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Posts Tagged ‘Lewis Hamilton’

GP de Abu Dhabi – Estatísticas

Red Bull: final de temporada perfeito

Red Bull: final de temporada perfeito

A temporada acabou, então nada mais apropriado do que fazer uma atualização dos números da categoria. Com qual piloto a carreira de Lewis Hamilton coincide? Quantos pilotos japoneses já marcaram pontos na Fórmula 1? E quais outros Grandes Prêmios não foram realizados sob o nome de seu país?
Leia mais e descubra…

GP de Abu Dhabi – mais um ‘palco’ para o ‘show’ (prévia)

Amanhã finalmente começa a ação na mais nova pista do calendário da Fórmula 1, o impressionante circuito de Yas Marina. Keith Collantine publicou em seu blog novas fotos da pista, e não foi surpresa ver que a maioria delas retratam o magnífico hotel no meio do autódromo ou as arquibancadas, enquanto poucas (se algumas) mostram novos ângulos do traçado.

Queremos ver o traçado ou um hotel que muda de cor?

Queremos ver um bom traçado ou um hotel que muda de cor?

A pista é, de fato, uma obra prima da engenharia e arquitetura. A ALDAR Properties, construtora líder nos Emirados Árabes Unidos, anunciou investimentos de mais de 72 bilhões de dolares nos próximos anos na ilha, visíveis na magnitude da estrutura, mas o layout da pista, o que realmente interessa, ainda é um típico Tilkedromo: chicane, reta pequena, hairpin, reta absurdamente longa, hairpin, reta absurdamente longa de novo, curvas quadradas, etc…

Porém, de todas as pistas do arquiteto alemão, esta parece que não será a pior, graças às “perfumarias” inéditas na categoria, como o hotel mega-luxuoso da foto que ilustra este post, ou a noite que cairá durante a corrida – pode não ser nada lógico do ponto de vista ambientalista, mas que será um espetáculo a parte, será!

Mas eu, infelizmente, não espero mais nada de Yas Marina além de ser mais um “palco” para o “show” da Fórmula 1 sedenta por entretenimento de massa. Espero que eu esteja errado…

Sendo uma pista nova, fica difícil prever um favorito, restando a nós basearmos nossos achismos em cima das performances relativas que presenciamos em pistas parecidas, mas o consenso geral é de que a McLaren (leia-se Lewis Hamilton) é franca favorita à vitória, com a Red Bull, Brawn e Ferrari (leia-se Kimi Räikkönen) disputando as outras posições mais altas.

Preste atenção durante a corrida em:

Red Bull: o time de Milton Keynes vem de duas vitórias seguidas, mas, apesar de serem configurações de pista totalmente diferentes, o RB5 deve vir forte também para Yas Marina – o quarto lugar de Vettel em Cingapura mostra que o carro também pode ser competitivo em pistas de curvas fechadas.

McLaren x Ferrari: dois gigantes do esporte relegados a disputar a terceira posição nos construtores. A equipe inglesa tem tudo para vencer os italianos nessa disputa: um carro mais desenvolvido, um ponto de vantagem na tabela e dois pilotos familiarizados com o carro.

O engraçado desta disputa é que a Ferrari já desistiu do campeonato faz tempo – o F60 foi abandonado em meados de julho, enquanto o MP4/24 foi desenvolvido até o final de setembro. Como se não bastasse, os rossos têm apenas um piloto (que vem fazendo um trabalho soberbo) desde o acidente de Massa na Hungria.

Agora imagine que este handicap para a Ferrari não existisse: com certeza os prateados só veriam a Ferrari quando eles parassem nos boxes, e provavelmente com o terceiro lugar garantido mesmo antes de Abu Dhabi.

