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GP da Alemanha – O dia de Mark Webber

Primeiramente, peço desculpas por não postar nada nas últimas duas semanas. Alguns fatores pessoais me impediram, além de eu não ter vontade de escrever sobre o blá blá blá político entre a FIA e a FOTA. Mas finalmente tivemos uma corrida, o que já é motivo suficiente para se escrever.

Mark Webber

Mark Webber

Demorou, mas veio. Sete anos e 130 Grandes Prêmios depois, Mark Webber sobe à posição mais alta do pódio, num estilo dominante, como tem sido característico nesta temporada. A corrida já começou emocionante: uma boa largada por parte de Rubens Barrichello, que, com um carro muito mais leve, conseguiu pular na frente do australiano ainda antes da primeira curva. Talvez por excesso de arrojo, ou simples inexperiência ao largar na ponta do grid, Mark jogou o carro para cima de Rubens, tocando-o com o pneu traseiro-direito na lateral do carro do brasileiro. Uma manobra brusca e perigosa – Rubens teve tão pouco tempo de reação que não conseguiu evitar o leve toque. Caso o toque tivesse sido mais forte, os dois carros poderiam rodar, e, estando na frente de todos os outros, causaria um acidente em massa, com a possibilidade de interrupção da corrida. Punição merecida para o australiano – talvez ele pense duas vezes antes de ser tão agressivo em uma largada. Alguns questionaram a decisão dos comissários em punir o piloto, considerando que eles já deixaram varias manobras do tipo passar sem qualquer tipo de represália, mas já diz o velho ditado, “antes tarde do que nunca”, certo?

Pobre de Hamilton, que fez uma largada fantástica e teve um pneu furado, também num contato com Mark Webber, ao contrário do que o nosso queridíssimo e bem informado amigo Galvão Bueno pensou. Caiu para último e lá ficou.

Reparem no pneu achatado na McLaren de Lewis Hamilton

Reparem no pneu achatado na McLaren de Lewis Hamilton

A cada corrida, o KERS se mostra cada vez mais como um fracasso em seu objetivo, que era estimular ultrapassagens. Os únicos carros equipados com o equipamento, Ferrari e McLaren, fizeram bom uso da engenhoca, com ótimas largadas. Kovalainen se posicionou em terceiro e Massa em quarto, logo atrás de Vettel. O problema é que os carros da McLaren e Ferrari não são rapidos o suficiente, e ao invés de usar o KERS para fazer ultrapassagens, eles utilizaram-no para defender-se delas. Nesse cenário, Button se viu trancado atrás de Kovalainen após ultrapassar Massa, e Vettel ficou preso atrás do brasileiro, vendo suas já improváveis chances de vitória em casa escapando de suas mãos.

Mas enquanto eu condeno o KERS, Rubens Barrichello e Mark Webber deviam estar adorando a idéia, podendo abrir 1 segundo por volta para os demais e vendo o trenzinho liderado por Kovalainen sumir de seus retrovisores. A corrida parecia estar na mão dos dois… estava. Quando a punição para Webber veio, na volta 11, eu tinha mais certeza que seria decidido entre ele e Barrichello, salvo improbabilidades, como a chuva. Webber pagou sua punição no limite, na volta 14, no mesmo momento em que Rubinho entrou para fazer sua primeira parada, mas com apenas 6.6 segundos de combustível, meus medos se concretizaram: uma estratégia kamikaze de três paradas. Esta estratégia já se provou errada no Barhein e na Espanha com Barrichello, na Turquia com Vettel e estava para se provar errada naquele momento. Para piorar a situação, Barrichello voltou atrás da lenta Ferrari de Felipe Massa, fazendo o veterano perder 1 segundo por volta em relação a Webber. Seria o desastre se ele se mantesse ali, e foi. Massa era um dos carros mais pesados do grid, e seu longo stint de 25 voltas no início da corrida significou o fim da corrida para Barrichello. Webber pode construir uma liderança confortável em cima de Rubinho, aproveitando ao máximo o desempenho de seu magnífico RB5, que era tão superior que Mark foi capaz de se aproximar de Rubinho depois de sua parada.

