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Archive for the ‘Política no Esporte’ Category

Efeito Dominó

Em um curto anúncio, o ING Renault F1 Team anunciou a queda de duas peças neste dominó do Crashgate: Briatore e Symonds.

Symonds e Briatore: dispensados pela Renault

Symonds e Briatore: dispensados pela Renault

Na verdade, não é nenhum espanto. Uma mega-empresa como a Renault não pode deixar que a atitude isolada de duas pessoas afete o time como um todo. Tal propaganda negativa tem impacto nas vendas de carros da marca francesa (que já haviam caído), e óbviamente é disso que ela sobrevive. Quando alguns funcionarios fazem uma “cagada”, é natural que sejam demitidos, visando reversão ou abrandamento dos danos causados.

Mas é esse mesmo o motivo? A Renault diz, no comunicado, que não contestará as alegações pela FIA sobre o GP de Cingapura de 2008, o que nos leva a pensar que a Renault está tomando uma posição de auto-culpa. Provavelmente eles conduziram suas próprias investigações e descobriram a verdade de todo o plano. Oras, a equipe demite dois funcionarios da mais alta hierarquia na equipe e diz que não contestará as acusações? Então, ao meu ver, estão assumindo a existencia da fraude e, consequentemente, parte da responsabilidade.

Demiti-los pode fazer parte de uma estratégia para diminuir as punições que poderão vir após o dia 21, sendo agora uma punição para a Renault, Briatore e Symonds, e não para a Renault como um todo.

O futuro da equipe:

Sem um chefe de equipe e sem um diretor de engenharia, o que será da Renault? Tomando uma tática de realinhamento de comando, Bob Bell, diretor técnico da equipe, poderia “aglutinar” as tarefas de Pat Symonds.

Briatore tinha duas pessoas abaixo de si na hierarquia da equipe, portanto são os mais aptos a substituí-lo: Rob White e Andre Laine.

O problema que isso traz é o sobrecarrgamento destas pessoas, sendo então mais inteligente chamar pessoas de fora.

Joe Saward aponta vários nomes, sendo Olivier Quesnel (no comando da Pegeout Sport) o nome mais óbvio. Ele também cita Jean-Paul Driot, que comanda a DAMS há 21 anos, embora o team principal seja Eric Boullier. O mesmo Eric também faz o mesmo papel na A1GP Team France, e é citado por Joe.

No fim, a montadora francesa assumiu a culpa pela farsa e as cabeças dos responsáveis foram caçadas. Além dos possíveis novos chefes da Renault, ainda temos a questão da punição: multa, exclusão do campeonato atual ou até mesmo do cameponato de 2010, e, no pior dos casos, exclusão da categoria. Mas esqueçam estas últimas duas – elas são muito danosas a todos, não somente à Renault.

Sorry guys…

Não, este post não é sobre Nelson Ângelo Tamsma Piquet Souto Maior. É mais uma desculpa pela falta de posts mesmo. A verdade é que o concurso vestibular está me matando, e bom, entre entrar na faculdade e ficar blogando, prefiro o primeiro. Cometi o pecado de não falar sobre a corrida, em nenhum aspecto – nem treinos, nem a corrida, nem as estatísticas. Não há sentido falar sobre isso hoje, depois de dois dias. Então, meus caros leitores (não sei quem são, só sei que existem) vamos falar das notícias “quentes” de hoje: o anuncio da “Lotus” como a 13ª equipe e o rebaixamento da BMW Sauber à possível 14ª.

Lotus em 2010?! Infelizmente não serão carros pretos com dourado

Lotus em 2010?! Infelizmente não será em preto e dourado

Não era novidade que a fabricante de carros malaia Proton, dona da marca Lotus, queria colocar seu nome da Fórmula 1, juntando o projeto da Litespeed de Mike Gascoyne com sua marca multi-campeã da Fórmula 1, apesar de ter apenas o nome.

