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Posts Tagged ‘Kimi Raikkonen’

GP de Abu Dhabi – mais um ‘palco’ para o ‘show’ (prévia)

Amanhã finalmente começa a ação na mais nova pista do calendário da Fórmula 1, o impressionante circuito de Yas Marina. Keith Collantine publicou em seu blog novas fotos da pista, e não foi surpresa ver que a maioria delas retratam o magnífico hotel no meio do autódromo ou as arquibancadas, enquanto poucas (se algumas) mostram novos ângulos do traçado.

Queremos ver o traçado ou um hotel que muda de cor?

Queremos ver um bom traçado ou um hotel que muda de cor?

A pista é, de fato, uma obra prima da engenharia e arquitetura. A ALDAR Properties, construtora líder nos Emirados Árabes Unidos, anunciou investimentos de mais de 72 bilhões de dolares nos próximos anos na ilha, visíveis na magnitude da estrutura, mas o layout da pista, o que realmente interessa, ainda é um típico Tilkedromo: chicane, reta pequena, hairpin, reta absurdamente longa, hairpin, reta absurdamente longa de novo, curvas quadradas, etc…

Porém, de todas as pistas do arquiteto alemão, esta parece que não será a pior, graças às “perfumarias” inéditas na categoria, como o hotel mega-luxuoso da foto que ilustra este post, ou a noite que cairá durante a corrida – pode não ser nada lógico do ponto de vista ambientalista, mas que será um espetáculo a parte, será!

Mas eu, infelizmente, não espero mais nada de Yas Marina além de ser mais um “palco” para o “show” da Fórmula 1 sedenta por entretenimento de massa. Espero que eu esteja errado…

Sendo uma pista nova, fica difícil prever um favorito, restando a nós basearmos nossos achismos em cima das performances relativas que presenciamos em pistas parecidas, mas o consenso geral é de que a McLaren (leia-se Lewis Hamilton) é franca favorita à vitória, com a Red Bull, Brawn e Ferrari (leia-se Kimi Räikkönen) disputando as outras posições mais altas.

Preste atenção durante a corrida em:

Red Bull: o time de Milton Keynes vem de duas vitórias seguidas, mas, apesar de serem configurações de pista totalmente diferentes, o RB5 deve vir forte também para Yas Marina – o quarto lugar de Vettel em Cingapura mostra que o carro também pode ser competitivo em pistas de curvas fechadas.

McLaren x Ferrari: dois gigantes do esporte relegados a disputar a terceira posição nos construtores. A equipe inglesa tem tudo para vencer os italianos nessa disputa: um carro mais desenvolvido, um ponto de vantagem na tabela e dois pilotos familiarizados com o carro.

O engraçado desta disputa é que a Ferrari já desistiu do campeonato faz tempo – o F60 foi abandonado em meados de julho, enquanto o MP4/24 foi desenvolvido até o final de setembro. Como se não bastasse, os rossos têm apenas um piloto (que vem fazendo um trabalho soberbo) desde o acidente de Massa na Hungria.

Agora imagine que este handicap para a Ferrari não existisse: com certeza os prateados só veriam a Ferrari quando eles parassem nos boxes, e provavelmente com o terceiro lugar garantido mesmo antes de Abu Dhabi.

Hamilton x Räikkönen: nem Button, nem Barrichello, nem Vettel e nem Webber. Os melhores deste ano foram, sem dúvidas, Hamilton e Räikkönen. Os dois mostraram diversas vezes do que verdadeiros campeões são feitos, mesmo com carros muito aquém de seus talentos. Carros estes que hoje nos possibilitam vê-los batalhando apenas pelo quinto lugar no campeonato. O inglês é favorito, tendo o finlandês de marcar dois pontos a mais que Hamilton para garantir esta posição à frente, que provavelmente garantirá também o terceiro lugar nos construtores de suas equipes.

Barrichello x Vettel: mesmo que o jovem alemão diga que “o segundo é o primeiro perdedor”, duvido que ele gostaria de perder esta para Barrichello. Com Button campeão, o time se volta inteiramente para selar um ano perfeito com Barrichello em segundo lugar, mas a visível decadência do BPG 001 pode atrapalhar os planos da equipe.