A partir daí, a corrida foi monótona. O vencedor já estava certo se as condições climáticas se mantessem estáveis, e assim foi. Bom, vamos aos destaques:

Mark Webber: dominante, preciso, consistente. Uma performance perfeita por parte do australiano. Após 130 corridas, Mark Webber se tornou o piloto que mais corridas demorou para chegar em primeiro lugar, tomando o lugar de Barrichello nesta estatística. Um vitória pessoal também, considerando sua fratura na perna no fim do ano passado.

Felipe Massa: arrastou sua pífia Ferrari para o degrau mais baixo do pódio, sua melhor classificação em corridas neste ano, igualando o feito de seu companheiro de equipe. Uma ótima largada, com uma ajudinha do KERS, e um desempenho consistente asseguram-lhe o terceiro lugar. Está de parabéns.

Nico Rosberg: uma acensão magnífica do 15º lugar do grid para o 4º ao final da corrida. Completamente despercebido, mal aparecendo durante a transimissão, Nico soube aproveitar seu longo primeiro stint para ganhar diversas posições. Provavelmente estará numa merecida mudança de equipe ano que vem, com rumores relatando a McLaren ou BMW como sua possível nova casa.

Adrian Sutil: levei as mãos à cabeça quando o rapaz quebrou a asa no toque com Kimi Räikkönen. Estava torcendo muito pelos primeiros pontos da Force India. Já é a terceira vez que Sutil perde esta oportunidade, mais por falta de sorte do que por falta de habilidade. Mas não vai demorar muito para os primeiros, podem ter certeza.

Fernando Alonso: o espanhol levou seu paralelepípedo amarelo para um modestíssimo sétimo lugar, mas sem antes colocar voltas incríveis, marcando a volta mais rápida da prova, sua primeira desde o GP da Itália de 2007.

Sebastian Vettel: um dos meus pilotos preferidos, mas não por isso vou defendê-lo sempre… apesar de um segundo lugar, teve performance apagada. Foi totalmente dominado pelo companheiro de equipe e foi incapaz de ultrapassar Felipe Massa quando foi necessário. Inexperiência somada à pressão e brilhantismo resulta nisso: performances magnificas em uma corrida, medíocres em outra. Está na hora do guri abrir o olho.

Brawn GP: será que Ross Brawn esqueceu a genialidade em casa? Alguém consegue me explicar a lógica dessas estratégias kamikazes de três paradas? Não seria melhor garantir um terceiro e quarto lugares do que arriscar tudo? Melhor um passaro na mão do que dois voando, né…

Rubens Barrichello: gosto dele, acho ele um ótimo piloto e que é sempre motivo de piadas injustas, porém sempre achei ele muito chorão. Mas dessa vez foi demais. Ele realmente perdeu muito tempo voltando atrás do Massa (a equipe poderia ter colocado menos combustível) e o problema com a mangueira de reabastecimento foi cruel, mas ele perdeu no máximo um pódio, pois a corrida já tinha dono. E não era ele. Só por que teve contratempos, não quer dizer que ganharia. Apenas corra Rubinho, se der errado, fique quieto…

Nürburgring: sim, a própria pista. Não lembro quando foi a ultima vez que eu vi cinco pilotos terminando a corrida com menos de 2 segundos de diferença entre eles. Não é a melhor pista do mundo (diria até que é uma ofensa ela dividir o mesmo nome com o monstro Nürburgring Nordshleife), mas se tornou bem mais atraente do que Hockenheimring, depois do assassinato que Hermann Tilke fez com a pista em 2002.

Termino aqui meu longo post sobre a corrida, lembrando da melhor cena da corrida: Mark Webber beijando seu carro, dentro do parc freme. Fazia tempo que não viamos um piloto tão feliz após vencer uma corrida. Parabéns Mark!

Logo mais, trago à vocês os fatos os sobre a corrida.

E a chama campeonato reacende! Que venha o GP da Hungria!
Guilherme

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