má idéia…

Brawn GP: Último, mas não menos importante. Se desse para escrever a história da equipe em um livro, ele seria popular na seção de contos da fadas, pois pela primeira vez na história, um time estreante é campeão de construtores! Está certo, com muitos yens da Honda, mas eles ganharam o título…

RESULTADO FINAL:

Piloto Equipe Tempo
Mark Webber Red Bull Renault 1:32:23.081
Robert Kubica BMW Sauber (+)7.6
Lewis Hamilton McLaren Mercedes (+)18.9
Sebastian Vettel Red Bull Renault (+)19.6
Jenson Button Brawn Mercedes (+)29.0
Kimi Räikkönen Ferrari (+)33.3
Sebastien Buemi STR Ferrari (+)35.9
Rubens Barrichello Brawn Mercedes (+)45.4
Kamui Kobayashi Toyota (+)63.3
10º Giancarlo Fisichella Ferrari (+)70.6
11º Vitantonio Liuzzi Force India Mercedes (+)71.3
12º Heikki Kovalainen McLaren Mercedes (+)73.4
13º Romain Grosjean Renault (+)1 Volta
14º Jaime Alguersuari STR Ferrari (+)1 Volta
15º Kazuki Nakajima Williams Toyota DNF
16º Nico Rosberg Williams Toyota DNF
17º Nick Heidfeld BMW Sauber DNF
18º Adrian Sutil Force India Mercedes DNF
19º Jarno Trulli Toyota DNF
20º Fernando Alonso Renault DNF

GP da Bélgica – Um Kimi Räikkönen como nós o conhecemos

Kimi rumo à vitória, perseguido constantemente por um surpreendente Giancarlo

Kimi rumo à vitória, perseguido constantemente por um surpreendente Giancarlo

Mais uma vez o GP da Bélgica provou por que é o mais adorado do calendário: sem dúvidas, a prova mais emocionante do ano. Com um grid bem incomum, era natural que algumas surpresas acontecessem. Rubens Barrichello, com um carro muito leve, deveria rasgar atrás dos carros à frente para assumir o terceiro ou segundo lugar, já que era inevitável a futura liderança de Kimi Räikkönen, mas essa previsão acabou não se tornando realidade, quando a Brawn de Rubens entra em anti-stall e o piloto brasileiro cai para último no grid. Parecia que o pior para Rubens tinha se tornado realidade. Kimi aproveitou bem o estacionamento de supermercado que existe na saída da La Source, ultrapassando Trulli e Heidfeld, para logo depois deixar Robert Kubica para trás e posicionar-se atrás de Fisichella. Enquanto isso, alguns pilotos se matavam mais atrás…

O novato Grosjean toca em Jenson Button, que roda a fica parado na caixa de brita, enquanto o outro novato, Jaime Alguersuari, se atrapalha e bate em Hamilton, que vai direto ao encontro da barreira de pneus. O resultado são quatro carros fora da prova e Safety Car na pista. Bom para Rubens, que pode parar para colocar mais combustível e pode correr toda a prova com pneus duros. Rubens estava em último, justamente atrás de Trulli, famoso por ser difícil de ultrapassar, e do Badoer, lento mas armado com KERS. E esse mesmo KERS foi de vital importância, mas para o carro número 4. Quando o Safety Car entrou nos boxes, Fisichella não conseguiu despistar Kimi. O finlandês esboçou um ataque mesmo na freada da La Source, mas com toda sua frieza ele viu que a melhor chance era na Les Combes. Descendo até a Eau Rouge descarregando as baterias do sistema, Raikkonen manteve-se muito perto de Fisico, andando no vácuo da Force India por toda a Eau Rouge e apontando para o lado do italiano na curva Kemmel, pelo lado de fora – foi inevitável. A Ferrari saiu com muito mais velocidade na reta que leva à Les Combes. Kimi assumiu a liderança e parecia que dominaria a prova, como fez em 2007. Mas Fisichella mostrou que não era apenas uma carga leve de combustível que lhe deu a pole position ontem.