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Por que eu desejo, mais do que nunca, o bi-campeonato de Kimi

Já vou avisar aqui no início: desliguei todos meus sensores de imparcialidade, para que eles não apitem enquanto eu estiver escrevendo este texto e me façam reescrevê-lo de modo mais parcial… ou mesmo jogá-lo fora de uma vez.

Última garrafa de champagne pela Scuderia?

Seria a última garrafa de champagne pela Scuderia?

Campeão Mundial de 2007, contribuição na conquista de dois títulos de construtores, 9 vitórias, 26 pódios, 230 pontos, 16 voltas mais rápidas. Esses são os números de Kimi Räikkönen na Ferrari. É um ótimo retrospecto (e mesmo quem não gosta do finlandês tem de reconhecer), mas mesmo assim, a Ferrari achou que seus serviços não eram mais necessários.

Finalmente Stefano Domenicali falou ontem, de um jeito mais aberto, sobre a dispensa do Iceman. Confira este trecho, como está no F1 Around:

Eu considero Räikkönen, em todos os sentidos, no mesmo nível de Fernando, Felipe, Lewis. Então, por que mudar? Porque tenho certeza que nossa equipe, a Ferrari, necessita de um homem parecido com Schumi no trato com a equipe. Kimi é muito rápido, muito competitivo, mas também muito fechado, introvertido. Não é uma limitação ou defeito: é o seu temperamento. Com um carro vencedor ele é perfeito. Com um carro para desenvolver e uma equipe para liderar, eu acredito que Alonso é superior. Eu expliquei isso para Räikkönen: ele não ficou feliz, mas entendeu.

Eu sei que ele [Räikkönen] está conversando com McLaren, Brawn, Red Bull. Eu sei que em 2010 ele será um grande oponente.

Stefano Domenicali

Mesmo com a explicação, a troca de pilotos não parece fazer muito sentido. Se ele mesmo diz que Kimi e Fernando estão no mesmo nível em todos os sentidos, conclui-se que a própria equipe acredita que Alonso não fará nada melhor que Räikkönen. Logo abaixo ele entra em contradição com sua primeira afirmação, dizendo que acredita que Alonso é melhor com um carro para desenvolver. Agora compare com o trechinho sublinhado que destaquei…

É ilógico dispensar um piloto por ser “introvertido” apesar de ser rápido. Oras, não é o que toda equipe deseja? Um piloto talentoso, competitivo e que não fala o que não deve nem se mete em escândalos e polêmicas?

Alonso, por sua vez, também é talentosíssimo e competitivo, mas esteve envolvido em dois escândalos de proporções estratosféricas em dois anos consecutivos, além de ser manhoso e “reclamão” (os Alonsistas que me perdoem, mas ele é!): o típico piloto que morre de amores pela equipe, enquanto ela é dele. Nós vimos como ele agiu com o novato Hamilton em 2007, e não é dizendo que “não foi perfeito com Lewis na McLaren” que irá se redimir pelos pitis que deu nas bandas de Woking, muito menos significa que não ficará descontente em ver a equipe não lhe dando a merecida (ou a que ele acha que merece) atenção.

A dupla Massa-Räikkönen era perfeita: o latino carismático, desbocado e de sangue quente, que não é o melhor piloto do mundo, mas é muito trabalhador, acompanhando o finlandês introvertido, porém voador, discreto e focado no seu trabalho.

Agora com Massa e Alonso, teremos dois pilotos latinos e de sangue quente, o que desequilibrará a balança. Os primeiros atritos já começaram, como você pode ver aqui e aqui. Desespero do Massa? Talvez, mas quando Domenicali diz que “a Ferrari necessita de um homem parecido com Schumi no trato com a equipe”, ele assume automaticamente o status de Número 1 do asturiano e crava o punhal nas costas do brasileiro.

Um precioso soldado

Com a rescisão contratual, a Ferrari literalmente pagará para Kimi correr pelo inimigo! Enquanto a Ferrari terá uma dupla de pilotos marrentos, as duas prováveis futuras equipes de Kimi serão fortíssimas:

  • Se ele for para a McLaren, a equipe terá novamente dois pilotos campeões mundiais pilotando seus carros – a última vez que isso aconteceu foi em 1989 com Senna e Prost. Além de podermos medir novamente o talento de Hamilton contra um campeão do porte de Räikkönen, o título de construtores para a McLaren seria praticamente uma certeza, caso o MP4/25 venha a ser um carro decente.
  • E caso ele vá para a Red Bull, estará pilotando para uma das equipes mais fortes de 2009, sentará sua bunda em mais um projeto de Adrian Newey e terá ao seu lado ninguém menos que a maior promessa atual do automobilismo: Sebastian Vettel. Some isso ao estilo cool, baladeiro e descontraído da Red Bull, que cai como uma luva no “introvertido” Iceman.