Hamilton x Räikkönen: nem Button, nem Barrichello, nem Vettel e nem Webber. Os melhores deste ano foram, sem dúvidas, Hamilton e Räikkönen. Os dois mostraram diversas vezes do que verdadeiros campeões são feitos, mesmo com carros muito aquém de seus talentos. Carros estes que hoje nos possibilitam vê-los batalhando apenas pelo quinto lugar no campeonato. O inglês é favorito, tendo o finlandês de marcar dois pontos a mais que Hamilton para garantir esta posição à frente, que provavelmente garantirá também o terceiro lugar nos construtores de suas equipes.

Barrichello x Vettel: mesmo que o jovem alemão diga que “o segundo é o primeiro perdedor”, duvido que ele gostaria de perder esta para Barrichello. Com Button campeão, o time se volta inteiramente para selar um ano perfeito com Barrichello em segundo lugar, mas a visível decadência do BPG 001 pode atrapalhar os planos da equipe.

Final da novela…

…Mas o início de uma reação em cadeia. A Ferrari anunciou hoje que o asturiano Fernando Alonso correrá pela equipe partir de 2010 no lugar de Kimi Räikkönen, em um contrato de 3 anos.

Estes dois estarão nas mesmas cores em 2010

Estes dois estarão nas mesmas cores em 2010

Com todo o imbróglio do Crashgate, eu, pessoalmente, duvidava que Alonso daria as caras por Maranello. Kimi tinha seu contrato para 2010 assegurado, e seu salário astronômico significava uma recisão igualmente astronômica. Parecia uma decisão idiota de substitui-lo, mas Luca de Montezemolo não se importou na hora de abrir a carteira e contratou o espanhol sobrancelhudo.

A contratação de Fernando terá um efeito parecido com o de uma fissão nuclear. Embora a McLaren diga que as decisões sobre o companheiro de Lewis Hamilton estejam abertas, é particamente certo que Kimi voltará para as bandas de Woking, onde alguns dizem que é a verdadeira casa do finlandês.

A Renault, por sua vez, precisa de um bom piloto para preencher o vazio deixado por Alonso, alguém capaz de liderar a equipe e lutar pelas vitórias. Esse alguém é Robert Kubica. O polonês foi descoberto por Briatore e já testou pela equipe, apesar de não ter passado por seu “pente-fino”

A pergunta que fica na minha cabeça é se Alonso vale as cifras gastas. A Ferrari simplesmente pagou para entregar um precioso soldado para o inimigo. Os cofres de Montezemolo desembolçarão milhões para pagar o contrato de Kimi e mais alguns milhões para pagar Alonso. Resta saber se o espanhol “imã de escanadalos” pagará a conta. Chegará em Maranello com pinta de super-piloto, carregando as esperanças (e a pressão) de uma equipe que deseja voltar à dominação da Era Schumacher. Se esperará de Alonso que ele seja campeão, até mesmo no seu primeiro ano. Afinal, se Kimi foi, por que o mega-fodástico e semi-deus Alonso não seria? E é exatamente por isso que Felipe Massa tem de abrir o olho. É inevitável que o brasileiro seja rebaixado à segundo piloto. Fernando terá a equipe girando em torno de si, e se Felipe não batê-lo logo no início de 2010, ele vai voltar a ser o que sempre foi até a metade de 2008: o caçulinha, queridinho da equipe, o “Felipe-Baby”.

Eu, na minha insignificante opinião, não gostei da vinda de Alonso. Simplesmente por uma questão de preferência: sou Ferrarista e fã do Kimi, enquanto não gosto do Alonso. Kimi não é um piloto de segunda classe e não deixa nada a desejar quando comparado com o espanhol, sendo que ambos tem números bem parecidos. Fico com a impressão de que Fernando não corresponderá a todas as espectativas que estão fazendo encima dele.

Mas, vendo a prespectiva para 2010, até deveria gostar, afinal teremos novamente o duelo de titãs de 2007. Alonso terá um companheiro competente (algo raro, diga-se de passagem) e dividir o mesmo carro que Massa poderá nos dar uma boa comparação de quão bons são estes pilotos.

