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Kubica: mais um talento desperdiçado?

Mesmo que o polonês diga que a chance de ele pilotar para a equipe que quer é de “95 a 90 por cento”, o consenso geral, tanto em blogs quando na mídia especializada, é de que Robert substituirá Fernando Alonso na Renault, e o anúncio sobre o novo piloto da equipe será feito já na semana que vem.

Robert em 2008 - chegará o polonês tão perto do título novamente?

Robert em 2008 - chegará o polonês tão perto do título novamente?

Kubica desembarcou na Fórmula 1 em 2006, pilotando pela então meio-estreiante BMW Sauber, substituindo Jacques Villeneuve. Já em sua terceira corrida, impressionou com um surpreendente pódio no GP da Itália. Uma literalmente jovem – 21 anos na época de sua estréia – promessa surgira em uma Fórmula 1 cada vez mais marcada pelos mesmos pilotos mantendo as vagas nas equipes de ponta, depositando no guri da Polônia uma certa dose de esperança e expectativa com relação ao seu futuro.

Aos poucos, Robert foi conseguindo um lugar cativo na equipe ao lado de Nick Heidfeld. Os bávaros se mostravam extremamente competentes e certos do que faziam a cada corrida. Mario Theissen estabelecia metas e as cumpria: estar regularmente nos pontos em seu primeiro ano e regularmente no pódio no segundo. A estrela de Kubica brilhava cada vez mais forte, com grandes demonstrações de sua habilidade e velocidade natural em corridas como a da China e do Japão em 2007, mas sempre pagando caro o preço da inexperiência. Isso custou-lhe a posição à frente de seu companheiro, mas foi uma vitória de uma equipe que lutava para conquistar seus objetivos e que subiam rapidamente ao topo do grid.

Veio 2008, e com ele a meta de obter a primeira vitória para a equipe. Logo na primeira corrida, Robert dá uma demonstração do potencial da equipe ao marcar o segundo tempo na classificação, perdendo a pole apenas por um erro na curva 6 durante sua volta rápida. A força da equipe provou não ser apenas um one-off, com resultados sólidos e regulares, além da pole position de Robert no GP do Bahrein.

No GP do Canadá, palco do horrível acidente que sofrera um ano antes, Kubica consegue o marco de ser o primeiro vencedor de um Grande Prêmio pelo seu país, tão obscuro no automobilismo. Claro, com uma “pequena” ajuda da barbeiragem de Lewis Hamilton e da troca de posições com seu companheiro de equipe, mas ele pilotou no limite, e como recompensa passou a liderar o campeonato. A meta do ano estava cumprida, e o próximo degrau era, obviamente, o título mundial.

Mas, apesar dos inúmeros pedidos de Robert, sua equipe desviou totalmente a atenção para o carro de 2009, abandonando uma campanha que, apesar de difícil, estava longe de ser impossível. O carro da BMW começou a perder rendimento para suas rivais diretas e no final do campeonato até a Renault estava à frente dos bávaros. Aí começaram os primeiros atritos com o time…

O ano de 2009 trouxe a missão de ganhar o título mundial. Todos acreditavam que o F1.09 seria um dos carros a ser batido, devido à seu tempo de desenvolvimento. Isso até parecia se confirmar na primeira corrida, onde Kubica acabou se chocando com Vettel na briga pela segunda posição. Porém o que se viu depois foi uma verdadeira vergonha: o carro foi um fracasso. Acabou não se adaptando ao KERS, ao qual foi desenvolvido em torno. Kubica e Heidfeld amarguraram corridas horrendas, às vezes até sem sair do Q1. E Kubica feliz que não podia estar, pois seu assault em 2008 havia sido interrompido com esperanças de lutar na frente em 2009. A parceria que, no início, parecia frutífera e rumo à glória, acabou ficando arranhada. Eis que, no início de julho, a Bayerische Motoren Werke anuncia que deixaria o esporte, pegando seus pilotos de surpresa e forçando-os a procurar novas casas.

E é o que Robert faz agora. Há sim uma chance, como ele mesmo admite, de continuar na Sauber para 2010, mas seu namoro com a Renault é forte. Com a ida de Fernando Alonso para Maranello, o time francês precisa de alguém para “tampar o buraco”.

A Renault não produz um carro vencedor desde 2006, sendo o de 2008 “meia-boca” e os de 2007 e 2009 verdadeiras bombas. O time acabou de enfrentar o maior escândalo da história do esporte e foi forçado a uma reestruturação de seu staff. Kubica realmente não tem opções, mas a Renault não é atrativa também.

O problema de hoje na Fórmula 1 é que há muitos talentos e muitos pilotos com “cadeiras cativas” em suas equipes. Massa é o queridinho da Ferrari e Alonso não sai da lá até, no mínimo, 2012. A McLaren é a casa de Lewis Hamilton e a segunda vaga está bem disputada no momento: na menos que o campeão do mundo Kimi Räikkönen está cotado para pilotar para os prateados. E mesmo que algum destes saia do esporte em breve, há outros pilotos muito mais paparicados e ditos como futuros campeões. Sebastian Vettel que o diga. A única opção restante é a Renault, equipe que até pouco tempo não sabia se saia ou se ficava. Equipe que não tem patrocinadores decentes e cujo presidente-mor não parece ficar nada satisfeito cada vez que um orçamento para o time de Enstone lhe é apresentado.

Caso a Renault não entre nos eixos muito em breve, teremos um caso de um piloto talentoso, ambicioso, agressivo e apaixonado pelo esporte que nunca conseguiu nada simplesmente por não ter chances nas equipes verdadeiramente grandes da categoria.

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  1. João Anderson
    02/10/2009 às 23:46

    É…só resta chorar.

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