E enquanto isso, a Ferrari não cria coragem de empregar dois campeões em seus carros: o que poderia se chamar de “dupla de campões” na Ferrari foi em 1990, mas Mansell ainda não era campeão àquela altura de sua carreira. Uma dupla campeã de verdade nunca passou por Maranello.

Desejo deste blogueiro

Sou Ferrarista assumido, desde que comecei a assistir o esporte frequentemente em 1998, mas sou torcedor do Kimi Räikkönen também. Desejo, do fundo do meu coração, que Kimi seja campeão com outra equipe (até mesmo a McLaren, que tanto detesto) e leve consigo o título de construtores, tudo pago com os euros do Montezemolo.

Eu sei que isso tem ar de vingança – e tem mesmo -, mas adoraria ver Kimi ensinando à Ferrari (e principalmente ao Domenicali) que não se trata um piloto do seu calibre, justamente aquele que vem carregando o time nas costas por metade do campeonato em um carro medíocre, com tamanha falta de respeito

Final da novela…

…Mas o início de uma reação em cadeia. A Ferrari anunciou hoje que o asturiano Fernando Alonso correrá pela equipe partir de 2010 no lugar de Kimi Räikkönen, em um contrato de 3 anos.

Estes dois estarão nas mesmas cores em 2010

Estes dois estarão nas mesmas cores em 2010

Com todo o imbróglio do Crashgate, eu, pessoalmente, duvidava que Alonso daria as caras por Maranello. Kimi tinha seu contrato para 2010 assegurado, e seu salário astronômico significava uma recisão igualmente astronômica. Parecia uma decisão idiota de substitui-lo, mas Luca de Montezemolo não se importou na hora de abrir a carteira e contratou o espanhol sobrancelhudo.

A contratação de Fernando terá um efeito parecido com o de uma fissão nuclear. Embora a McLaren diga que as decisões sobre o companheiro de Lewis Hamilton estejam abertas, é particamente certo que Kimi voltará para as bandas de Woking, onde alguns dizem que é a verdadeira casa do finlandês.

A Renault, por sua vez, precisa de um bom piloto para preencher o vazio deixado por Alonso, alguém capaz de liderar a equipe e lutar pelas vitórias. Esse alguém é Robert Kubica. O polonês foi descoberto por Briatore e já testou pela equipe, apesar de não ter passado por seu “pente-fino”

A pergunta que fica na minha cabeça é se Alonso vale as cifras gastas. A Ferrari simplesmente pagou para entregar um precioso soldado para o inimigo. Os cofres de Montezemolo desembolçarão milhões para pagar o contrato de Kimi e mais alguns milhões para pagar Alonso. Resta saber se o espanhol “imã de escanadalos” pagará a conta. Chegará em Maranello com pinta de super-piloto, carregando as esperanças (e a pressão) de uma equipe que deseja voltar à dominação da Era Schumacher. Se esperará de Alonso que ele seja campeão, até mesmo no seu primeiro ano. Afinal, se Kimi foi, por que o mega-fodástico e semi-deus Alonso não seria? E é exatamente por isso que Felipe Massa tem de abrir o olho. É inevitável que o brasileiro seja rebaixado à segundo piloto. Fernando terá a equipe girando em torno de si, e se Felipe não batê-lo logo no início de 2010, ele vai voltar a ser o que sempre foi até a metade de 2008: o caçulinha, queridinho da equipe, o “Felipe-Baby”.

Eu, na minha insignificante opinião, não gostei da vinda de Alonso. Simplesmente por uma questão de preferência: sou Ferrarista e fã do Kimi, enquanto não gosto do Alonso. Kimi não é um piloto de segunda classe e não deixa nada a desejar quando comparado com o espanhol, sendo que ambos tem números bem parecidos. Fico com a impressão de que Fernando não corresponderá a todas as espectativas que estão fazendo encima dele.