Enquanto isso, Rubens Barrichello retomava posições, ultrapassando Jarno Trulli, que estava com problemas nos setores 1 e 3, justo os melhores para se ultrapassar, e Luca Badoer, que não apresentou muita ameaça. Por um tempo, logo depois das primeiras voltas, a corrida ficou entediante, sem nada acontecendo. Kimi abriu perto de dois segundos de vantagem, mas Fisico manteve-se no encalço do finlandês, não deixando-o fugir muito. A briga pela vitória foi, desde o início, somente dos dois, pois Kubica ficava cada vez mais atrás. Parando juntos, nenhum dos pilotos teve vantagem sobre o outro, deixando tudo para se resolver na pista, e Kimi ainda teve sua parada atrapalhada pelo transito de carros que passavam pelo box da Ferrari no momento da saída do finlandês, sendo segurado pelo mecânico até que o caminho estivesse livre. E isto foi exatamente o que o mecânico da Red Bull não se preocupou em fazer na hora de liberar Mark Webber. O australiano saiu na cara de Nick Heidfeld, e por muito pouco não houve um toque dentro dos boxes, o que resultou em um drive through para Mark. Rubens agradeceu.

Ao fim, todas as atenções se voltavam para o trio da frente, Kimi, Fisico e Vettel. Enquanto os dois da frente estavam rigorosamente iguais em questão de tempos, Vettel vinha voando atrás, descontando meio segundo por volta dos dois líderes, mas no fim, nada mudou: Fisico continuou pressionando Kimi até o fim e Vettel teve de se contentar com o terceiro lugar.

Dito isto, alguns pitacos individuais:

Kimi Räikkönen: um ano e 5 meses. Foi esse o tempo que Kimi ficou sem beber sua Mumm do lugar mais alto do pódio. Claramente, Räikkonen é o atual dono de Spa. Nenhum outro piloto guia através das colinas e florestas Ardenas com tanta autoridade como o finlandês. É sua quarta vitória aqui e quase foi a quinta. Os únicos pilotos que venceram mais vezes o mesmo número de vezes do que ele em Spa Francorchamps foram as maiores lendas de suas épocas: Jim Clark (com quatro vitórias), Ayrton Senna (com 5 vitórias) e Michael Schumacher (com 6 trunfos).

Kimi trouxe à Ferrari a tão sonhada e inesperada vitória em 2009, o que com certeza é um alívio para a equipe e para eu também, como fã tanto da Scuderia como do Iceman. Corrida perfeita de um Räikkönen como nós o conhecemos em seu início de carreira. Está de parabéns.

Giancarlo Fisichella: mas foi mesmo Kimi o nome da corrida? Não, com certeza não. Este foi Giancarlo Fisichella, que mostrou por que os veteranos ainda continuam guiando um Fórmula 1. Foi preciso durante toda a corrida, o que tem sido seu hábito desde que entrou na Force India, e manteve-se perto de Kimi o tempo todo, pressionando-o. O objetivo de Vijay para este ano – os primeiros pontos – finalmente foi alcançado depois de tanto “bater na trave”, e não poderia ter sido de um modo mais honroso: com um pódio. Tá, poderia ter sido melhor sim, pois a vitória estava a apenas 9 décimos de distância, mas o segundo lugar está ótimo. Foi um feito para não esquecermos.

Esperem mais da Force India este ano, mas não necessariamente com Giancarlo no cockpit – não seria surpresa se ele substituir o substituto na Ferrari.

Sebastian Vettel: largou mal, mas conseguiu se recuperar e saiu de um fraco 8º lugar para o degrau mais baixo do pódio. Vettel mostrou que o RB5 poderia andar bem em Spa sim, mas não era tão superior como todos imaginavam. Agora ele ultrapassou o companheiro de equipe na tabela e está a 3 pontos de Barrichello e 19 de Button. Sinceramente, duvido que seja campeão, ou mesmo que chegue em segundo lugar, mas continuará sendo uma pedra no sapato da Brawn.

Rubens Barrichello: largada péssima. Está na hora de averiguar se o problema do anti-stall é do carro ou se é erro de Barrichello mesmo. É a terceira vez que acontece esse ano, o que me leva a crer se Barrichello tem sua parcela de culpa nisso. Mas sua corrida de recuperação foi ótima, conseguindo algumas belas ultrapassagens na Les Combes e protagonizando o momento da prova: ultrapassou Mark Webber na Blanchimont por fora! Tem que tem muito “balls” para fazer isso! Creio que além de mim, muitos outros levantaram do sofá quando viram a ultrapassagem de Rubinho.