Hamilton, por sua vez, não deve estar muito feliz com a possibilidade de dividir o carro com Kimi, e talvez poderemos ver novamente as habilidades do inglês perante um talentoso companheiro. Lewis foi melhor que Alonso em 2007, mas o ar indiferente e expressão de “tô cagando e andando” de Kimi possa ser um problema para o jovem rapaz – Räikkönen gosta de resolver as coisas na pista, sem “pitis”, sem dar bola para conversas de bastidores e etc., ao contrário de Alonso (vide 2007). Bater Räikkönen pode sacramentar a superioridade natural do rapaz, mas caso Kimi supere-o, mostrará ainda mais o quanto o Iceman é talentoso e o tamanho da idiotice que foi entregá-lo de bandeija para a McLaren.

Por que o GP da Bélgica é mágico (parte 4 de 4)

O último vídeo da série aconteceu no ano passado. Preciso dizer sobre qual momento estou falando? É claro que é o final da corrida. Kimi parecia caminhar tranquilamente para sua quarta vitória consecutiva em Spa Francorchamps, até que o destino resolveu rolar os dados mais uma vez no final da prova, com aquilo que é quase um cliché nas corridas em Spa: chuva.

A três voltas do fim, Hamilton ataca Räikkonen na Bus Stop. O finlandês tem a linha de dentro da curva, mas Hamilton força. Quando viu que Kimi não tornaria as coisas mais fáceis para o seu lado, Hamilton  teve de tirar o carro para fora do traçado, cortando a chicane (que mais parece dois harpins grudados) e saindo à frente de Kimi, tendo de devolver a posição (o que gerou muita discussão depois e eu, particularmente, defendo a punição que ele tomou), para depois retomá-la na La Source.

A partir daí o que se viu foi um duelo frenético, onde Kimi e Lewis saem da pista e trocam de posições várias vezes, até que Kimi, que estava acelerando tudo por não ter nada a perder, rodou e encontrou o muro. E enquanto isso, Heidfeld e Alonso, que haviam parado para colocar pneus intermediários, “empalaram” vários outros pilotos na ultima volta para chegar em terceiro e quarto, respectivamente. Final de corrida mais emocionante que esse só o do GP do Brasil ano passado.

E esse ano? O que emoções podemos esperar do Grande Prêmio da Bélgica? Chuva? Acidentes? Ou uma simples – e bela – corrida disputada? A seção de comentários é sua para dar sua opinião…

Guilherme

GP da Bélgica – Prévia

Saindo da beleza plástica da pista valenciana, a Fórmula 1 chega a um dos maiores templos do automobilismo mundial, pista preferida de quase todos os pilotos e de uma beleza (real) de tirar o fôlego. Estamos falando de Spa Francorchamps…

Irá Kimi manter seu bom retrospecto no "templo"?

Irá Kimi manter seu bom retrospecto no "templo"?

Cravado no meio das colinas e florestas da região de Ardenas, o circuito de Spa-Francorchamps é um mito, uma lenda do automobilismo mundial, cujas curvas são lembradas em nome e traçado pela grande maioria dos fãs do esporte. Mesmo que hoje o traçado tenha menos da metade da distância da configuração original, a pista nunca perdeu sua identidade, que sempre consistiu de longas retas e curvas rápidas em meio às árvores e elevações de terreno, misturado à constante possibilidade de chuva.

E quem se dará melhor esse ano? Brawn? Red Bull? Kimi? Hamilton? Vamos analisar…

Red Bull: Como todos sabem, a pista é uma das mais rápidas do calendário, com varias retas e curvas de alta, e numa região onde geralmente se faz frio e chove. Essas condições são favoráveis aos carros da Red Bull, teoricamente. Mark Webber deve vir com força total, pois sabe que um bom resultado é fundamental depois do fraquíssimo desempenho em Valência, além de ter marcado pontos em Spa em todas as corridas que completou. Vettel deve estar indo para o “tudo ou nada”. Mesmo com apenas dois motores restantes para toda a temporada, prudência não é a melhor estratégia para quem está 25 pontos atrás do lider do campeonato. Ele teve uma ótima corrida lá ano passado, chegando em 5º com a Toro Rosso, e se chover as coisas estarão como ele gosta. Isso significa que a Red Bull irá dominar a corrida e a Brawn não irá aparecer? Não é assim que eu vejo…