Mas, vendo a prespectiva para 2010, até deveria gostar, afinal teremos novamente o duelo de titãs de 2007. Alonso terá um companheiro competente (algo raro, diga-se de passagem) e dividir o mesmo carro que Massa poderá nos dar uma boa comparação de quão bons são estes pilotos.

Hamilton, por sua vez, não deve estar muito feliz com a possibilidade de dividir o carro com Kimi, e talvez poderemos ver novamente as habilidades do inglês perante um talentoso companheiro. Lewis foi melhor que Alonso em 2007, mas o ar indiferente e expressão de “tô cagando e andando” de Kimi possa ser um problema para o jovem rapaz – Räikkönen gosta de resolver as coisas na pista, sem “pitis”, sem dar bola para conversas de bastidores e etc., ao contrário de Alonso (vide 2007). Bater Räikkönen pode sacramentar a superioridade natural do rapaz, mas caso Kimi supere-o, mostrará ainda mais o quanto o Iceman é talentoso e o tamanho da idiotice que foi entregá-lo de bandeija para a McLaren.

GP da Bélgica – Estatísticas

Passado o GP da Bélgica, vamos às estatísticas, mas antes eu queria esclarecer algo:

Nos artigos anteriores sobre as estatísticas, a maioria das informações sobre a pontuação dos pilotos está errada. Não por uma margem muito grande, mas o suficiente para não passar a informação correta. A listagem que eu tinha era muito velha, mas tão velha que quando eu fiz eu nem conhecia o 6th gear. Enfim, agora as coisas estão atualizadas e eu espero não fornecer mais dados erroneos. Peço desculpas a todos. Aos dados…

Um não via o lugar mais alto do pódio havia tempos; outro não via pódio nenhum havia tempos...

Fisichella sobre ao pódio novamente, depois de quase três sem beber champagne

  • A pole de Giancarlo ontem foi a quarta de sua carreira, a primeira desde o Grande Prêmio da Malásia de 2006 e a primeira da Force India. Agora todas as equipes participantes do campeonato já fizeram pelo menos uma pole position em sua história.
  • Fisichella tem agora o mesmo número de pole positions que Mike Hawthorn, Didier Pironi, Jarno Trulli e Sebastian Vettel. A Force India se tornou a 33ª equipe a conseguir o feito.
  • Nesta corrida tivemos as duas primeiras filas com maior média de idade da temporada (e também de alguns anos, me atrevo a dizer): 35 anos e 3 meses.
  • [Editado]: Kimi Räikkönen venceu a 18ª corrida de sua carreira. Mais duas e ele se igualará ao compatriota Mika Hakkinen. Para a Ferrari, é a 210ª vitória, que não vencia desde o GP do Brasil do ano passado. A vitória de Kimi hoje é a sua quarta em Spa Francorchamps. Empatado com ele está Jim Clark (vencedor entre 1962 e 1965). Ayrton Senna tem cinco vítoras (1985 e entre 1988 e 1991). Michael Schumacher é o maior vencedor da pista (seis vitórias, em 1992, entre 1995-97 e 2001-02). Kimi também quebrou hoje seu jejum de 1 ano e 5 meses sem vitórias (eu deixei passar aqui uma vitória do Senna e uma do Schuamcher. Já está arrumado).
  • Fisichella marcou hoje os primeiros pontos da Force India, além de seus primeiros desde o GP do Japão de 2007. É seu primeiro pódio desde o GP do Japão de 2006.
  • Apesar da má performance e azar, Jenson Button tem de agradecer: é o sexto vencedor diferente nas últimas seis corridas. Esta irregularidade só tem a favorecer o inglês.
  • Primeira vez que as duas BMW marcam pontos desde o GP da China do ano passado.
  • Com os 8 pontos marcados, Fisichella soma agora 275 em toda a sua carreira. Na tabela geral, está na 24º posição, ultrapassando Jim Clark e Jack Brabham.
  • Com os 4 pontos, Nick Heidfeld desempata de Ronnie Peterson e Alan Jones. O alemão tem 210 pontos conquistados, e agora tem à frente Clay Regazzoni, que tem 212 pontos. Heidfeld está na 35ª posição geral.
  • Kubica marcou o 128º ponto em sua carreira. Ultrapassou Nino Farina e Mike Hawthorn, posicionando-se no 55º lugar.
  • Heikki Kovalainen marcou hoje seu centésimo ponto. Agora ele faz parte do seleto grupo de 64 pilotos que bateram esta marca.
  • Outro que irá bater esta marca logo é Sebastian Vettel. Ele somou hoje 94 pontos em sua carreira e está na 68ª posição.
  • A Force India tornou-se a 73ª equipe a pontuar na história da Fórmula 1, e seus 8 pontos deixaram a equipe acima de muitas outras, na 53ª posição.