Mark Webber: vinha bem até ser penalizado com o drive through, o que eu acho uma injustiça. Não com Mark, mas com todos os que tomam punições iguais a essa, mas se a FIA já começou a punir os pilotos assim, que se mantenha assim então. Depois daquilo, praticamente sumiu na prova. Não pontua há duas corridas e suas chances de título estão cada vez mais improváveis.

BMW: do fundo do poço para um quarto e quinto lugares. Não que seja ótimo – era no mínimo a obrigação deles para esta temporada. Não será a redenção dos bávaros, mas dimiui um pouco a vergonha.

Spa Francorchamps: nenhuma outra pista este ano teve tantas ultrapassagens quanto em Spa. Era só ver como os carros se seguiam de perto pela Eau Rouge para perceber que as mudanças de regulamento técnico serviram para alguma coisa, mas o que não ajuda são as pistas! Abandonem os Tilkedromos e criam mais pistas como Spa já, onde mesmo sem chuva temos corridas emocionantes.

O campeonato continua aberto, mas Jenson Button agredece pelo sexto vencedor diferente nas últimas 6 corridas. Enquanto isso, aguardamos anciosamente o Grande Prêmio da Itália, no outro templo do automobilismo mindial…

Logo mais à tarde as estatísticas, e abaixo, o resultado da prova.

RESULTADO DA PROVA:

Driver Team Time
1st Kimi Räikkönen Ferrari 1:23:50.995
2nd Giancarlo Fisichella Force India Mercedes (+)0.9
3rd Sebastian Vettel Red Bull Renault (+)3.8
4th Robert Kubica BMW Sauber (+)9.9
5th Nick Heidfeld BMW Sauber (+)11.2
6th Heikki Kovalainen McLaren Mercedes (+)32.7
7th Rubens Barrichello Brawn Mercedes (+)35.4
8th Nico Rosberg Williams Toyota (+)36.2
9th Mark Webber Red Bull Renault (+)36.9
10th Timo Glock Toyota (+)41.4
11th Adrian Sutil Force India Mercedes (+)42.6
12th Sebastien Buemi STR Ferrari (+)46.1
13th Kazuki Nakajima Williams Toyota (+)54.2
14th Luca Badoer Ferrari (+)88.1
15th Fernando Alonso Renault Out
16th Jarno Trulli Toyota Out
17th Jenson Button Brawn Mercedes Out
18th Romain Grosjean Renault Out
19th Lewis Hamilton McLaren Mercedes Out
20th Jaime Alguersuari STR Ferrari Out

GP da Bélgica – Classificação: A volta dos veteranos

Pole de Giancarlo: um feito que ficará gravado na história

Pole de Giancarlo: um feito que ficará gravado na história

A pista de Spa-Francorchamps, além de ler linda e mística, destaca-se por nos proporcionar com emoções verdadeiras e surpresas, justamente o que não acontece nos Tilkedromos e outras pistas de autorama no calendário da F1. Toyota, que impressionou no início do ano, mas depois entrou num declive de performance vertiginoso e a BMW, a vergonha do ano no grid, andaram num ritmo forte o tempo todo, e as gigantes de um tempo atrás, Red Bull, McLaren, Brawn e Ferrari deixaram a desejar. A McLaren, que amedrontou os interessados na terceira posição do campeonato de construtores, andou apagada. Ninguém esperava muito, pois teoricamente o MP4/24 não se adapta às curvas rápidas do circuito belga. A Red Bull, maior favorita, considerada como o benchmark da prova, andou como andava ano passado – bem meia-boca e quando passava do Q2 era para pegar as últimas posições do Q3. A Ferrari até que fez o que pode correndo apenas com Kimi Räikkönen, mas se esperava mais do homem que quase venceu quatro vezes seguidas. Tá, tinha o Badoer, mas esse devia estar correndo de Fórmula 2…

Button está sentindo mais pressão do que o Hamilton em 2007. Está andando mal, muito mal para quem ganhou 6 das 7 primeiras corridas. Parece que ele esqueceu sua precisão e regularidade cirúrgicas, marcas do início da temporada, num hotel em Istambul. Está se classificando muito mal e começa a perder a cabeça com provocações da mídia sensacionalista inglesa. 14º é um resultado pífio, inaceitável eu diria, para quem quer ganhar o título mundial. Usando suas palavras Button, “why the fuck are you there?”