Brawn GP: parece ter sido mais coincidência os resultados fracos da equipe nos frios GPs da Inglaterra e Alemanha. Foi lá que a equipe introduziu um pacote aerodinâmico que não vingou, o que se pode constatar no GP da Hungria, onde nem as altas temperaturas impediram uma performance apagada da equipe de Ross Brawn. Deveremos ver ela andando um pouco atrás da Red Bull, mas nada tão expressivo como foi na Alemanha. São favoritos ao pódio e, caso o clima belga nos contemple com pancadas de chuva (e consequentemente um troca-troca de pneus), podemos sim vê-los no alto do pódio.

Kimi Räikkönen: o finlândes venceu lá três vezes seguidas e por pouco ele não conquistou seu quarto trunfo consecutivo ano passado. É uma de suas pistas preferidas e nas últimas corridas nós vimos Kimi pilotando “com o interruptor ligado”. O Iceman parece motivado apesar do carro que tem e vai partir para cima nessa que pode ser a melhor chance da Ferrari (leia-se Kimi, pois Badoer não vai a lugar algum) ganhar uma corrida nesse ano.

Lewis Hamilton: a McLaren transformou seu carro, que era um fiasco de marca maior, em um legitmo vencedor, e o homem que propulsionou o carro à vitória foi Lewis Hamilton. Mas irá ele repetir a façanha na pista que teoricamente deve expor os defeitos do MP4/24? Irá o KERS ser util na largada com a curta reta até a La Source? Ou descarregá-lo na saída da Eau Rouge será mais eficiente? Talvez a McLaren não seja favorita a vitória, mas deverá roubar alguns pontos dos lideres do campeonato.

Perguntas, dúvidas, incertezas. Temos seis homens capazes vencer a corrida e só poderemos ter uma idéia melhor depois das 10 horas da manhã de sábado aqui no Brasil. O provável melhor GP do ano está se aproximando, e trás com ele momentos decisivos para o campeonato. Emoções não faltaram no Grande Prêmio da Bélgica.

Guilherme

GP da Europa – Estatísticas

Com um certo atraso trago a vocês as estatísticas do GP da Europa, que não foram poucas:

Rubens Barrichello marcou um número histórico para o Brasil

Rubens Barrichello marcou um número histórico para o Brasil

  • A pole position de Lewis Hamilton é a 14ª de sua carreira, empatando com lendas como James Hunt, Ronnie Peterson e Alberto Ascari, na 18ª posição geral. Para a McLaren, foi a 141ª pole position. A última, tanto da equipe quanto de Lewis, foi no Grande Prêmio da China de 2008.
  • Foi a primeira participação oficial do franco-suíço Romain Grosjean na Fórmula 1.
  • O outro “estreante” da vez foi Luca Badoer, que correu oficialmente pela primeira vez desde o Grande Prêmio do Japão de 1999, o segundo maior intervalo entre corridas por um piloto da história. Foi a primeira participação oficial do italiano pela Scuderia Ferrari.
  • A última vez que um piloto italiano havia corrido pela Scuderia foi em 1994. Este era Nicola Larini.
  • A vitória de Rubens Barrichello é a 10ª de sua carreira, dando-lhe o mesmo número que Gerhard Berger, James Hunt e Ronnie Peterson, Jody Scheckter e Lewis Hamilton, na 25ª posição geral. Também é a primeira vitória de Rubinho por um time que não é a Ferrari.
  • A última vez que tinhamos ouvido o Hino Nacional Brasileiro seguido de God Save the Queen foi a 16 anos atrás, no GP da Austrália de 1993. Uma salva de palmas para quem advinhar o piloto e a equipe que venceram aquela corrida…
  • Com esta vitória, o Brasil entra para o seletíssimo grupo de países que tem mais de 100 vitórias em Grandes Prêmios. Além do Brasil, este grupo apenas conta com Grã-Bretanha (com 206) e Alemanha (com 106).
  • Com os 10 pontos conquistados, Rubens Barrichello está a apenas 16 de quebrar a impressionante marca dos 600 pontos.
  • Lewis Hamilton ultrapassou Jacques Laffite e Jarno Trulli em número de pontos. Com 234, está empatado com Jacques Villeneuve, na 30ª posição.
  • Com seus 5 pontinhos, Heikki passou por Phill Hill e está empatado com Johnny Herbert. Ele tem 97 pontos na carreira e está na 65ª colocação.
  • Nico Rosberg ultrapassou Alessandro Nannini. Está com 66,5 pontos, na 82ª colocação.
  • Além da estatística negativa que Badoer tinha por ser o piloto que mais corridas correu sem marcar pontos (49), agora ele conseguiu outra: a de pior classificação em treinos de uma Ferrari nos últimos 29 anos! O caso mais grotesco que esse foi no GP do Canadá de 1980, onde Gilles Villeneuve saiu na 22ª posição (!) e Jody Scheckter não passou da pré-classificação (!!)
  • Foi a 150ª largada de Kimi Räikkönen, e também seu 60º pódio.