Brigas Internas!

Treinos classificatórios:

Luca Badoer 0 x 2 Kimi Räikkonen
Lewis Hamilton 8 x 4 Heikki Kovalainen
Robert Kubica 7 x 5 Nick Heidfeld
Fernando Alonso 2 x 0 Romain Grosjean
Jarno Trulli 9 x 3 Timo Glock
Jaime Alguersuari 0 x 3 Sebastien Buemi
Sebastian Vettel 11 x 1 Mark Webber
Nico Rosberg 10 x 2 Kazuki Nakajima
Giancarlo Fisichella 6 x 6 Adrian Sutil

Corridas:

Luca Badoer 0 x 2 Kimi Räikkonen
Lewis Hamilton 8 x 4 Heikki Kovalainen
Robert Kubica 5 x 7 Nick Heidfeld
Fernando Alonso 2 x 0 Romain Grosjean
Jarno Trulli6 x 6 Timo Glock
Jaime Alguersuari 1 x 2 Sebastien Buemi
Sebastian Vettel 4 x 8 Mark Webber
Nico Rosberg 12 x 0 Kazuki Nakajima
Giancarlo Fisichella 9 x 3 Adrian Sutil
Rubens Barrichello 3 x 9 Jenson Button

Que eu me lembre é isso. Se tratando de estatísticas, ou essa corrida foi morta, ou eu estou esquecendo de muita coisa…

GP da Bélgica – Um Kimi Räikkönen como nós o conhecemos

Kimi rumo à vitória, perseguido constantemente por um surpreendente Giancarlo

Kimi rumo à vitória, perseguido constantemente por um surpreendente Giancarlo

Mais uma vez o GP da Bélgica provou por que é o mais adorado do calendário: sem dúvidas, a prova mais emocionante do ano. Com um grid bem incomum, era natural que algumas surpresas acontecessem. Rubens Barrichello, com um carro muito leve, deveria rasgar atrás dos carros à frente para assumir o terceiro ou segundo lugar, já que era inevitável a futura liderança de Kimi Räikkönen, mas essa previsão acabou não se tornando realidade, quando a Brawn de Rubens entra em anti-stall e o piloto brasileiro cai para último no grid. Parecia que o pior para Rubens tinha se tornado realidade. Kimi aproveitou bem o estacionamento de supermercado que existe na saída da La Source, ultrapassando Trulli e Heidfeld, para logo depois deixar Robert Kubica para trás e posicionar-se atrás de Fisichella. Enquanto isso, alguns pilotos se matavam mais atrás…

O novato Grosjean toca em Jenson Button, que roda a fica parado na caixa de brita, enquanto o outro novato, Jaime Alguersuari, se atrapalha e bate em Hamilton, que vai direto ao encontro da barreira de pneus. O resultado são quatro carros fora da prova e Safety Car na pista. Bom para Rubens, que pode parar para colocar mais combustível e pode correr toda a prova com pneus duros. Rubens estava em último, justamente atrás de Trulli, famoso por ser difícil de ultrapassar, e do Badoer, lento mas armado com KERS. E esse mesmo KERS foi de vital importância, mas para o carro número 4. Quando o Safety Car entrou nos boxes, Fisichella não conseguiu despistar Kimi. O finlandês esboçou um ataque mesmo na freada da La Source, mas com toda sua frieza ele viu que a melhor chance era na Les Combes. Descendo até a Eau Rouge descarregando as baterias do sistema, Raikkonen manteve-se muito perto de Fisico, andando no vácuo da Force India por toda a Eau Rouge e apontando para o lado do italiano na curva Kemmel, pelo lado de fora – foi inevitável. A Ferrari saiu com muito mais velocidade na reta que leva à Les Combes. Kimi assumiu a liderança e parecia que dominaria a prova, como fez em 2007. Mas Fisichella mostrou que não era apenas uma carga leve de combustível que lhe deu a pole position ontem.

