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Archive for the ‘Momentos do passado’ Category

Por que o GP da Bélgica é mágico (parte 4 de 4)

O último vídeo da série aconteceu no ano passado. Preciso dizer sobre qual momento estou falando? É claro que é o final da corrida. Kimi parecia caminhar tranquilamente para sua quarta vitória consecutiva em Spa Francorchamps, até que o destino resolveu rolar os dados mais uma vez no final da prova, com aquilo que é quase um cliché nas corridas em Spa: chuva.

A três voltas do fim, Hamilton ataca Räikkonen na Bus Stop. O finlandês tem a linha de dentro da curva, mas Hamilton força. Quando viu que Kimi não tornaria as coisas mais fáceis para o seu lado, Hamilton  teve de tirar o carro para fora do traçado, cortando a chicane (que mais parece dois harpins grudados) e saindo à frente de Kimi, tendo de devolver a posição (o que gerou muita discussão depois e eu, particularmente, defendo a punição que ele tomou), para depois retomá-la na La Source.

A partir daí o que se viu foi um duelo frenético, onde Kimi e Lewis saem da pista e trocam de posições várias vezes, até que Kimi, que estava acelerando tudo por não ter nada a perder, rodou e encontrou o muro. E enquanto isso, Heidfeld e Alonso, que haviam parado para colocar pneus intermediários, “empalaram” vários outros pilotos na ultima volta para chegar em terceiro e quarto, respectivamente. Final de corrida mais emocionante que esse só o do GP do Brasil ano passado.

E esse ano? O que emoções podemos esperar do Grande Prêmio da Bélgica? Chuva? Acidentes? Ou uma simples – e bela – corrida disputada? A seção de comentários é sua para dar sua opinião…

Guilherme

Por que o GP da Bélgica é mágico (parte 3 de 4)

Continuando a série de posts que mostra vídeos justificando a magia do circuito belga (e olha que eu só estou usando vídeos recentes!), trago um vídeo de 2000, onde dois monstros do esporte nos presenciaram com uma das manobras mais lindas já vistas. Obviamente, um deles não saiu muito feliz…

No final da prova a liderança de Michael Schumacher estava em grande perigo, já que Mika Häkkinen vinha muito mais rápido do que o alemão. Na volta 39, com 5 restantes para o final, Häkkinen tenta ultrapassar Michael na reta que leva à Les Combes, mas o heptacampeão fechou a porta do finlandês, que chegou a levantar poeira com a roda traseira direita e mostrou a mão para Schumacher, num claro sinal de desagrado. Porém Mika não tinha com o que se preocupar, pois seu carro estava em ótimas condições de conseguir a ultrapassagem.

Na volta seguinte, no mesmo local, Schumacher vinha trazendo Häkkinen consigo novamente, mas desta vez tinha outro fator – um retardatário. Era a BAR de do brasileiro Ricardo Zonta. Schumacher se posicionou atrás da BAR para extrair o máximo possível de velocidade no vácuo deixado pelo brasileiro, mas Häkkinen também estava se aproveitando do vácuo deixado pela Ferrari número 3. Zonta parecia sem saber o que fazer, sem saber para que lado puxar o carro, tanto que permaneceu no meio da pista. Schumacher o ultrapassou pela esquerda, no lado de fora da Les Combes, enquanto Häkkinen foi por dentro. Nesse “pulo do gato”, Mika ultrapassou Michael, dando um “chega pra lá” no alemão e tomando a liderança da prova. Uma manobra audaz, inteligente e precisa, diga dos verdadeiros campeões. É, discutivelmente, a melhor ultrapassagem da história da Fórmula 1.

Na última parte, um momento recentíssimo na história do GP belga, que ainda dói na mente de alguns, sejam os fãs de certo piloto, sejam os que odeiam a certa equipe…

Guilherme

Por que o GP da Bélgica é mágico (parte 2 de 4)

Esse post vai precisar de 3 vídeos, pois a corrida teve vários momentos notórios. O ano era 1998, e para variar, a pista foi castigada pela chuva durante toda a corrida. Para quem gosta de ver acidentes na Fórmula 1, esta corrida foi um prato cheio.

