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GP de Abu Dhabi – mais um ‘palco’ para o ‘show’ (prévia)

Amanhã finalmente começa a ação na mais nova pista do calendário da Fórmula 1, o impressionante circuito de Yas Marina. Keith Collantine publicou em seu blog novas fotos da pista, e não foi surpresa ver que a maioria delas retratam o magnífico hotel no meio do autódromo ou as arquibancadas, enquanto poucas (se algumas) mostram novos ângulos do traçado.

Queremos ver o traçado ou um hotel que muda de cor?

Queremos ver um bom traçado ou um hotel que muda de cor?

A pista é, de fato, uma obra prima da engenharia e arquitetura. A ALDAR Properties, construtora líder nos Emirados Árabes Unidos, anunciou investimentos de mais de 72 bilhões de dolares nos próximos anos na ilha, visíveis na magnitude da estrutura, mas o layout da pista, o que realmente interessa, ainda é um típico Tilkedromo: chicane, reta pequena, hairpin, reta absurdamente longa, hairpin, reta absurdamente longa de novo, curvas quadradas, etc…

Porém, de todas as pistas do arquiteto alemão, esta parece que não será a pior, graças às “perfumarias” inéditas na categoria, como o hotel mega-luxuoso da foto que ilustra este post, ou a noite que cairá durante a corrida – pode não ser nada lógico do ponto de vista ambientalista, mas que será um espetáculo a parte, será!

Mas eu, infelizmente, não espero mais nada de Yas Marina além de ser mais um “palco” para o “show” da Fórmula 1 sedenta por entretenimento de massa. Espero que eu esteja errado…

Sendo uma pista nova, fica difícil prever um favorito, restando a nós basearmos nossos achismos em cima das performances relativas que presenciamos em pistas parecidas, mas o consenso geral é de que a McLaren (leia-se Lewis Hamilton) é franca favorita à vitória, com a Red Bull, Brawn e Ferrari (leia-se Kimi Räikkönen) disputando as outras posições mais altas.

Preste atenção durante a corrida em:

Red Bull: o time de Milton Keynes vem de duas vitórias seguidas, mas, apesar de serem configurações de pista totalmente diferentes, o RB5 deve vir forte também para Yas Marina – o quarto lugar de Vettel em Cingapura mostra que o carro também pode ser competitivo em pistas de curvas fechadas.

McLaren x Ferrari: dois gigantes do esporte relegados a disputar a terceira posição nos construtores. A equipe inglesa tem tudo para vencer os italianos nessa disputa: um carro mais desenvolvido, um ponto de vantagem na tabela e dois pilotos familiarizados com o carro.

O engraçado desta disputa é que a Ferrari já desistiu do campeonato faz tempo – o F60 foi abandonado em meados de julho, enquanto o MP4/24 foi desenvolvido até o final de setembro. Como se não bastasse, os rossos têm apenas um piloto (que vem fazendo um trabalho soberbo) desde o acidente de Massa na Hungria.

Agora imagine que este handicap para a Ferrari não existisse: com certeza os prateados só veriam a Ferrari quando eles parassem nos boxes, e provavelmente com o terceiro lugar garantido mesmo antes de Abu Dhabi.

Hamilton x Räikkönen: nem Button, nem Barrichello, nem Vettel e nem Webber. Os melhores deste ano foram, sem dúvidas, Hamilton e Räikkönen. Os dois mostraram diversas vezes do que verdadeiros campeões são feitos, mesmo com carros muito aquém de seus talentos. Carros estes que hoje nos possibilitam vê-los batalhando apenas pelo quinto lugar no campeonato. O inglês é favorito, tendo o finlandês de marcar dois pontos a mais que Hamilton para garantir esta posição à frente, que provavelmente garantirá também o terceiro lugar nos construtores de suas equipes.

Barrichello x Vettel: mesmo que o jovem alemão diga que “o segundo é o primeiro perdedor”, duvido que ele gostaria de perder esta para Barrichello. Com Button campeão, o time se volta inteiramente para selar um ano perfeito com Barrichello em segundo lugar, mas a visível decadência do BPG 001 pode atrapalhar os planos da equipe.

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Autódromo de Jeonnam em construção

O calendário do ano que vem terá duas provas a mais do que o deste ano: o ressurgente GP do Canadá no Circuito Gilles Villeneuve e uma etapa estreante, seguindo o atual clichê da F1: pistas asiáticas, em países sem um pingo de tradição no automobilismo, e desenhadas por Hermann Tilke.

Depois de desenhar sete autodromos, dá para perceber que ou a criatividade do arquiteto alemão está se esgotando, ou ele tem uma tara por marinas – suas últimas quatro pistas de Fórmula 1 (Valência, Marina Bay, Yas Marina e Jeonnam) estão à beira de marinas, talvez numa tentativa desesperada de emular Mônaco. Oras, o que faz uma pista é seu traçado e/ou sua tradição, não os iates atracados nas proximidades.

Veja algumas fotos (clique para ampliar as miniaturas):

Esquema renderizado do autódromo sul-coreano

Esquema renderizado do autódromo sul-coreano

Esta pista, na minha opinião, tem tudo para ser a mais sem graça já feita pelo Tilke. Repare bem e você verá como ela lembra o traçado de Sepang, com duas extensas retas em sucessão após longas curvas arredondadas.

No projeto não aparecem nem belas construções como em Abu Dhabi para embelezar o local. O marina deve fazer sua graça, mas não espere vê-lo lotado de embarcações chiques e mulheres bonitas como em Mônaco.

O projeto é sim um ótimo exemplo de o quão impressionante é a capacidade da engenharia – o canal e a ilha que aparecem no render são artificiais, e não é pouca a quantidade de terra que deverá ser retirada do local para formá-los.

Mas não há tradição, excitação e nem vida neste traçado. Infelizmente teremos de engolir, por alguns anos, mais um autódromo criado com o simples objetivo de ser bonito para gerar o “entreterimento” artificial da Fórmula 1 de Bernie Ecclestone.

Alguém aí animado para o Grande Prêmio da Índia?!