O que é intrigante era o fato de que o grid para 2010 já estava “fechado”, com suas 13 equipes, logo, alguma teria de sair para a “fake Lotus” entrar. A vítima foi a BMW Sauber, e, curiosamente, o anuncio do comprador da equipe começou a circular na mídia três horas mais tarde. A FIA garantiu que irá se “consultar urgentemente com as equipes existentes considerando a introdução de uma mudança de regras apropriada para expandir o grid para 28 carros, a tempo do primeiro Grande Prêmio de 2010”. Esse comunicado soa mais cínico que o Alonso dizendo que não sabia de nada sobre o Renaultgate / Singaporegate / Crashgate / Nelsinhogate etc. Oras, pensemos…

A FIA anunciou que dará imunidade a Pat Symonds se ele contar tudo o que supostamente sabe. E o que isso tem haver? Simples: a temporada de caça ao Briatore está aberta. A família Piquet está lutando ferrenhamente para acabar com a carreira do vendedor de roupas italiano, e garantir imunidade a Symonds é o mesmo que fazê-lo deixar o lado do Briatore, e a ele não vão conceder imunidade nenhuma. Com Flávio sozinho nesta história, ele pode ser expulso e a Renault publicar um pedido de desculpas formal, porém esclarecendo que as atitudes tomadas no GP de Cingapura foram responsabilidade de Flávio, e, assim, sair de fininho da categoria, esperando que todos esqueçam o ocorrido e que a sangria da propaganda negativa estanque.

É sabido que das três novas equipes, a que tem maiores chances de se concretizar é a Campos Meta. A USF1, segundo dizem os rumores, não tem nem estrutura, e a Manor é a equipe mais obscura que já apareceu na F1 desde que eu comecei a seguir o esporte. Ou seja, há grandes chances de não vermos algumas delas (ou todas elas) no grid ano que vem.

Resumindo: entre Renault, USF1, Manor e Campos, uma deve sair, e aí entra a BMW Sauber (que talvez se chamará Qadbak Sauber), ou até as duas únicas equipes que mereciam estar alí e não estão: Epsilon Euskadi e Prodrive. Ao que tudo indica, não será necessária a 14ª vaga.

Por que a escolha da fake Lotus?

A escolha da Lotus é mais uma com apelo político da FIA: sendo uma equipe malaia, a intenção é aumentar a popularidade no país, que é notoriamente rico em petrodólares. O GP da Malásia nunca teve suas arquibancadas lotadas e isso deve encomodar Bernie Ecclestone, que aparenta ter muitos interesses naquele Grande Prêmio. Isso se deve à falta de popularidade do esporte no país, e, talvez com uma equipe de lá (que será bancada pelo governo malaio), os habitantes locais possam se interessar mais e assistir a corrida no autódromo, mas é realmente esse o caminho certo?

Quantos pilotos malaios você já viu na Fórmula 1? Somente Alex Yoong, que era lembrado mais pelas barbeiragens do que por qualquer outra coisa. Mas ao invés do governo bancar uma equipe, que custa bilhões ao longo dos anos, por que eles não criam programas de jovens talentos automobilisticos e organizam categorias de base de baixo custo para estimular a gurizada malaia? Se a intenção é aumentar a popularidade, estão no caminho errado…

No fim das contas, é tudo mais uma manobra política da FIA, dependendo do desenrolar do Crashgate. E vocês, meus poucos leitores, o que acham? Quem correrá ano que vem? Sintam-se bem-vindos na seção de comentários.

E alguém esperava o contrário?

Não havia noticia mais óbvia do que a que saiu hoje: a Renault irá colocar seus dois carros no grid de Valência.

Após liberar Fernando Alonso de seu primeiro pitstop em condições “inseguras”, a equipe Renault, como todos sabem, tomou uma punição um tanto severa para tal incidente, e foi banida da corrida seguinte, o GP da Europa.

Alonso e sua Renault manca

Alonso e sua Renault manca

A punição da Renault, somada ao acidente de Felipe Massa durante os treinos classificatórios, jogou uma sombra sobre o GP da Europa, casa de Fernando Alonso e sua torcida fanática. Um campeonato que esteve monótono até aqui, numa pista mais monótona ainda, e uma punição exageirada para a equipe do ídolo nacional – um verdadeiro desastre para os organizadores do evento. Se eles já haviam retirado algumas arquibancadas, deveriam começar a se preparar para retirar mais outras.

Até que veio Schumacher, enchendo todos nós com a esperança de ver o heptacampeão de volta para brigar com Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, e voilá, a venda de ingressos dispara. Está tudo bem… eles não teriam o herói local na pista, mas poderiam ver o maior ícone do esporte em ação pela primeira vez. Até que…

… Nosso conto de fadas termina com as dores no pescoço de Michael. Era tudo o que ninguém queria: sem Felipe, sem Michael e sem Alonso. O GP da Europa tinha tudo para ser um desastre completo, um verdadeiro remédio para insônia.

