Onde foi que deu errado?

Disfaradamente, badgeboards e shields sempre estiveram ali.

Disfarçadamente, badgeboards e shields sempre estiveram ali.

A temporada de 2009 vai chegando ao fim e, montando uma retrospectiva em nossas mentes, ficamos com a impressão de que fomos enganados com uma promessa de Fórmula 1 mais emocionante, mais disputada. Entretanto, foi tudo uma mistura de propaganda enganosa com altas expectativas por nossa parte, o que gerou certa decepção.

As regras técnicas mudaram radicalmente com o propósito de “melhores corridas”, mas no fim o que tivemos foram carros feios e que continuam sensíveis aerodinamicamente.

Leia mais (atenção para um post nerd e extenso…)

Fardo nipônico

Durante este ano, a cena mais comum de se ver na Fórmula 1 era a festa de um time cujos carros eram brancos e seus mecânicos se vestiam de preto. De um jeito dominante, aquele time conquistou oito vitórias no ano e sagrou-se campeão de ambos os títulos com uma corrida de antecedência.

Participando dos eventos sob uma licença britânica e sendo impulsionados por um motor alemão, as vezes até esquecemos que a Brawn GP é hoje o que um dia foi uma equipe japonesa chamada Honda. Mas teria o time obtido tanto sucesso se continuasse sob o controle japonês?

Honda testando um protótipo de asa dianteira em 2008

Honda testando um protótipo de asa dianteira em 2008

Fazendo uma analise profunda dos motivos para o sucesso do time, a resposta mais provável é “não”. Não por incapacidade da equipe travestida de mapa mundi, mas sim pelo fato de que seu maior trunfo – o efeito surpresa – seria anulado.

Apesar do time que hoje conhecemos por Brawn GP ter sido criado apenas semanas antes da primeira corrida do ano, o BGP001  já tinha quase 10 meses de gestação sob o nome de RA109. Passando toda a pré-temporada procurando por um comprador, a equipe conseguiu esconder seus segredos dos outros. Imaginando um cenário onde a Honda não tenha abandonado o esporte, o carro seria lançado no início de janeiro e iria para todas as baterias de testes coletivos. Assim, a saga dos difusores duplos começaria mais cedo, a aprovação da FIA viria mais cedo, e a concorrência alcançaria o time de Ross igualmente mais cedo. Alguns podem dizer que a Toyota e a Williams também tinham difusores duplos, mas é mais provável que ou eles não extraíram o máximo do dispositivo ou os motores da Toyota são verdadeiras bombas.

Mas por melhor que seja a aerodinâmica do carro, ele ainda é movido por um motor. E nessa “peça” residia talvez o mais crônico dos problemas de performance da Honda, e isso não é pura especulação: veja os resultados da equipe ano passado em “power tracks” como Spa e Monza, onde eles terminaram uma (ou quase uma) volta atrás.

A troca para os Mercedes foi, então, como se livrar de uma cruz que a equipe carregava nas costas. Os motores alemães já não eram mais frágeis como eram entre 2005 e 2006, e a velocidade da McLaren nos dois anos anteriores frente aos Ferrari demonstrava que a “usina” era uma das mais fortes da atualidade.

Apesar de o primeiro conjunto chassi-motor ter sido montado apenas no início de março, o casamento foi perfeito.

Somando o fator surpresa com o motor mais potente do grid, os resultados tendem a ser altos, como foram na primeira metade do campeonato, mas com certeza a equipe se beneficiou pelo fato de não estar mais atrelada à montadora japonesa. Com autonomia e competência, Ross Brawn pôde focar-se naquele que julgava ser o melhor caminho, e ninguém sabe mais do que ele por onde andar e no quê investir.

Caso fosse o contrário, Ross e Fry iriam dever resultados para a Honda e seriam forçados a investir em áreas que provavelmente não trariam o mesmo retorno – KERS é um exemplo. Teriam de engolir também, no lugar de Rubens Barrichello, Bruno Senna,  cuja performance com certeza não chegaria nem perto da do veterano.

Uma bênção.

É isso que foi a saída da Honda. Caso eles resolvessem continuar, o máximo que conseguiriam seriam duas ou três vitórias no início da temporada e lutariam pelo segundo lugar nos construtores com Ferrari, McLaren e Toyota, entrando em decadência na medida em que a temporada avançava. Já a Red Bull, sem concorrência, dominaria as tabelas.

Imprevisível, mas ao mesmo tempo óbvio: este era o potencial ‘escondido’ da Brawn GP, que veio à tona quando o fardo chamado “Honda” resolveu desligar a tomada de suas ambições na Fórmula 1.

