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Archive for the ‘Para Ficar na História’ Category

GP do Brasil – arrojo e ‘sorte de campeão’ asseguraram o título a Jenson

A corrida em Interlagos, como sempre, foi uma caixinha de surpresas. Apesar da probabilidade de 80% de chuva na região do autódromo paulista, não caiu uma gota sequer, facilitando a vida de Mark Webber para conquistar a segunda vitória em sua carreira. Contudo, quem tem mesmo motivos para sorrir é Jenson Alexander Lyons Button.

Massa dá a bandeirada para um novo campeão

Massa dá a bandeirada para um novo campeão

Um mix de sorte e competência marcou esta corrida do mais novo campeão mundial. Os acidentes de Kimi Räikkönen, Adrian Sutil, Jarno Trulli e Fernando Alonso renderam-lhe quatro posições “de graça” logo na primeira volta, somada à posição de Jaime Alguersuari que conquistou em pista. Somados todos os fatos, Jenson foi catapultado à nona posição antes do final da primeira volta.

A partir daí, Button foi ótimo. Apesar de ficar trancado pelo impressionante Kamui Kobayashi durante algumas voltas, Jenson conseguiu ultrapassagens essenciais e permaneceu dentro do limite necessário para levar o título para casa ainda em São Paulo.

Mas sorte não faltou ao jovem inglês – Vettel largou muito atrás para fazer qualquer ameaça e Rubens teve o pior dos azares com seus jogos de pneus. Seu segundo jogo de pneus médios pareceu não render tanto quanto o primeiro, mesmo quando o carro ficou mais leve. Não bastasse isso, Lewis Hamilton pressionou o brasileiro durante mais da metade do seu segundo stint. E como tudo que está ruim pode piorar, Rubens sofre um furo em um de seus pneus dianteiros, obrigando-o a fazer uma nova parada. O pódio do brasileiro se converteu em um oitavo lugar, e automaticamente no título do seu companheiro de equipe.

Destaques

Mark Webber: enquanto os outros se matavam lá na atrás, Webber caminhou tranquilo para sua segunda vitória. Assim como na Alemanha, Webbo foi rápido e preciso, abrindo vantagem suficiente para voltar de sua segunda parada à frente de Robert Kubica. Pena que sua reação no campeonato demorou demais…

Robert Kubica: primeiro pódio do ano para o polonês. Largando em oitavo, contou com o arranca-rabo de três pilotos à sua frente, mas ainda assim fez uma corrida bem sólida.

Kamui Kobayashi: meu guri! Segurou o campeão Button durante várias voltas e deu um lindo X no inglês, mostrando que é arrojado e tem velocidade. Talvez seja melhor salientar que esta é a primeira experiência de pista seca do rapaz em no bólido da Toyota. Uns dirão que ele pilotou em condições normais durante os testes da pré-temporada, mas o carro evoluiu demais desde então. Não há comparação. Que fique na Fórmula 1!

Sebastian Vettel: novamente, o baby Schumi mostrou que não sabe mesmo ultrapassar. Vai demorar quanto pra aprender?

Romain Grosjean: não acho adjetivos para descrever a corrida deste rapaz. Então eu vou com o mais próximo: terrível! Não consegui contar, mas acho que em apenas uma volta ele tomou três ultrapassagens, mais ou menos. Ficar com o Piquetzinho no time não era uma má idéia…

Brawn GP: Último, mas não menos importante. Se desse para escrever a história da equipe em um livro, ele seria popular na seção de contos da fadas, pois pela primeira vez na história, um time estreante é campeão de construtores! Está certo, com muitos yens da Honda, mas eles ganharam o título…

RESULTADO FINAL:

Piloto Equipe Tempo
Mark Webber Red Bull Renault 1:32:23.081
Robert Kubica BMW Sauber (+)7.6
Lewis Hamilton McLaren Mercedes (+)18.9
Sebastian Vettel Red Bull Renault (+)19.6
Jenson Button Brawn Mercedes (+)29.0
Kimi Räikkönen Ferrari (+)33.3
Sebastien Buemi STR Ferrari (+)35.9
Rubens Barrichello Brawn Mercedes (+)45.4
Kamui Kobayashi Toyota (+)63.3
10º Giancarlo Fisichella Ferrari (+)70.6
11º Vitantonio Liuzzi Force India Mercedes (+)71.3
12º Heikki Kovalainen McLaren Mercedes (+)73.4
13º Romain Grosjean Renault (+)1 Volta
14º Jaime Alguersuari STR Ferrari (+)1 Volta
15º Kazuki Nakajima Williams Toyota DNF
16º Nico Rosberg Williams Toyota DNF
17º Nick Heidfeld BMW Sauber DNF
18º Adrian Sutil Force India Mercedes DNF
19º Jarno Trulli Toyota DNF
20º Fernando Alonso Renault DNF

Ferrari: sonho de muitos, realização de poucos

Como esperado em todo o mundo da Fórmula 1, a Ferrari confirmou hoje qual piloto irá guiar o carro número 3 pelas lendárias retas de Monza: Giancarlo Fisichella

Olhem a expressão de felicidade da criança...

Olhem a expressão de felicidade da criança...

Giancarlo chega à Ferrari em alta, depois de uma soberba performance pelo traçado sagrado de Spa-Francorchamps. Segundo suas próprias palavras, “é um sonho que se tornou realidade”, saindo de um segundo lugar histórico em Spa para pilotar para a equipe de seus sonhos em casa – um italiano, pilotando para a maior equipe da história, que também é italiana, do Grande Prêmio da Itália, cercado pelos fanáticos tifosi, que há anos esperavam ver um piloto nacional de ponta em um dos carros rossos.

A saída do piloto da Force India não poderia ser mais amigável, com Vijay Mallya cedendo o piloto sem resistência. Isto mostra duas faces da Fórmula 1: o brutal mundo dos negócios e a honra e cavalheirismo de alguns homens neste esporte, virtude muito comum na época de Fangio, Brabham e Stewart, mas cada vez mais rara hoje em dia. Digo isso pois me surpreendi com a declaração de Vijay, onde ele dizia que “Para qualquer piloto italiano, uma vaga na Ferrari é um sonho antigo e para Giancarlo isso não foi exceção. Ninguém deveria ficar no caminho desse sonho. Além do mais, este acordo irá garantir um longo futuro de Giancarlo com a Ferrari e seria incorreto por isto em perigo, particularmente quando Giancarlo fez tal contribuição vital à Force India.”

Mallya também garantiu que o acordo em nada envolveu as imensas dívidas da equipe indiana com a Scuderia, mas cá entre nós, você acha que algum chefe de equipe romperia seu contrato com um piloto depois de uma performance espetacular assim, por pura camaradagem? Que o dono da “cervejaria-aérea” Kingfisher é boa gente, isso não há dúvidas, mas ele não seria filantropo a esse ponto. Certamente as dívidas não foram quitadas, mas diminuíram.

Não teria como o final de carreira do italiano terminar em melhor estilo – realizando seu sonho de infância. Depois de ficar na sombra de Fernando Alonso na Renault, Fisichella foi relegado a andar na rabeira do grid, com uma pífia Force India que corria com um obsoleto chassi Spyker F8-VII, defasado em um ano. Depois de uma completa reestruturação da equipe e uma parceria tecnológica com a McLaren Mercedes, a Force India parecia andar no caminho certo, e empurrando o time estava Giancarlo. Como recompensa pelo seu duro trabalho e motivação inabalada durante 14 anos de Fórmula 1, Fisico correrá as 5 corridas de sua vida até o final da temporada, e em 2010 será piloto de testes da equipe de Maranello. Como dizem, “hard work pays off”.

Pessoalmente, nunca fui fã do Giancarlo, mas como Ferrarista, desejo a ele meus insignificantes votos de sorte no Grande Prêmio da Itália, e que traga para a Ferrari e sua torcida apaixonada o melhor resultado possível.

Parabéns Fisico!