Brigas internas!

Treinos classificatórios:

Luca Badoer 0 x 1 Kimi Räikkonen
Lewis Hamilton 7 x 4 Heikki Kovalainen
Robert Kubica 7 x 4 Nick Heidfeld
Fernando Alonso 1 x 0 Romain Grosjean
Jarno Trulli 8 x 3 Timo Glock
Jaime Alguersuari 0 x 2 Sebastien Buemi
Sebastian Vettel 10 x 1 Mark Webber
Nico Rosberg 9 x 2 Kazuki Nakajima
Giancarlo Fisichella 5 x 6 Adrian Sutil
Rubens Barrichello 4 x 7 Jenson Button

Corridas:

Luca Badoer 0 x 1 Kimi Räikkonen
Lewis Hamilton 8 x 3 Heikki Kovalainen
Robert Kubica 4 x 7 Nick Heidfeld
Fernando Alonso 1 x 0 Romain Grosjean
Jarno Trulli 6 x 5 Timo Glock
Jaime Alguersuari 1 x 1 Sebastien Buemi
Sebastian Vettel 3 x 8 Mark Webber
Nico Rosberg 11 x 0 Kazuki Nakajima
Giancarlo Fisichella 8 x 3 Adrian Sutil
Rubens Barrichello 2 x 9 Jenson Button

Que eu me lembre, é isso. Corridinha cheia para os estatísticos…

Guilherme

GP da Europa – Como nos velhos tempos

Muitos consideraram o GP da Europa como entediante, processional e sonolento, mas não para a maioria dos brasileiros. Pela primeira vez, desde o GP dos Estados Unidos de 2005, tivemos apenas um representante na pista, e por mais irônico que seja, é um dos pilotos brasileiros mais criticado da história. Ele mesmo, Rubens Barrichello.

Rubens Barrichello rumo à vitória em Valência

Rubens Barrichello rumo à vitória em Valência

A missão parecia difícil. Impossível, alguns diriam, caso não acontecesse nada fora do comum. Mas Rubens Barrichello provou ontem, na pista, que não está fora da briga pelo título.

Com a primeira fila ocupada pelos carros prateados, dotados de seus poderosos KERS, o mais provável era que Rubens continuasse em terceiro, tendo de se preocupar mais com os carros atrás do que em ultrapassar Kovalainen ou Hamilton. Ao contrario de suas largadas desastrosas na Austrália e na Turquia, por exemplo, Rubens vem fazendo ótimas largadas ultimamente, o que o permitiu esboçar um ataque a Kovalainen na primeira curva, já que mesmo com o benefício do KERS, os pilotos da McLaren não puderam utilizá-lo de forma 100% efetiva devido à curta reta de largada do circuito valenciano. Com a porta fechada, Rubens recuou, evitando assim um possível toque com o finlandês.

