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Entrevista com Matheus Ribas

Como prometido ao final do post sobre as estatísticas pós-GP de Abu Dhabi, trago a vocês uma pequena entrevista que fiz com o amigo e blogueiro Matheus Ribas, jornalista de formação e convicção.

Matheus não é um típico fã de Fórmula 1 – não acompanha o esporte diariamente, e nem se interessa, pelo jeito. Sua paixão é mesmo a preferência nacional: o futebol. Então aproveitei a oportunidade que tive de entrevistar alguém que não é um seguidor da F1… fazendo-lhe perguntas sobre Fórmula 1!

Mas não só ele aceitou meu desafio, como também resolveu me entrevistar. Minhas respostas logo estarão no blog dele, onde vocês poderão me ver falando um pouco sobre F1, futebol e sobre o Grand Prix no Brasil.

Espero que gostem dessa pequena – e divertida – experiência, que foi tão válida que talvez, um dia, eu dê continuidade a ela.

E se você gosta de futebol, não deixe de visitar o blog dele, obviamente.

Então, que comecem as perguntas!

 

Q: Você é uma pessoa que não assiste Fórmula 1, certo?
Matheus Ribas:
Eu não assisto a todas as corridas. Mas de vez em quando dou uma olhada sim. Antes do acidente fatal do Senna, eu não perdia uma. Tinha 14 anos na época.

Q: Como fã e crítico de futebol, como você enxerga o automobilismo?
MR:
O automobilismo tem grande importância para a questão tecnológica. Equipes se preparam muito para conseguir fazer tudo muito bem e rápido. Muito do que é usado hoje nas questões modernas e tecnológicas, acredito que se deva a Fórmula 1. Não estou dizendo que os carros de hoje são inspirados em carros de Fórmula 1, mas com certeza muita coisa é aproveitado. Vejo também a maior graça na largada e na chegada, pois se torcemos por um piloto e no meio da corrida algo de errado acontece com ele, ficamos a espera do fim sem torcer mais para ninguém. E muitas vezes, são injustiçados.

Q: Você acha que, atribuindo um grau de importância, o futebol se sobressairia à Fórmula 1?
MR:
Acredito que o futebol tem um grau de importância com mais destaque na mídia e como ele começou a existir antes de muitos outros esportes, ele se sobressai sim. Ainda mais num país do futebol, como o nosso é reconhecido.

Q: O Brasil é um país de torcedores ufanistas, em todos os esportes. Na Fórmula 1, após a morte do Senna, muitos perderam o interesse ou acabaram por esperar de Rubens Barrichello vitórias que eram simplesmente impossíveis de conquistar. O que você acha desse ufanismo tanto na F1 quanto no futebol?
MR:
Eu sempre fui um fã do Ayrton. Nunca esqueço as narrações com toda a emoção em suas vitórias nos domingos pela manhã. Acontece que o brasileiro é um povo que muitas vezes, carente de ídolos, escolhe e se identifica com alguém (jogadores, pilotos, artistas, etc…) e não quer que nada de errado aconteça ou não quer se decepcionar com o escolhido. No caso de Senna na F1, quando acontece um acidente trágico como o dele, é normal as pessoas quererem preencher aquilo que elas estavam acostumadas com ídolo que enchiam elas de alegria. Há uma transferência errada, mas automática, de “responsabilidade”. Só que ninguém é igual a ninguém. Cada um tem a sua história.

Q: Muitos ainda discutem se a Fórmula 1 é ou não um esporte. E você, qual sua opinião?
MR:
Essa questão é polêmica. Antes, pensava que não tinha nada de esporte. Hoje, estou convencido que se trata de um esporte, mas sem um contato físico e com muito trabalho mecânico. Entendia que quem fazia o maior esforço era a máquina. Mas quando houve o acidente com o Felipe Massa (este ano com a mola que soltou do carro de Rubinho e o atingiu na cabeça) percebi que Schumacher não conseguiu voltar para substituí-lo em função de problemas físicos e aí pensei: opa, se o cara tem dor e não está totalmente em condições físicas, não como mais pensar que o esforço é só da máquina. Portanto, é um esporte sim. Mas não me chama mais tanta atenção como na época dos duelos de Ayrton Senna e Alain Prost e com o Nigel Mansell.

Q: Ayrton Senna, Rubens Barrichello e Felipe Massa. Três importantes pilotos brasileiros que com certeza você conhece bem. Dê-nos sua opinião sobre eles.
MR:
Ayrton é um ídolo de uma geração que estava acostumada a não ganhar nada de importante a nível nacional. Talvez antes dele, somente o Pelé. Imagina que o Senna foi campeão no final da década de 80 e fazia quase 20 anos que o Brasil tinha ganhado a última Copa (70). Não que o futebol seja o essencial para se contemplar ídolos, mas outros esportes não tinham grande proporção e a F1 na época do Piquet não era tão valorizada pelo brasileiro. Realmente o Senna, sei lá, por questões de estrela talvez, chamou a atenção de todos naquela época e conseguiu fazer com que mais gente começasse a acompanhar F1. O Piquet talvez por seu comportamento polêmico não conseguiu atingir o que Senna atingiu.

O Rubinho é um cara batalhador e com certeza conta com um grande talento. Mas nem sempre contou com boas equipes e quando contou (exemplo da Ferrari) era segundo piloto. Esse ano, numa equipe que era promessa, quase foi campeão. Acredito que falte um pouco de sorte também. Mas uma hora ele vai conseguir, pode ter certeza.

O Massa demonstrou que é bom piloto e por azar dele e sorte do Hamilton, ele não foi campeão o ano passado. Esse ano foi prejudicado, mas ano que vem ele vai dar trabalho para os outros pilotos. Ele o Rubinho.

Q: Por fim, sobre teu blog. Qual a proposta dele? O que te levou a criar ele? E onde você busca inspiração? Já obteve algum reconhecimento jornalístico com teu blog?
MR:
A proposta é discutir assuntos relacionados ao futebol. Dupla Grenal em essencial. Mas por vezes tenho que ser versátil, e daí entram assuntos que fazem parte do nosso cotidiano, dica de filme, música, enfim, temas no geral os quais sinto a necessidade de falar, opinar e claro, ouvir a opinião das pessoas. Criei em 2007 numa aula de Jornalismo Online e a partir daí percebi que esse era um canal de muita importância para quem quer trabalhar ou quem trabalha com a Comunicação Social. Digamos que ele seja além de um fórum, um portfólio.

Inspiração para os textos eu busco nada mais daquilo que eu vejo, penso ou sinto e tenho que falar. Como não falar nada a respeito de uma Copa, uma conquista inédita, um crime “sem perdão”, enfim, algo que está presente em nossa realidade? Eu não consigo! Posso demorar um pouco para atualizar, mas em seguida lá estou eu.

Quanto ao reconhecimento, acredito que já. Esses dias, assisti a uma entrevista do Dunga e a foto que eu fiz dele falando, o Nando Gross (comentarista de futebol da Rádio Gaúcha) a utilizou. Logo que encontrei o Nando, fui elogiado pelo texto e pela foto. Mais acredito que o maior reconhecimento é das pessoas que acessam todo o dia e dos comentários recebidos.

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