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Seria a raiva de Trulli justificável?

O acidente entre Trulli e Sutil nos presenciou com uma cena bizarra: Trulli, furioso, encheu Sutil de broncas, como se estivesse falando com um cachorro que mijou no tapete da sala. Assista ao vídeo abaixo.

Analisando o vídeo em cada segundo importante, podemos ver de quem foi a culpa, se é que foi de alguém em específico.

  • Aos 38 segundos, Kimi Räikkönen perde metade da asa em contato com Mark Webber.
  • Logo mais, aos 43 segundos, Sutil se aproxima rapidamente da Ferrari desfalcada de Kimi, tendo de frear para não acertar em cheio a traseira do finlandês. Isso possibilitou o ataque de Trulli a Sutil.
  • Aos 48, Trulli aparece no canto direito do vídeo. Ele já estava lado a lado com Sutil, mas o alemão não deu espaço para o italiano, que teve de colocar duas rodas na grama.
  • Aos 50 segundos, Sutil é abalroado por Trulli. Percebam que Sutil estava andando no meio da pista e não meche em sua direção em nenhum momento, ou seja, ele não forçou a batida com Trulli.

Ao que parece, os dois estavam errados. Sutil não deveria ter fechado tanto a porta para Trulli na saída da Descida do Lago, assim como Trulli não deveria ter atacado naquele momento, pois visivelmente não havia espaço suficiente – mesmo que ele ultrapassasse o Adrian, ele teria o Kimi bloqueando seu caminho.

Como o assunto é passível de interpretação, responda a enquete, diga quem você considera culpado e faça as considerações que desejar na seção de comentários.


GP do Brasil – arrojo e ‘sorte de campeão’ asseguraram o título a Jenson

A corrida em Interlagos, como sempre, foi uma caixinha de surpresas. Apesar da probabilidade de 80% de chuva na região do autódromo paulista, não caiu uma gota sequer, facilitando a vida de Mark Webber para conquistar a segunda vitória em sua carreira. Contudo, quem tem mesmo motivos para sorrir é Jenson Alexander Lyons Button.

Massa dá a bandeirada para um novo campeão

Massa dá a bandeirada para um novo campeão

Um mix de sorte e competência marcou esta corrida do mais novo campeão mundial. Os acidentes de Kimi Räikkönen, Adrian Sutil, Jarno Trulli e Fernando Alonso renderam-lhe quatro posições “de graça” logo na primeira volta, somada à posição de Jaime Alguersuari que conquistou em pista. Somados todos os fatos, Jenson foi catapultado à nona posição antes do final da primeira volta.

A partir daí, Button foi ótimo. Apesar de ficar trancado pelo impressionante Kamui Kobayashi durante algumas voltas, Jenson conseguiu ultrapassagens essenciais e permaneceu dentro do limite necessário para levar o título para casa ainda em São Paulo.

Mas sorte não faltou ao jovem inglês – Vettel largou muito atrás para fazer qualquer ameaça e Rubens teve o pior dos azares com seus jogos de pneus. Seu segundo jogo de pneus médios pareceu não render tanto quanto o primeiro, mesmo quando o carro ficou mais leve. Não bastasse isso, Lewis Hamilton pressionou o brasileiro durante mais da metade do seu segundo stint. E como tudo que está ruim pode piorar, Rubens sofre um furo em um de seus pneus dianteiros, obrigando-o a fazer uma nova parada. O pódio do brasileiro se converteu em um oitavo lugar, e automaticamente no título do seu companheiro de equipe.

Destaques

Mark Webber: enquanto os outros se matavam lá na atrás, Webber caminhou tranquilo para sua segunda vitória. Assim como na Alemanha, Webbo foi rápido e preciso, abrindo vantagem suficiente para voltar de sua segunda parada à frente de Robert Kubica. Pena que sua reação no campeonato demorou demais…

Robert Kubica: primeiro pódio do ano para o polonês. Largando em oitavo, contou com o arranca-rabo de três pilotos à sua frente, mas ainda assim fez uma corrida bem sólida.

Kamui Kobayashi: meu guri! Segurou o campeão Button durante várias voltas e deu um lindo X no inglês, mostrando que é arrojado e tem velocidade. Talvez seja melhor salientar que esta é a primeira experiência de pista seca do rapaz em no bólido da Toyota. Uns dirão que ele pilotou em condições normais durante os testes da pré-temporada, mas o carro evoluiu demais desde então. Não há comparação. Que fique na Fórmula 1!