Creio que todo mundo conhece o primeiro acidente deste GP, mas vou falar sobre ele, apenas para manter o costume. Parecia uma largada tranquila, apesar do clima impiedoso. Todos os carros contornaram a La Source tranquilamente, até que David Coulthard perde o controle de sua McLaren, supostamente em um toque com Eddie Irvine, bate no muro e rebate para o outro lado da pista, no caminho do pelotão que acelerava em direção a Eau Rouge. O “empilhamento” mais famoso da Fórmula 1 teve a ilustre participação de (além de Coulthard), Eddie Irvine, Alexander Wurz, Rubens Barrichello, Johnny Herbert, Olivier Panis, Jarno Trulli, Mika Salo, Pedro Diniz, Toranosuke Takagi, Ricardo Rosset, Shinji Nakano e Jos Verstappen. 13 carros!

Resultado: corrida parada até que a pista estivesse limpa, os carros reservas preparados e uma das batidas mais conhecidas da história!

O segundo vídeo também é algo que ninguém esquece. Disse Carlos Drummond de Andrade: “No caminho tinha um Coulthard. Tinha um Coulthard no meio do caminho”.

Não, não foi isso que ele disse, mas é uma adaptação perfeita para o que Schumacher pensou depois do ocorrido. Liderando confortavelmente, o Regenmeister estava pronto para dar uma volta em David Coulthard, que estava na oitava posição. A primeira tentativa veio na Les Combes, mas Coulthard não abriu caminho para o alemão, que o seguiu “pacientemente” até que o escocês o desse passagem. Coulthard decidiu abrir caminho na reta que leva à Pouhon, desacelerando o carro para que Schumacher pudesse passar. Até aí nada demais, se não fosse pelo fato de Coulthard não sair da linha de direção da pista. Devido à baixa visibilidade, Michael não conseguiu ver que Coulthard havia diminuído tanto sua velocidade, acertando em cheio a traseira da McLaren, arrancando sua roda dianteira direita e a asa traseira da McLaren de David. Chegando aos boxes, Schumacher foi direto à garagem da McLaren e agrediu verbalmente o escocês (e provavelmente seria fisicamente, se ele não fosse segurando por um mar de mecânicos), culpando-o e dizendo “ele estava tentando me matar!”.

Agora um menos lembrado, mas não menos cinematográfico. Fisichella enfia sua Benetton na traseira da Minardi de Shinji Nakano, no melhor estilo Schumacher-Coulthard do vídeo acima. Fisichella abandonou a prova, mas Nakano, assim como Coulthard, voltaram à pista depois de longos reparos em seus carros.

No próximo vídeo uma cena mais bonita e menos catastrófica… aguardem!

Guilherme

Por que o GP da Bélgica é mágico (parte 1 de 4)

No clima do Grande Prêmio da Bélgica, uma série de vídeos relativamente recentes, para nos lembrar a razão pela qual o GP é tão especial. O primeiro deles ainda deve estar vivo na memória daqueles que nasceram até a primeira metade dos anos 80, mas não para aqueles que têm a mesma idade que eu.

O ano em questão era 1995, e, como de costume, a chuva marcou a corrida. Os protagonistas da cena foram Michael Schumacher em sua Benetton-Renault e Damon Hill em sua Williams-Renault. Na volta 21, Damon Hill, líder da prova, pára nos boxes para colocar pneus de chuva, enquanto Schumacher, segundo colocado, resolve apostar na sorte e na sua habilidade para se manter na pista com pneus slicks. A cena a seguir é linda: Schumacher segurando Hill por mais de uma volta com pneus slicks enquanto a pista está molhada. Quem nunca assistiu, assista imediatamente e saiba por que Schumacher era chamado de Regenmeister (ou Regenkönig). Quem já assistiu, relembre:

Mesmo quem não gosta do alemão deve se surpreender com sua habilidade ao volante, principalmente na chuva. Aguardem a segunda parte, com um vídeo não tão glorioso assim…

Guilherme