Enquanto isso, Rubens Barrichello retomava posições, ultrapassando Jarno Trulli, que estava com problemas nos setores 1 e 3, justo os melhores para se ultrapassar, e Luca Badoer, que não apresentou muita ameaça. Por um tempo, logo depois das primeiras voltas, a corrida ficou entediante, sem nada acontecendo. Kimi abriu perto de dois segundos de vantagem, mas Fisico manteve-se no encalço do finlandês, não deixando-o fugir muito. A briga pela vitória foi, desde o início, somente dos dois, pois Kubica ficava cada vez mais atrás. Parando juntos, nenhum dos pilotos teve vantagem sobre o outro, deixando tudo para se resolver na pista, e Kimi ainda teve sua parada atrapalhada pelo transito de carros que passavam pelo box da Ferrari no momento da saída do finlandês, sendo segurado pelo mecânico até que o caminho estivesse livre. E isto foi exatamente o que o mecânico da Red Bull não se preocupou em fazer na hora de liberar Mark Webber. O australiano saiu na cara de Nick Heidfeld, e por muito pouco não houve um toque dentro dos boxes, o que resultou em um drive through para Mark. Rubens agradeceu.

Ao fim, todas as atenções se voltavam para o trio da frente, Kimi, Fisico e Vettel. Enquanto os dois da frente estavam rigorosamente iguais em questão de tempos, Vettel vinha voando atrás, descontando meio segundo por volta dos dois líderes, mas no fim, nada mudou: Fisico continuou pressionando Kimi até o fim e Vettel teve de se contentar com o terceiro lugar.

Dito isto, alguns pitacos individuais:

Kimi Räikkönen: um ano e 5 meses. Foi esse o tempo que Kimi ficou sem beber sua Mumm do lugar mais alto do pódio. Claramente, Räikkonen é o atual dono de Spa. Nenhum outro piloto guia através das colinas e florestas Ardenas com tanta autoridade como o finlandês. É sua quarta vitória aqui e quase foi a quinta. Os únicos pilotos que venceram mais vezes o mesmo número de vezes do que ele em Spa Francorchamps foram as maiores lendas de suas épocas: Jim Clark (com quatro vitórias), Ayrton Senna (com 5 vitórias) e Michael Schumacher (com 6 trunfos).

Kimi trouxe à Ferrari a tão sonhada e inesperada vitória em 2009, o que com certeza é um alívio para a equipe e para eu também, como fã tanto da Scuderia como do Iceman. Corrida perfeita de um Räikkönen como nós o conhecemos em seu início de carreira. Está de parabéns.

Giancarlo Fisichella: mas foi mesmo Kimi o nome da corrida? Não, com certeza não. Este foi Giancarlo Fisichella, que mostrou por que os veteranos ainda continuam guiando um Fórmula 1. Foi preciso durante toda a corrida, o que tem sido seu hábito desde que entrou na Force India, e manteve-se perto de Kimi o tempo todo, pressionando-o. O objetivo de Vijay para este ano – os primeiros pontos – finalmente foi alcançado depois de tanto “bater na trave”, e não poderia ter sido de um modo mais honroso: com um pódio. Tá, poderia ter sido melhor sim, pois a vitória estava a apenas 9 décimos de distância, mas o segundo lugar está ótimo. Foi um feito para não esquecermos.

Esperem mais da Force India este ano, mas não necessariamente com Giancarlo no cockpit – não seria surpresa se ele substituir o substituto na Ferrari.

Sebastian Vettel: largou mal, mas conseguiu se recuperar e saiu de um fraco 8º lugar para o degrau mais baixo do pódio. Vettel mostrou que o RB5 poderia andar bem em Spa sim, mas não era tão superior como todos imaginavam. Agora ele ultrapassou o companheiro de equipe na tabela e está a 3 pontos de Barrichello e 19 de Button. Sinceramente, duvido que seja campeão, ou mesmo que chegue em segundo lugar, mas continuará sendo uma pedra no sapato da Brawn.