Sebastian Vettel: novamente, o baby Schumi mostrou que não sabe mesmo ultrapassar. Vai demorar quanto pra aprender?

Romain Grosjean: não acho adjetivos para descrever a corrida deste rapaz. Então eu vou com o mais próximo: terrível! Não consegui contar, mas acho que em apenas uma volta ele tomou três ultrapassagens, mais ou menos. Ficar com o Piquetzinho no time não era uma má idéia…

Brawn GP: Último, mas não menos importante. Se desse para escrever a história da equipe em um livro, ele seria popular na seção de contos da fadas, pois pela primeira vez na história, um time estreante é campeão de construtores! Está certo, com muitos yens da Honda, mas eles ganharam o título…

RESULTADO FINAL:

Piloto Equipe Tempo
Mark Webber Red Bull Renault 1:32:23.081
Robert Kubica BMW Sauber (+)7.6
Lewis Hamilton McLaren Mercedes (+)18.9
Sebastian Vettel Red Bull Renault (+)19.6
Jenson Button Brawn Mercedes (+)29.0
Kimi Räikkönen Ferrari (+)33.3
Sebastien Buemi STR Ferrari (+)35.9
Rubens Barrichello Brawn Mercedes (+)45.4
Kamui Kobayashi Toyota (+)63.3
10º Giancarlo Fisichella Ferrari (+)70.6
11º Vitantonio Liuzzi Force India Mercedes (+)71.3
12º Heikki Kovalainen McLaren Mercedes (+)73.4
13º Romain Grosjean Renault (+)1 Volta
14º Jaime Alguersuari STR Ferrari (+)1 Volta
15º Kazuki Nakajima Williams Toyota DNF
16º Nico Rosberg Williams Toyota DNF
17º Nick Heidfeld BMW Sauber DNF
18º Adrian Sutil Force India Mercedes DNF
19º Jarno Trulli Toyota DNF
20º Fernando Alonso Renault DNF

F1 Games – Nigel Mansell’s World Championship

Esconde-esconde, pega-pega, bolita, taco, bafo, jogar ovo podre no banheiro dos vizinhos pela janelinha… Toda criança que se preze já brincou disso, mas talvez o brinquedo mais marcante nas crianças da minha geração foi o videogame. Possibilitando ao jogador “viver” em um mundo que considere ideal, é apenas através de um videogame que as pessoas conseguem “realizar” seus sonhos mais malucos. No nosso caso, um jogo de Fórmula 1 é o mais próximo que muitos chegarão de participar de um Grande Prêmio.

Para mim, minha carreira de piloto começou no natal de 1995, quando ganhei o que era o Xbox da época: um Super Nintendo.

Mas eu tinha apenas 4 anos, e meu gosto por automobilismo ainda estava adormecido. Para ajudar, eu não tinha nenhum jogo de corrida, e apenas anos depois, quando eu troquei com um amigo minha fita do Mortal Kombat II pela dele do Top Gear, que conheci um jogo de corridas. E por muito tempo me diverti com ele…

Era muito comum a troca de fitas entre amigos, e, numa dessas, descobri um jogo de Fórmula 1, cujo nome era de difícil pronúncia para mim na época: Nigel Mansell’s World Championship. Não fazia idéia de quem era esse tal de Nigel Mansell, mas queria ver o jogo de qualquer forma.

Tela de apresentação

Tela de apresentação

Liguei a fita no aparelho e procurei o modo de jogo que queria (não sabia inglês, mas tinha uma baita sorte pra isso), e a próxima tela mostrou um globo com várias bandeiras ao redor – era a tela para escolher a pista. Fui direto na bandeira do Brasil, apesar de não saber o que era Interlagos. Escolhida a pista, é mostrado um desenho de um carro azul e amarelo… e mais desenhos que eu não entendia o que significavam. Cliquei no “Race” (isso eu sabia o que significava!), e a partir daí meu vício tomou novas proporções…

O jogo

Nigel Mansell’s World Championship retrata a temporada de 1992 (com esse título, não podia ser outra) do leão na Williams. Lançado em 1993, o jogo tinha duas versões: a japonesa e a ocidental, cujas diferenças estão apenas em nomes. Enquanto aqui no ocidente jogo terminava com “World Championship”, lá terminava com “F-1 Challenge”.