Com o carro mais pesado e usando os pneus mais duros, a única coisa esperada de Barrichello seria que ele mantesse contato com Heikki, não deixando Lewis fugir muito. Conspiração ou não, ficou claro que Heikki não andou tudo o que podia no início da corrida, ficando 4 segundos atrás de Hamilton nas duas primeiras voltas, para depois imprimir um ritmo de corrida idêntico ao de seu companheiro de equipe até a sua primeira parada nos boxes.

Conforme os pneus macios das McLarens iam se deteriorando, ficava mais fácil para Rubens continuar na perseguição a Heikki. Quando Hamilton e Kovalainen param nos boxes nas voltas 17 e 18, respectivamente, Rubens tinha mais 3 voltas para colocar um ritmo de classificação, com pouco combustível no tanque e pneus relativamente bons. Com ar limpo à frente, Rubens mostrou o verdadeiro potêncial do BGP 001, sendo o primeiro a fechar uma volta abaixo da casa de 1:39. As três voltas nesse ritmo foram suficientes para ultrapassar Kovalainen e cortar a vantagem de Lewis Hamilton em mais da metade. E no segundo stint que tudo se decidiu.

Sentindo um pouco de instabilidade no carro, o engenheiro de Jenson Button decidiu trocar sua estratégia de pneus para duro-macio-macio. Quase dei um pulo do sofá, pensando “que troquem para o Jenson, mas não para o Rubens!” Não sou engenheiro, mas parecia óbvio que o desemepenho da Brawn era satisfatório com os pneus duros, podendo manter-se no mesmo ritmo da McLaren de Hamilton com pneus macios. E, graças a Deus, Rubens continuou com pneus duros.

O segundo stint foi uma sucessão de “provocações” entre Hamilton e Rubens. Nas voltas seguintes à saída de Rubens dos boxes, Hamilton conseguiu abrir sua vantagem em 1.5 segundos, aumentando para 4 no total, até que os pneus do carro de Rubinho atingiram a “window of operation” – a temperatura ideal para um bom funcionamento dos pneus. A partir daí foi uma luta de um para aumentar a vantagem e de outro para diminui-la. Quando um tirava 4 décimos em uma volta, outro colocava os 4 décimos de volta. Não teve ação na pista entre os dois, mas foi uma experiência tanto emocionante acompanhar os tempos com tanta apreensão. Rubens fez o que tinha de ser feito: não deixou Hamilton se distânciar, para então colocar algumas voltas de classificação e ultrapassar Lewis nos boxes. Parecia difícil, mas o destino deu uma ajudinha…

…Quando Hamilton entou nos boxes enquanto a equipe não o esperava. Segundo Martin Whitmarsh, houve um atraso na hora de avisar Hamilton para que ele estendesse sua parada em mais uma volta, pois quando a informação foi passada, Lewis já estava na entrada dos boxes, pegando os mecânicos de surpresa, sem os pneus a disposição. Uma parada que deveria demorar 6,5 segundos durou 12 – uma eternidade na Fómula 1.

Talvez tenha sido impressão minha, mas a reação de Jock Clear (engenheiro de Rubens) ao rádio, avisando Rubinho da parada antecipada de Hamilton tenha demonstrado que não foi apenas um atraso na comunicação: nem os caras da Brawn esperavam. Ouvir Jock gritando para Rubens no rádio foi de arrepiar…

“That’s it Rubens! Hamilton is in! Give me five qualifying laps! FIVE QUALIFYING LAPS!!!”