Aí que entra a mão de nosso querido anão de cabelos brancos. Sim, ele mesmo, aquele que controla os direitos comerciais do esporte e nada deveria ter haver com as decisões da FIA. Veja bem, não deveria, mas como dizem por aí, “money rules everything”.

Vendo que a corrida poderia ser um fiasco de audiência, Bernie fez pressão para que a FIA voltasse atrás na decisão dos comissários, substituíndo a suspensão por um tapinha na mão, um “Renault boba e feia, não faça mais isso”, e uma multinha de $50,000. Pensemos…

-Caso a FIA não voltasse atrás, ficaria em questão sua já debilitadíssima capacidade de “distribuir” punições e seu modo arbritário e incoerente de interpretar as situações. Como exemplo, tem o caso do escapamento de Kimi no GP da França do ano passado, onde o Iceman andou todo um stint com o penduricalho batendo na carenagem de seu carro até que se soltou, podendo causar um acidente semelhante ao que ocorreu com Massa três semanas atrás. O que aconteceu com a Ferrari naquele caso? Nada, nadinha…

-Se voltasse atrás, como aconteceu, mostra sua fragilidade na hora de manter suas decisões quando o assunto é dinheiro. Cedeu à pressão dos organizadores, do Bernie, do Barack Obama, etc., passando pelo papelão de impor uma decisão para ser revertida pela corte de apelação.

A impressão que fica é que, depois de ter suspendido a equipe, não havia escolha certa. Qualquer decisão seria ruim para a FIA, mas entre as duas possíveis, eles tomaram a mais sensata, a menos danosa.

Mas agora temos de esquecer mais este FIAsco. Devemos nos focar na próxima notícia óbvia do momento: a confirmação de Romain Grosjean no carro nº 8.

Guilherme

Max, Luca e um karaoke

O post foi originalmente escrito em 26/06/2009, no Grand Prix in Brazil. Houve apenas algumas adaptações pós-tradução.

Ontem (25/06), Max Mosley enviou uma carta a Luca di Montezemolo, dizendo o quão ‘chateado’ ele estava por ter sido chamado de ditador, e agora considera aberta a sua opção por se reeleger ou não em outubro.

Engraçado é que Max insultou os membros da FOTA durante algum tempo antes de o acordo do dia 24 de junho ser firmado, rotulando-os de ‘lunáticos’, e nenhum deles enviou uma carta para Max Mosley, solicitando um pedido formal de desculpas.

Todos que trabalham com público e com clientes sabem que, se um de seus clientes entra na sua loja e cospe insultos em sua direção e grita na sua cara, você não pode entrar no mesmo jogo. Você deve se manter quieto, ouvindo e absorvendo todos os insultos, até que o cliente perceba que está errado e que ele protagonizou uma cena ridícula e, só assim, você poderá conversar com a pessoa e resolver o problema. Adaptando o cenário descrito ao atual momento da Fórmula 1, a FOTA permeceu quieta enquanto Max os insultava. Já é hora de Mosley perceber o quão deplorável é seu papel desta novela.

E agora, depois de ser chamado de ditador, Mosley se levanta contra a FOTA e demanda um pedido de desculpas formal vindo de Montezemolo. Por que ele não se desculpa para a FOTA, para começo de conversa?

Enquanto Mosley continua demandando seu tão precioso pedido de desculpas, Montezemolo fala (com toda a razão) em terminar com essas brigas politicas que assombram o esporte há meses. Considerando que, ao meu ver, Mosley sofre de um caso avançado de egocentrismo, ser ignorado deve ser o pior castigo para ele.

Finalmente, ao final de sua carta, Mosley diz algo com um pouco de bom-senso:

A Fórmula 1 é dirigida por nosso forte grupo de 25 pessoas sem nenhuma ajuda minha ou de algum outro terceiro.
Max Mosley

Ele está, de fato, certo. A Fórmula 1 sobrevive sem nenhuma ajuda de Max. Na verdade, ele tem sido um grande e pesado fardo para se carregar nos últimos 18 anos.