Rubens Barrichello: largada péssima. Está na hora de averiguar se o problema do anti-stall é do carro ou se é erro de Barrichello mesmo. É a terceira vez que acontece esse ano, o que me leva a crer se Barrichello tem sua parcela de culpa nisso. Mas sua corrida de recuperação foi ótima, conseguindo algumas belas ultrapassagens na Les Combes e protagonizando o momento da prova: ultrapassou Mark Webber na Blanchimont por fora! Tem que tem muito “balls” para fazer isso! Creio que além de mim, muitos outros levantaram do sofá quando viram a ultrapassagem de Rubinho.

Mark Webber: vinha bem até ser penalizado com o drive through, o que eu acho uma injustiça. Não com Mark, mas com todos os que tomam punições iguais a essa, mas se a FIA já começou a punir os pilotos assim, que se mantenha assim então. Depois daquilo, praticamente sumiu na prova. Não pontua há duas corridas e suas chances de título estão cada vez mais improváveis.

BMW: do fundo do poço para um quarto e quinto lugares. Não que seja ótimo – era no mínimo a obrigação deles para esta temporada. Não será a redenção dos bávaros, mas dimiui um pouco a vergonha.

Spa Francorchamps: nenhuma outra pista este ano teve tantas ultrapassagens quanto em Spa. Era só ver como os carros se seguiam de perto pela Eau Rouge para perceber que as mudanças de regulamento técnico serviram para alguma coisa, mas o que não ajuda são as pistas! Abandonem os Tilkedromos e criam mais pistas como Spa já, onde mesmo sem chuva temos corridas emocionantes.

O campeonato continua aberto, mas Jenson Button agredece pelo sexto vencedor diferente nas últimas 6 corridas. Enquanto isso, aguardamos anciosamente o Grande Prêmio da Itália, no outro templo do automobilismo mindial…

Logo mais à tarde as estatísticas, e abaixo, o resultado da prova.

RESULTADO DA PROVA:

Driver Team Time
1st Kimi Räikkönen Ferrari 1:23:50.995
2nd Giancarlo Fisichella Force India Mercedes (+)0.9
3rd Sebastian Vettel Red Bull Renault (+)3.8
4th Robert Kubica BMW Sauber (+)9.9
5th Nick Heidfeld BMW Sauber (+)11.2
6th Heikki Kovalainen McLaren Mercedes (+)32.7
7th Rubens Barrichello Brawn Mercedes (+)35.4
8th Nico Rosberg Williams Toyota (+)36.2
9th Mark Webber Red Bull Renault (+)36.9
10th Timo Glock Toyota (+)41.4
11th Adrian Sutil Force India Mercedes (+)42.6
12th Sebastien Buemi STR Ferrari (+)46.1
13th Kazuki Nakajima Williams Toyota (+)54.2
14th Luca Badoer Ferrari (+)88.1
15th Fernando Alonso Renault Out
16th Jarno Trulli Toyota Out
17th Jenson Button Brawn Mercedes Out
18th Romain Grosjean Renault Out
19th Lewis Hamilton McLaren Mercedes Out
20th Jaime Alguersuari STR Ferrari Out

Por que o GP da Bélgica é mágico (parte 4 de 4)

O último vídeo da série aconteceu no ano passado. Preciso dizer sobre qual momento estou falando? É claro que é o final da corrida. Kimi parecia caminhar tranquilamente para sua quarta vitória consecutiva em Spa Francorchamps, até que o destino resolveu rolar os dados mais uma vez no final da prova, com aquilo que é quase um cliché nas corridas em Spa: chuva.

A três voltas do fim, Hamilton ataca Räikkonen na Bus Stop. O finlandês tem a linha de dentro da curva, mas Hamilton força. Quando viu que Kimi não tornaria as coisas mais fáceis para o seu lado, Hamilton  teve de tirar o carro para fora do traçado, cortando a chicane (que mais parece dois harpins grudados) e saindo à frente de Kimi, tendo de devolver a posição (o que gerou muita discussão depois e eu, particularmente, defendo a punição que ele tomou), para depois retomá-la na La Source.

A partir daí o que se viu foi um duelo frenético, onde Kimi e Lewis saem da pista e trocam de posições várias vezes, até que Kimi, que estava acelerando tudo por não ter nada a perder, rodou e encontrou o muro. E enquanto isso, Heidfeld e Alonso, que haviam parado para colocar pneus intermediários, “empalaram” vários outros pilotos na ultima volta para chegar em terceiro e quarto, respectivamente. Final de corrida mais emocionante que esse só o do GP do Brasil ano passado.