Mas ah, Spa-Francorchamps é mesmo uma maravilha, não é? Onde mais você esperaria uma Force India na pole position, ainda mais com pista seca? Não importa se ele está apenas com o vapor do combustível no tanque, o que Fisichella fez hoje entrará para a história, assim como a pole e vitória de Vettel com uma STR em Monza ano passado. Depois dessa, alguma dúvida que ele irá substituir Massa na Ferrari?

E nas quatro primeiras posições temos os mais “aposentados” do grid. Fisichella em primeiro, Trulli em segundo, Heidfeld em terceiro e Rubens em quarto. Uma média de idade de 35 anos entre os quatro primeiros. Está cada vez mais claro que os veteranos ainda têm muito o quê mostrar.

A BMW parece até outra equipe, com Heidfeld em terceiro e Kubica em quinto, mas ainda há de se ver se irão converter o ritmo de treino em ritmo de corrida.

Ruim para Rosberg, que vai largar em 10º sem poder alterar a carga de combustível. Talvez não o veremos na quinta ou quarta posição ao final da corrida, como de costume.

Péssimo para Vettel, Webber e Button. Os dois primeiros estão cada vez mais longe do título. Na pista que era para favorecê-los, eles vão mal. Será que tem algo haver com o “bico fino” reimplantado no carro? Button precisava ser agressivo, mas o que conseguiu foi sua pior posição de largada no ano. Se tudo transcorrer normalmente em Spa, talvez ele nem marque pontos. Precisará de uma ótima largada amanhã ou fará apenas uma parada.

Ótimo para Rubens Barrichello, que larga em quatro e se tiver mais combustível que os adversários à frente, tem ótimas chances de ganhar, quanto seus rivais diretos ao título estão em oitavo, nono e décimo quarto. Rubens é candidato ao título? Mais do que nunca…

GRID DE LARGADA PARA AMANHÃ:

Driver Team Q1 Q2 Q3
1st Giancarlo Fisichella Force India Mercedes 1:45.102 1:44.667 1:46.308
2nd Jarno Trulli Toyota 1:45.140 1:44.503 1:46.395
3rd Nick Heidfeld BMW Sauber 1:45.566 1:44.709 1:46.500
4th Rubens Barrichello Brawn Mercedes 1:45.237 1:44.834 1:46.513
5th Robert Kubica BMW Sauber 1:45.655 1:44.557 1:46.586
6th Kimi Räikkönen Ferrari 1:45.579 1:44.953 1:46.633
7th Timo Glock Toyota 1:45.450 1:44.877 1:46.677
8th Sebastian Vettel Red Bull Renault 1:45.372 1:44.592 1:46.761
9th Mark Webber Red Bull Renault 1:45.350 1:44.924 1:46.788
10th Nico Rosberg Williams Toyota 1:45.486 1:45.047 1:47.362
11th Adrian Sutil Force India Mercedes 1:45.239 1:45.119
12th Lewis Hamilton McLaren Mercedes 1:45.767 1:45.122
13th Fernando Alonso Renault 1:45.707 1:45.136
14th Jenson Button Brawn Mercedes 1:45.761 1:45.251
15th Heikki Kovalainen McLaren Mercedes 1:45.705 1:45.259
16th Sebastien Buemi STR Ferrari 1:45.951
17th Jaime Alguersuari STR Ferrari 1:46.032
18th Kazuki Nakajima Williams Toyota 1:46.307
19th Romain Grosjean Renault 1:46.359
20th Luca Badoer Ferrari 1:46.957

Esperem uma corrida interessante amanhã, como sempre é na Bélgica.

Guilherme

Sonhos

Ontem sonhei que o Rubinho tinha vencido em Spa, mas o Button chegou em segundo e não deu para descontar quase nada no campeonato…

Será que nem dormindo esse vício me deixa em paz?!