Ambas as versões tinham as mesmas doze equipes, mas não os mesmos doze pilotos – Ayrton Senna não era piloto da McLaren na versão ocidental, talvez por seus direitos de imagem valerem muito mais aqui do que lá na época, e em seu lugar colocaram Gerhard Berger. Os outros pilotos eram Schumacher (Benetton), Häkkinen (Lotus), Alesi (Ferrari), de Cesaris (Tyrrell), Suzuki (Footwork), Comas (Ligier), Wendlinger (March), Martini (Dallara), Katayama (Larrousse) e Modena (Jordan).

A força dos oponentes era bem proporcional à realidade: Berger e Schumacher incomodavam em todas as corridas, enquanto Modena conseguia tomar três voltas em corridas que não tinham mais do que sete…

Outro ponto positivo do jogo eram as pistas: as 16 da temporada estavam presentes, e todas muito bem retratadas: Interlagos, por exemplo, tem morros parecidos com os do Rio de Janeiro no horizonte, os boxes ficam na reta oposta (isso acontecia em todas as pistas) e há uma chicane antes da Descida do Lago…

"Interlagos"... sei...

"Interlagos"... sei...

Mas mesmo assim, é um jogo divertidíssimo, embora não pudesse fazer frente ao Ayrton Senna’s Super Monaco GP II, para Mega Drive.

Nigel Mansell’s World Championship cheira a nostalgia e saudosismo. Quem nunca jogou, procure a ROM e jogue em um emulador, e quem já jogou, tire a poeira de seu Super Nintendo e vá matar a saudade.

Por que eu desejo, mais do que nunca, o bi-campeonato de Kimi

Já vou avisar aqui no início: desliguei todos meus sensores de imparcialidade, para que eles não apitem enquanto eu estiver escrevendo este texto e me façam reescrevê-lo de modo mais parcial… ou mesmo jogá-lo fora de uma vez.

Última garrafa de champagne pela Scuderia?

Seria a última garrafa de champagne pela Scuderia?

Campeão Mundial de 2007, contribuição na conquista de dois títulos de construtores, 9 vitórias, 26 pódios, 230 pontos, 16 voltas mais rápidas. Esses são os números de Kimi Räikkönen na Ferrari. É um ótimo retrospecto (e mesmo quem não gosta do finlandês tem de reconhecer), mas mesmo assim, a Ferrari achou que seus serviços não eram mais necessários.

Finalmente Stefano Domenicali falou ontem, de um jeito mais aberto, sobre a dispensa do Iceman. Confira este trecho, como está no F1 Around:

Eu considero Räikkönen, em todos os sentidos, no mesmo nível de Fernando, Felipe, Lewis. Então, por que mudar? Porque tenho certeza que nossa equipe, a Ferrari, necessita de um homem parecido com Schumi no trato com a equipe. Kimi é muito rápido, muito competitivo, mas também muito fechado, introvertido. Não é uma limitação ou defeito: é o seu temperamento. Com um carro vencedor ele é perfeito. Com um carro para desenvolver e uma equipe para liderar, eu acredito que Alonso é superior. Eu expliquei isso para Räikkönen: ele não ficou feliz, mas entendeu.

Eu sei que ele [Räikkönen] está conversando com McLaren, Brawn, Red Bull. Eu sei que em 2010 ele será um grande oponente.

Stefano Domenicali

Mesmo com a explicação, a troca de pilotos não parece fazer muito sentido. Se ele mesmo diz que Kimi e Fernando estão no mesmo nível em todos os sentidos, conclui-se que a própria equipe acredita que Alonso não fará nada melhor que Räikkönen. Logo abaixo ele entra em contradição com sua primeira afirmação, dizendo que acredita que Alonso é melhor com um carro para desenvolver. Agora compare com o trechinho sublinhado que destaquei…

É ilógico dispensar um piloto por ser “introvertido” apesar de ser rápido. Oras, não é o que toda equipe deseja? Um piloto talentoso, competitivo e que não fala o que não deve nem se mete em escândalos e polêmicas?

Alonso, por sua vez, também é talentosíssimo e competitivo, mas esteve envolvido em dois escândalos de proporções estratosféricas em dois anos consecutivos, além de ser manhoso e “reclamão” (os Alonsistas que me perdoem, mas ele é!): o típico piloto que morre de amores pela equipe, enquanto ela é dele. Nós vimos como ele agiu com o novato Hamilton em 2007, e não é dizendo que “não foi perfeito com Lewis na McLaren” que irá se redimir pelos pitis que deu nas bandas de Woking, muito menos significa que não ficará descontente em ver a equipe não lhe dando a merecida (ou a que ele acha que merece) atenção.

A dupla Massa-Räikkönen era perfeita: o latino carismático, desbocado e de sangue quente, que não é o melhor piloto do mundo, mas é muito trabalhador, acompanhando o finlandês introvertido, porém voador, discreto e focado no seu trabalho.