E Rubens fez, marcando tempos alucinantes em um ritmo frenético. Era visível como ele tirava tudo do carro a cada curva, passando a centimetros dos muros, para meu desespero e de todos os brasileiros que estavam torcendo por ele. O pneu voador de Nakajima levantou o medo de Safety Car na pista, apesar de ter ficado fora do traçado, o que levou o time de Brackley a adiar a parada de Rubens em duas voltas, para a volta 56, mas a esta altura já era suficiente para ficar à frente de Lewis. Naquele momento todas as atenções se voltavam para os mecânicos, torcendo para que eles não cometessem nenhum erro. E não fizeram – foram perfeitos.

Momento apreensivo

Momento apreensivo

A partir daí, era só administrar a vantagem de 6 segundos para Lewis durante as 14 voltas seguintes e esperar a bandeira quadriculada. Um tema da vitória especial (que eu, particularmente, não gostei), a décima vitória pessoal, a centésima da nação e uma lufada de ar fresco na briga pelo campeonato. Corrida perfeita por parte de nosso único representante na pista e vitória mais do que merecida. Parabéns Rubens!

O time de Brackley

O time de Brackley

O resto:

Dei com a língua nos dentes, de novo… três vezes! Apostei em Alonso para a pole, deu Hamilton. Apostei em Hamilton para a corrida, deu Rubens. Disse que Heidfeld ia terminar a frente de Kubica e foi o contrário. Vou dizer que o Kimi vai quebrar em Spa… assim talvez ele ganhe.

McLaren volta definitivamente ao pelotão da frente, mas ainda hão de melhorar caso queiram mais vitórias. Foi uma corrida atípica para a Red Bull e a Ferrari está desfalcada. A próxima prova será teste verdadeiro, onde as curvas rápidas do templo de Spa-Francorchamps deveriam salientar as deficiencias do MP4/24.

Corrida discreta, porém ótima de Kimi Räikkonen, sempre arrastando a Ferrari onde der. Terceiro foi mais do que bom, considerando a performance bem mais elevada da McLaren de Heikki Kovalainen. Pior é, como fã do piloto, ter que o ouvir o Reginaldo Leme vomitar asneiras (o que é difícil de ele fazer, diga-se de passagem) sobre o Iceman. Agora para ele tudo o que o Räikkönen faz é “circunstancial”. Francamente Reginaldo, sabemos que você é fã do Massa, do Hamilton e do Alonso, e que o Kimi ganhou seu campeonato justamente encima desses 3 pilotos, mas você é um comentarista da maior rede de televisão do país, que supostamente é séria e deveria ser mais imparcial, ainda mais quando detratar um piloto não tem nada a ver com os pilotos brasileiros, os quais eles devem sim exaltar.

Já o outro piloto da Ferrari… melhor nem falar. Rodou, andou sempre atrás e tomou um drive through por uma saída dos boxes completamente escrota. Eu queria, de coração, que ele fizesse uma boa participação, mas assim fica difícil… Tem muita gente de olho no lugar dele.

As Red Bulls pareciam estar correndo em outra categoria. Mark Webber se classificou mal e terminou a corrida mal, fora da zona de pontuação. Vettel, coitado, está numa zica incrível. Quando ele não faz besteira, o motor estoura. Assim fica difícil…

Kubica conseguiu um pontinho, finalmente. Gosto meio amargo, é claro. Quem estava disputando o título e chegou a liderar o mundial ano passado não pode ficar feliz por chegar em oitavo e marcar 3 pontos no ano.

Estréia boa de Romain Grosjean. Não fez nada demais, nem nada de menos. Andou pior do que Piquet andaria, é claro, mas é sua estréia na equipe e não podemos esperar mais dele do que ele fez.

A Fórmula 1 voltou mas a silly season continua cada vez mais forte, além dos rumores sobre a permanencia de uma certa equipe japonesa… Vamos falar sobre isso mais tarde.

Termino aqui este post imenso com a fala de Ross Brawn na mente, que mostra que o gênio da estratégia tem um carinho precioso com Rubens, desde seus tempos de Ferrari:

“Absolutely fantastic drive Rubens! It was just like the old days”

É, como nos velhos tempos…

Mais tarde (talvez a noite), as estatísticas!

Guilherme