E esse ano? O que emoções podemos esperar do Grande Prêmio da Bélgica? Chuva? Acidentes? Ou uma simples – e bela – corrida disputada? A seção de comentários é sua para dar sua opinião…

Guilherme

GP da Bélgica – Prévia

Saindo da beleza plástica da pista valenciana, a Fórmula 1 chega a um dos maiores templos do automobilismo mundial, pista preferida de quase todos os pilotos e de uma beleza (real) de tirar o fôlego. Estamos falando de Spa Francorchamps…

Irá Kimi manter seu bom retrospecto no "templo"?

Irá Kimi manter seu bom retrospecto no "templo"?

Cravado no meio das colinas e florestas da região de Ardenas, o circuito de Spa-Francorchamps é um mito, uma lenda do automobilismo mundial, cujas curvas são lembradas em nome e traçado pela grande maioria dos fãs do esporte. Mesmo que hoje o traçado tenha menos da metade da distância da configuração original, a pista nunca perdeu sua identidade, que sempre consistiu de longas retas e curvas rápidas em meio às árvores e elevações de terreno, misturado à constante possibilidade de chuva.

E quem se dará melhor esse ano? Brawn? Red Bull? Kimi? Hamilton? Vamos analisar…

Red Bull: Como todos sabem, a pista é uma das mais rápidas do calendário, com varias retas e curvas de alta, e numa região onde geralmente se faz frio e chove. Essas condições são favoráveis aos carros da Red Bull, teoricamente. Mark Webber deve vir com força total, pois sabe que um bom resultado é fundamental depois do fraquíssimo desempenho em Valência, além de ter marcado pontos em Spa em todas as corridas que completou. Vettel deve estar indo para o “tudo ou nada”. Mesmo com apenas dois motores restantes para toda a temporada, prudência não é a melhor estratégia para quem está 25 pontos atrás do lider do campeonato. Ele teve uma ótima corrida lá ano passado, chegando em 5º com a Toro Rosso, e se chover as coisas estarão como ele gosta. Isso significa que a Red Bull irá dominar a corrida e a Brawn não irá aparecer? Não é assim que eu vejo…

Brawn GP: parece ter sido mais coincidência os resultados fracos da equipe nos frios GPs da Inglaterra e Alemanha. Foi lá que a equipe introduziu um pacote aerodinâmico que não vingou, o que se pode constatar no GP da Hungria, onde nem as altas temperaturas impediram uma performance apagada da equipe de Ross Brawn. Deveremos ver ela andando um pouco atrás da Red Bull, mas nada tão expressivo como foi na Alemanha. São favoritos ao pódio e, caso o clima belga nos contemple com pancadas de chuva (e consequentemente um troca-troca de pneus), podemos sim vê-los no alto do pódio.

Kimi Räikkönen: o finlândes venceu lá três vezes seguidas e por pouco ele não conquistou seu quarto trunfo consecutivo ano passado. É uma de suas pistas preferidas e nas últimas corridas nós vimos Kimi pilotando “com o interruptor ligado”. O Iceman parece motivado apesar do carro que tem e vai partir para cima nessa que pode ser a melhor chance da Ferrari (leia-se Kimi, pois Badoer não vai a lugar algum) ganhar uma corrida nesse ano.

Lewis Hamilton: a McLaren transformou seu carro, que era um fiasco de marca maior, em um legitmo vencedor, e o homem que propulsionou o carro à vitória foi Lewis Hamilton. Mas irá ele repetir a façanha na pista que teoricamente deve expor os defeitos do MP4/24? Irá o KERS ser util na largada com a curta reta até a La Source? Ou descarregá-lo na saída da Eau Rouge será mais eficiente? Talvez a McLaren não seja favorita a vitória, mas deverá roubar alguns pontos dos lideres do campeonato.

Perguntas, dúvidas, incertezas. Temos seis homens capazes vencer a corrida e só poderemos ter uma idéia melhor depois das 10 horas da manhã de sábado aqui no Brasil. O provável melhor GP do ano está se aproximando, e trás com ele momentos decisivos para o campeonato. Emoções não faltaram no Grande Prêmio da Bélgica.

Guilherme