Que coisa…

Guilherme

GP da Europa – Estatísticas

Com um certo atraso trago a vocês as estatísticas do GP da Europa, que não foram poucas:

Rubens Barrichello marcou um número histórico para o Brasil

Rubens Barrichello marcou um número histórico para o Brasil

  • A pole position de Lewis Hamilton é a 14ª de sua carreira, empatando com lendas como James Hunt, Ronnie Peterson e Alberto Ascari, na 18ª posição geral. Para a McLaren, foi a 141ª pole position. A última, tanto da equipe quanto de Lewis, foi no Grande Prêmio da China de 2008.
  • Foi a primeira participação oficial do franco-suíço Romain Grosjean na Fórmula 1.
  • O outro “estreante” da vez foi Luca Badoer, que correu oficialmente pela primeira vez desde o Grande Prêmio do Japão de 1999, o segundo maior intervalo entre corridas por um piloto da história. Foi a primeira participação oficial do italiano pela Scuderia Ferrari.
  • A última vez que um piloto italiano havia corrido pela Scuderia foi em 1994. Este era Nicola Larini.
  • A vitória de Rubens Barrichello é a 10ª de sua carreira, dando-lhe o mesmo número que Gerhard Berger, James Hunt e Ronnie Peterson, Jody Scheckter e Lewis Hamilton, na 25ª posição geral. Também é a primeira vitória de Rubinho por um time que não é a Ferrari.
  • A última vez que tinhamos ouvido o Hino Nacional Brasileiro seguido de God Save the Queen foi a 16 anos atrás, no GP da Austrália de 1993. Uma salva de palmas para quem advinhar o piloto e a equipe que venceram aquela corrida…
  • Com esta vitória, o Brasil entra para o seletíssimo grupo de países que tem mais de 100 vitórias em Grandes Prêmios. Além do Brasil, este grupo apenas conta com Grã-Bretanha (com 206) e Alemanha (com 106).
  • Com os 10 pontos conquistados, Rubens Barrichello está a apenas 16 de quebrar a impressionante marca dos 600 pontos.
  • Lewis Hamilton ultrapassou Jacques Laffite e Jarno Trulli em número de pontos. Com 234, está empatado com Jacques Villeneuve, na 30ª posição.
  • Com seus 5 pontinhos, Heikki passou por Phill Hill e está empatado com Johnny Herbert. Ele tem 97 pontos na carreira e está na 65ª colocação.
  • Nico Rosberg ultrapassou Alessandro Nannini. Está com 66,5 pontos, na 82ª colocação.
  • Além da estatística negativa que Badoer tinha por ser o piloto que mais corridas correu sem marcar pontos (49), agora ele conseguiu outra: a de pior classificação em treinos de uma Ferrari nos últimos 29 anos! O caso mais grotesco que esse foi no GP do Canadá de 1980, onde Gilles Villeneuve saiu na 22ª posição (!) e Jody Scheckter não passou da pré-classificação (!!)
  • Foi a 150ª largada de Kimi Räikkönen, e também seu 60º pódio.

Brigas internas!

Treinos classificatórios:

Luca Badoer 0 x 1 Kimi Räikkonen
Lewis Hamilton 7 x 4 Heikki Kovalainen
Robert Kubica 7 x 4 Nick Heidfeld
Fernando Alonso 1 x 0 Romain Grosjean
Jarno Trulli 8 x 3 Timo Glock
Jaime Alguersuari 0 x 2 Sebastien Buemi
Sebastian Vettel 10 x 1 Mark Webber
Nico Rosberg 9 x 2 Kazuki Nakajima
Giancarlo Fisichella 5 x 6 Adrian Sutil
Rubens Barrichello 4 x 7 Jenson Button

Corridas:

Luca Badoer 0 x 1 Kimi Räikkonen
Lewis Hamilton 8 x 3 Heikki Kovalainen
Robert Kubica 4 x 7 Nick Heidfeld
Fernando Alonso 1 x 0 Romain Grosjean
Jarno Trulli 6 x 5 Timo Glock
Jaime Alguersuari 1 x 1 Sebastien Buemi
Sebastian Vettel 3 x 8 Mark Webber
Nico Rosberg 11 x 0 Kazuki Nakajima
Giancarlo Fisichella 8 x 3 Adrian Sutil
Rubens Barrichello 2 x 9 Jenson Button

Que eu me lembre, é isso. Corridinha cheia para os estatísticos…

Guilherme