Mas o que diabos o ‘karaoke’ tem a ver com a história? Bem, há alguns dias eu estava procurando por algumas músicas que eu não ouvia mais, só para variar um pouco. Acabei achando esta aqui, e imediatamente eu imaginei Max e Luca cantando juntos, como se um verso fosse escrito de um para outro. Os versos sublinhados são cantados por Max, enquanto os versos em itálico são cantados por Luca (obviamente, versos sublinhados e em itálico são cantados por ambos). Aqui vai um pedaço da letra, já que o resto não tem muito a ver com a história…

Megadeth – Prince of Darkness
(Mustaine/Friedman)

Minhas vítimas são ricos e pobres, jovens e velhos, fortes ou fracos
Eu criei as mentiras, distorci o que você disse, não falei a verdade.

Eu tiro o que você ama, e te deixo em lágrimas
Eu aprisiono sua alma, suas esperanças são os meus jogos
Eu arranco teu orgulho, minhas promessas são vagas
Enquanto você queima na estaca eu danço com as chamas

Um aperto de mão sem valor, o ladrão mais esperto, eu roubo sua riqueza (o Bernie canta aqui)
Eu respondo suas preces por ganância e luxúria
Mais do que maligno, eu rio da sua confiança!

(…)

Pelo menos essa novela tem uma trilha sonora interessante…
Guilherme

Acabou!

O post foi originalmente escrito em 25/06/2009, no Grand Prix in Brazil

Finalmente a batalha entra a FOTA e a FIA acabou. Depois de dois meses de ameaças, os fãs da Fórmula 1 estão aliviados por ler que o esporte não se dividirá em dois.

Teremos todos estes times ano que vem, e mais três por vir

Teremos todos estes times ano que vem, e mais três por vir

A idéia de um campeonato da FOTA era bem interessante, com toda aquela especulação de três carros por equipe e algumas pistas clássicas no calendário, mas era tão bom que poderia ser chamado de ‘Fórmula Utopia’ – um campeonato ideal, onde todos seriam felizes, todo time seria competitivo sem necessitar de restrições, atrairia toneladas de patrocinadores, levaria centenas de milhares de pessoas para as pistas e nenhum time deixaria o campeonato. Mas, como na física, ‘ideal’ é algo que não é ‘real’, algo que você consegue provar ser correto matematicamente, mas simplesmente não funciona no mundo material. E assim é a Fórmula Utopia: apenas uma manobra desesperada da FOTA para arrancar Mosley do poder e conseguir tudo o que querem.

Eu realmente gostei da idéia de um ‘Grand Prix World Championship’. Quando eu li a notícia de que a FOTA iria se separar da Fórmula 1 e formar seu campeonato rival, eu comecei a rir. Não que eu tenha achado engraçado, eu só estava feliz. Engraçado é que eu estou muito mais feliz agora do que quando eu li a notícia…

‘Por quê?’, você pergunta? Porque não é somente a guerra entre a FIA e a FOTA que acabou. Como em todos os governos ditatoriais, a população odeia seu lider, o jeito que ele comanda as coisas e seus métodos arbitrários de implementar de leis. Eles não o respeitam – eles o temem, e esse medo não os impede de se levantar contra o líder. Mas mais cedo ou mais tarde, as massas se cansam disso, invadem as ruas e demandam um fim do reino do tirano, eventualmente tirando-o do seu palácio à força e humilhando-o para toda a Nação ver. E na Ditadura da Fórmula 1, Max Mosley foi derrubado de seu trono, humilhado, acabado e agora odiado (por alguns). Em outubro ele deixará seu ‘Palácio da FIA’, apenas com as memórias de seu mandato como Presidente da FIA, e, infelizmente, ele terá muito mais coisas ruins para lembrar e lamentar do que coisas boas.

Agora eu sei por que eu estava feliz sobre o ‘Formula Utopia World Championship’ – eu não queria um campeonato de montadores, eu queria um campeonato sem Max Mosley. E agora teremos!

Luis Fernando Ramos, o Ico, do (incrível) Blog do Ico cita Ari Vatanen, um piloto finlandês de rally dos anos 80, como um provável sucessor, enquanto o mestre Clive Allen, do (ainda mais incrível) F1 Insight cita Nick Craw como o melhor homem a herdar a posição de Max Mosley dentro da FIA. Entre os dois, eu fico com Vatanen.

Com a disputa de poderes sendo parte da história automobilística agora, vamos focar no que realmente interessa – a próxima corrida!

Guilherme

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