Agora com Massa e Alonso, teremos dois pilotos latinos e de sangue quente, o que desequilibrará a balança. Os primeiros atritos já começaram, como você pode ver aqui e aqui. Desespero do Massa? Talvez, mas quando Domenicali diz que “a Ferrari necessita de um homem parecido com Schumi no trato com a equipe”, ele assume automaticamente o status de Número 1 do asturiano e crava o punhal nas costas do brasileiro.

Um precioso soldado

Com a rescisão contratual, a Ferrari literalmente pagará para Kimi correr pelo inimigo! Enquanto a Ferrari terá uma dupla de pilotos marrentos, as duas prováveis futuras equipes de Kimi serão fortíssimas:

  • Se ele for para a McLaren, a equipe terá novamente dois pilotos campeões mundiais pilotando seus carros – a última vez que isso aconteceu foi em 1989 com Senna e Prost. Além de podermos medir novamente o talento de Hamilton contra um campeão do porte de Räikkönen, o título de construtores para a McLaren seria praticamente uma certeza, caso o MP4/25 venha a ser um carro decente.
  • E caso ele vá para a Red Bull, estará pilotando para uma das equipes mais fortes de 2009, sentará sua bunda em mais um projeto de Adrian Newey e terá ao seu lado ninguém menos que a maior promessa atual do automobilismo: Sebastian Vettel. Some isso ao estilo cool, baladeiro e descontraído da Red Bull, que cai como uma luva no “introvertido” Iceman.

E enquanto isso, a Ferrari não cria coragem de empregar dois campeões em seus carros: o que poderia se chamar de “dupla de campões” na Ferrari foi em 1990, mas Mansell ainda não era campeão àquela altura de sua carreira. Uma dupla campeã de verdade nunca passou por Maranello.

Desejo deste blogueiro

Sou Ferrarista assumido, desde que comecei a assistir o esporte frequentemente em 1998, mas sou torcedor do Kimi Räikkönen também. Desejo, do fundo do meu coração, que Kimi seja campeão com outra equipe (até mesmo a McLaren, que tanto detesto) e leve consigo o título de construtores, tudo pago com os euros do Montezemolo.

Eu sei que isso tem ar de vingança – e tem mesmo -, mas adoraria ver Kimi ensinando à Ferrari (e principalmente ao Domenicali) que não se trata um piloto do seu calibre, justamente aquele que vem carregando o time nas costas por metade do campeonato em um carro medíocre, com tamanha falta de respeito

Autódromo de Jeonnam em construção

O calendário do ano que vem terá duas provas a mais do que o deste ano: o ressurgente GP do Canadá no Circuito Gilles Villeneuve e uma etapa estreante, seguindo o atual clichê da F1: pistas asiáticas, em países sem um pingo de tradição no automobilismo, e desenhadas por Hermann Tilke.

Depois de desenhar sete autodromos, dá para perceber que ou a criatividade do arquiteto alemão está se esgotando, ou ele tem uma tara por marinas – suas últimas quatro pistas de Fórmula 1 (Valência, Marina Bay, Yas Marina e Jeonnam) estão à beira de marinas, talvez numa tentativa desesperada de emular Mônaco. Oras, o que faz uma pista é seu traçado e/ou sua tradição, não os iates atracados nas proximidades.

Veja algumas fotos (clique para ampliar as miniaturas):

Esquema renderizado do autódromo sul-coreano

Esquema renderizado do autódromo sul-coreano

Esta pista, na minha opinião, tem tudo para ser a mais sem graça já feita pelo Tilke. Repare bem e você verá como ela lembra o traçado de Sepang, com duas extensas retas em sucessão após longas curvas arredondadas.

No projeto não aparecem nem belas construções como em Abu Dhabi para embelezar o local. O marina deve fazer sua graça, mas não espere vê-lo lotado de embarcações chiques e mulheres bonitas como em Mônaco.

O projeto é sim um ótimo exemplo de o quão impressionante é a capacidade da engenharia – o canal e a ilha que aparecem no render são artificiais, e não é pouca a quantidade de terra que deverá ser retirada do local para formá-los.

Mas não há tradição, excitação e nem vida neste traçado. Infelizmente teremos de engolir, por alguns anos, mais um autódromo criado com o simples objetivo de ser bonito para gerar o “entreterimento” artificial da Fórmula 1 de Bernie Ecclestone.

Alguém aí animado para o Grande Prêmio da Índia?!